Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A sobrevivncia do futebol

11 de Março, 2019
O Atlético Sport Aviação (ASA) e o Progresso do Sambizanga são hoje os cartazes da crise financeira, que assola o futebol nacional. Por muitos anos têm sido as equipas das \"províncias\". Falta muito pouco para atingir os big tree.
Ou seja, 1ºde Agosto, Petro de Luanda e o Interclube. Talvez só por essa altura é que os senhores do futebol irão sentar, para colocar fim à gestão actual do futebol. Um modelo construído na base de uma economia que o País já abandonou em 1991.Muitos clubes nasceram da necessidade das empresas ou sectores afins, oferecerem aos seus trabalhadores recreação. Os capitalistas traduzem isso em responsabilidade social das empresas. Mas o futebol que se pratica há duas décadas, mais anos menos anos, deixou de ser de recreação, é profissional, e com potencial para gerar milhões.
Ou como se diz em Marketing, há um mercado à espera de consumir um produto com valor, de qualidade. Há pessoas dispostas em investir conhecimento, para virar da cabeça aos pés o actual quadro.
Falta, no entanto, outra parte com quem dialogar. Grande parte dos dirigentes aprenderam apenas a gerir o dinheiro alheio. Aquele que lhes é colocado em mãos pelas empresas ou instituições patrocinadoras. Talvez isso explica à falta de vontade, para modernizar o futebol e a sua gestão. Fazer dos clubes empresas com lucros. E cada vez mais, o País exporta dinheiro, por menor que seja.
Quando alguns adeptos compram camisolas de um clube estrangeiro por cem dólares ou mais, e não o fazem em relação aos clubes nacionais de que são adeptos, é um dinheiro que se desperdiça.. Este é um dos cem exemplos. Disso resulta uma conclusão. O futebol precisa de um plano marshal.
O futebol é um grande empregador. Gera milhares de empregos. É um sector que pode oferecer muitas receitas para os cofres do Estado.
Não se pode crer que só os outros é que podem.
O que eles fazem diferente é o profissionalismo. Há argumentos de que o futebol e a sua qualidade dependem do desenvolvimento do país. Em parte sim.
Mas temos igualmente fartos exemplos de o futebol ter se adiantado ou ser pretexto, para chamar infra-estruturas como hotéis, estradas, transportes públicos e outros. Não foi o futebol que suscitou o boom de hotéis que o País conheceu? Não foi o futebol que precipitou a conclusão da via expressa? Não foi o futebol que permitiu ao município da Catumbela beneficiar de um aeroporto? Podíamos mais. Portanto, se o futebol fizer a sua parte, pode trazer consigo outros investimento. De outro modo, a principal competição do futebol nacional um dia pode acabar com metade de equipas. É inexplicável que se adie a liga eternamente. É um entrave ao desenvolvimento da modalidade.Teixeira Cândido


Últimas Opinies

  • 07 de Abril, 2021

    Ida ao Mundial marcou o futebol

    Em 2018, a nossa selecção de futebol adaptado trouxe-nos o primeiro troféu de cariz Mundial, ao vencer o campeonato do Mundo.

    Ler mais »

  • 07 de Abril, 2021

    Ganhos que podem ir ao ralo

    A circulação de pessoas e bens, apesar das dificuldades das estradas, faz-se com segurança.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um toque ao desenvolvimento

    O país comemorou ontem mais um ano de paz. Foi a 4 de Abril de 2002 que a Nação angolana presenciou a cerimónia que marcou o fim de um período de guerra que deixou inúmeras cicatrizes.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Os ganhos da nossa vaidade

    Ao assinalarmos 19 anos, desde que o país começou a desfrutar do alívio que só a paz proporciona, não há como não reconhecer os ganhos havidos no sector desportivo neste lapso de tempo.

    Ler mais »

  • 05 de Abril, 2021

    Um retrocesso em alguns casos

    O desporto foi o grande embaixador do país, algumas modalidades assumiram-se como verdadeiros porta-estandartes, dado os feitos protagonizados por algumas selecções nacionais.

    Ler mais »

Ver todas »