Jornal dos Desportos

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Opinio

A Seleco Nacional ainda alimenta esperanas

08 de Outubro, 2014
Não obstante encontrar-se a alguns “degraus” abaixo dos Palancas Negras, nos rankings da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), a selecção nacional do Lesoto, é um adversário que impõe respeito, ao criar dificuldades acrescidas aos seus opositores, principalmente quando joga no seu reduto.

Desprovidos de qualquer dose de cepticismo, a empreitada da Selecção Nacional, que começa nesta sexta-feira, em Maseru, e termina na próxima 4ª feira, em Luanda, diante da sua congénere do Lesoto, não é fácil.

Os encontros, como é do conhecimento geral, são pontuáveis para as 3ª e 4ª jornadas do grupo C, de acesso à fase final do Campeonato Africano da Nações (CAN), que no próximo ano tem lugar em Marrocos. A maioria dos adeptos angolanos está, como se diz, com a “pulga atrás da orelha”, quanto ao desempenho dos Palancas Negras, pelo facto de nos encontros precedentes não se terem saído bem diante das representações nacionais do Gabão e do Burkina Faso, com quem perderam (1-0) e (0-3), respectivamente, em Libreville e em Luanda.

A isso acresce-se o facto de até ao momento a estrutura administrativa da federação angolana da modalidade ainda não ter conseguido, junto da FIFA, a autorização para que os atletas Dolimenga e Vetokelle, que entram nas contas de Romeu Filemon, possam jogar.

A comissão da FIFA, encarregue de assuntos desta natureza, não funciona a tempo inteiro, pelo que, em nossa opinião, a FAF podia ter começado a tratar do assunto quando os atletas se mostraram disponíveis em representar a Selecção Nacional, facto que aconteceu quando uma comitiva sua efectuou um périplo por alguns países da Europa, cerca de dois meses antes da primeira convocatória de Romeu Filemon.

Depois de ter perdido os dois primeiros jogos, a Selecção Nacional, lanterna vermelha do grupo C, sem qualquer ponto, vai-se fazer valer de todos os argumentos. O seleccionador nacional levou a equipa para um micro-estágio na África do Sul (país onde o Lesoto está encravado), de três dias, com vista à ambientação à altitude e ao piso de relva sintética do estádio em que vai ocorrer o jogo, o que espelha a importância que os angolanos concedem a essa dupla jornada, onde tudo vão fazer para arrecadarem os seis pontos e acalentarem esperanças na qualificação a maior montra do futebol continental.

Isso infere que os “crocodilos”, designação pela qual é apelidada a selecção do Lesoto, também vão jogar o tudo ou nada, pelo facto de a colheita da empreitada influenciar na continuidade ou não na luta pela qualificação, uma vez que possuem apenas um ponto, fruto do empate a um golo, na jornada anterior, frente aos gaboneses.

Para que os angolanos alcancem o apuramento, 1º ou 2º do grupo, é necessário que vençam esses dois jogos, e esperar por um possível deslize de qualquer um dos líderes do grupo, os burkinabes e gaboneses, que nesta dupla jornada se defrontam entre si. Como é natural, os comandados de Romeu Filemon, vão suar as “estopinhas”, para tentar evitar resultados negativos, o que, a não acontecer, pode significar um adeus definitivo à em Marrocos.

Ao encontro do seu primeiro triunfo na competição, os Palancas Negras dispõem de argumentos para criar embaraços aos “crocodilos”, que utilizam preferencialmente o sistema de 4X4X2, quer em Maseru quer em Luanda. É certo que os dois conjuntos apostam muito na dupla jornada em causa, pelo que um possível triunfo dos angolanos poderá contribuir para o resgate das doses de confiança e da auto-estima, o que lhes permite encarar os jogos seguintes com alguma tranquilidade, principalmente o que vai acontecer em território angolano, diante dos gaboneses.

A atravessarem um momento conturbado, em função dos seus desenvolvimentos recentes, os Palancas Negras necessitam de uma lufada de ar fresco, que pode surgir de um possível triunfo, na sexta-feira, com o Lesoto.
LEONEL LIBÓRIO

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