Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Nzongo Bernardo dos Santos

A rvore que no deixa ver a floresta!

28 de Maio, 2018
Num país como Angola, em que o género de gestão desportiva que se deseja, profissional, transparente, credível, fica ou deve ficar cada vez mais complicado de ver consumado como um facto, por determinadas dinâmicas contrárias ao que acontece um pouco por todo o mundo, são emperradas, melhor ainda travadas, com freios tão rígidos semelhantes ao que os comboios de carga e bens possuem, tudo em nome de um certo predomínio de impunidade que um grupo, diga-se restrito, se sente privilégio de ainda ter em detrimento da totalidade da maioria de nós.

Resultado?
Fica cada vez mais às claras, a diferença gigantesca e grotesca entre quem ocupa um lugar no dirigismo desportivo nacional, e quem exerce a função de gestão desportiva nacional.
Já não é segredo para a maioria, muitos foram parar ao dirigismo desportivo nacional, continuam a \"kizombar no quadradinho\", porque nada mais faziam na vida e ainda estão até hoje no desporto, podiam estar em outro sítio qualquer, a fazerem o que mais aprenderam a fazer na vida: dar \"facadas nas costas\" ou \"venderem -se por meia dúzia de favores e cambalachos\".
Que eu saiba, além de trivialidades que a maioria repete, cada vez que se dirige a um órgão de comunicação social para emitir os seus pronunciamentos e opiniões, constato que nada de novo trazem para o país em termos de desporto, além do linguajar cansativo, gasto e oportunista.
Já se está para além da hora, para que forçosamente, apareçam outras gerações de gestores desportivos de mão-cheia. Gestores desportivos de verdade e verdadeiros, com convicções, com um percurso real e concreto, com a cultura de gestão, e não necessariamente, apenas com cultura desportiva.
Hoje, com a deterioração acelerada da visão, que ainda se tem sobre a \"nossa\" maneira de fazer e estar no desporto, e com a velha mania que ainda temos de fugir ou correr com as pessoas sérias e competentes, está cada vez mais evidente que nem os \"prometidos\" contratos -programa, nem a alteração, e tampouco a mudança da \"mais - antiga - lei” do desporto nacional, refiro-me ao mecenato, tenham arcaboiço e \"genica\", para nos fazer olhar para frente e pensar o país desportivamente, com ética e patriotismo.
Enquanto tal não suceda, continuo tal com faço neste espaço, há mais de uma ano e em outros lugares e momentos, em que sou convidado a debitar a minha visão e perspectiva para o desporto nacional nos próximos 10 anos, a defender que o marketing e a gestão desportiva profissionalizada, regulamentada, com um plano de fundo e com fundo, podem não ser a solução definitiva para a panaceia de problemas que enfermam e afectam o desporto nacional.
Mas que ajudam, isso não sou eu apenas, que não tenho dúvidas.
Porque o futuro, se não for grande para o desporto nacional, em termos de marketing e gestão desportiva, pelo menos, ou no mínimo, pode ser bem diferente!
Basta que exista vontade política, institucional, para apoiar os profissionais de marketing desportivo, que pululam pelos meandros e círculos fora do sistema desportivo nacional, ao invés de fazerem o mesmo \"exercício de malabarismo\", porém, dentro do sistema desportivo nacional.
Perguntem à ministra da Juventude e Desportos, ao secretário de Estado para o Desporto, ou então, ao director nacional para as políticas desportivas do MINJUD, se eu me gabo?
*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo

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