Jornal dos Desportos

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Opinio

A sorte dos nossos "embaixadores"

09 de Janeiro, 2020
À entrada da 4ª jornada da Liga dos Campeões da CAF 2019/2020, os nossos representantes, o Petro de Luanda e 1º de Agosto, ocupam a última posição dos seus respectivos grupos. Em três jogos disputados, os pupilos de Toni Cosano, somaram apenas um ponto, tendo marcado dois golos e sofrido sete.
Os militares de Dragan Jovic, somam dois pontos em três jogos, marcaram dois golos e sofreram quatro. Os dois pontos dos agostinos, foram conquistados em casa diante do Zesco United da Zâmbia e do TP Mazembe da República Democrática do Congo, com empates a uma bola. Portanto em nove pontos possíveis perderam sete.
Já os petrolíferos, conseguiram o seu “pontito” em casa diante do USM da Argélia e foram derrotados fora do seu reduto pelo Mamelodi Sundawns por 3-0 e pelo Wydad de Marrocos por 4-1, perdendo oito dos nove pontos possíveis.
Em função deste quadro a questão é: o que se pode esperar dos nossos representantes nesta importante competição? Para respondermos com firmeza a esta questão, temos de analisar com realismo o calendário ou os jogos que ambos os emblemas terão de realizar, neste segundo turno da prova.
O Petro de Luanda, terá dois jogos em casa, com o Wydad de Casablanca, segundo classificado do grupo com 5 pontos e o Mamelodi Sundawns, que lidera o grupo C, com sete. O Petro, mesmo jogando em casa com estes dois adversários, terá muitas dificuldades de vencê-los em função da grandeza de ambos.
Não é novidade para ninguém que em termos de Ranking, orçamento, plantel e outros activos imperiosos para o sucesso nestas andanças, o nosso Petro está muito distante dos dois clubes acima mencionados. Além do mais, aos petrolíferos, a esta altura, interessa-lhes mais o Girabola. Pois não terão “combustível” suficiente para as duas empreitadas.De certeza absoluta que para o Petro e a sua massa associativa, em função da sua situação ou posição na Liga dos Campeões da CAF, é melhor concentrar-se para conquistar o Girabola. Aliás, tendo em atenção o jejum de títulos a que estão submetidos há cerca de dez anos, a conquista do campeonato, este ano, tem muito mais importância do que lutar ingloriamente na Liga dos Campeões.
O 1º de Agosto está praticamente nas mesmas condições que o Petro. Terá de visitar o TP Mazembe e o Zesco, com quem empataram na primeira volta em casa. Pelo futebol que tem apresentado até agora, não acredito que consiga vencer os seus adversários em casa destes. Mesmo que empate os dois jogos fora e vença o Zamalek em Luanda, o que lhe permitiria somar sete pontos, a qualificação dependeria dos resultados do Zamalek. Em minha opinião, a conquista do penta campeonato deve ser mais importante para os militares.
Os egípcios recepcionam, na quarta jornada, o Zesco United, e de certeza absoluta que vencerão o jogo, pois sabemos que as equipas do norte de África, não “brincam em serviço” em situações do género, pois recorrem a todos os meios legais ou ilegais, para vencerem os jogos em sua casa, sob o olhar silencioso das autoridades desportivas.
Na 5ª jornada, o Zamalek, recebe o TP Mazembe, que obrigatoriamente terá de vencer o 1º de Agosto, no dia 11 do corrente, para jogar um pouco folgado no Egipto. Uma eventual derrota dos congoleses democráticos diante dos militares, obrigá-los-ia a viajar para o Egipto, para, no mínimo, não perderem e vencer o Zesco, na última jornada, o que lhes permitiria somar 11 pontos.
Mesmo que o Zamalek, na última jornada, vença o 1º de Agosto, em Luanda, terminaria também com 11 pontos na segunda posição, por ter perdido em Lubumbashi, na primeira volta por 3- 0. Assim, passariam para a segunda fase o TP Mazembe e o Zamalek do Egipto. Na realidade, estes os dois clubes são os mais fortes do grupo e sérios candidatos a passagem a outra fase.
Portanto, se a lógica funcionar, (em África dificilmente falha), os nossos representantes jogarão apenas para a defesa da honra ou para justificarem a sua presença nesta fase da mais alta roda do futebol Africano a nível de clubes. Não nos esqueçamos que nesta primeira fase, estão as 16 melhores equipas de África!
Assim sendo, está a vista mais um fracasso do nosso futebol a nível de África. Mas como no futebol tudo é possível, ainda podemos sonhar, mesmo que acordados. Afinal de contas sonhar não é proibido. O mais importante é manter o nosso futebol nestas andanças com regularidade.
AGUSTO FERNANDES


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