Jornal dos Desportos

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Opinio

A sorte nas Afrotaas e o lendrio camisola 7

01 de Dezembro, 2018
As equipas do 1º de Agosto e Petro de Luanda, os dois embaixadores angolanos nas Afrotaças, começaram da melhor maneira possível a sua campanha nas duas principais competições de clubes sob a êgide de Confederação Africana de Futebol (CAF).
Os tricolores do “eixo-viário”, os primeiros a entrar em acção, começaram a sua odisseia na Taça da Confederação com goleada de 4-0 sobre o Orapa United FC do Botswana, algo que à partida lhes dá muita tranquilidade na deslocação à Francistown.
É verdade, no duelo da segunda “mão” da primeira eliminatória da Taça da Confederação, a equipa petrolífera vai ao estádio de Itekeng obviamente para carimbar a sua qualificação para a próxima etapa, onde poderá cruzar com o vencedor da preliminar entre o Al Ahly Shandi do Sudão e o AS Nyuki do Congo-Democrático.
Só mesmo uma hecatombe poderá tirar o Petro da eventual qualificação à segunda eliminatória desta prova que dá acesso à Taça “Nelson Mandela”.
A margem confortável de golos da equipa orientada por Beto Bianchi na primeira “mão”, no Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, começou a ser construída com um golo de Job, ao que se seguiu um outro de Vá e o resplendor do brasileiro Tony, que saído do banco bisou na partida. E marcar golos sem sofrer pode coroar ainda muito mais a formação tricolor nessa primeira eliminatória.
Por essa razão, na sua deslocação à segunda maior cidade do Botswana, muitas vezes descrita como a “Capital do Norte” e que se situa a cerca de 400 quilómetros de Gaberone, o Petro vai mais em passeio turística. E digo isso por a turma do Catetão está com um pé na próxima etapa da Taça da confederação.
E de uma coisa estou convicto: na presente edição da segunda maior prova de clubes da CAF a equipa de Beto Bianchi vai procurar fazer melhor figura do que na anterior, onde caiu aos pés do SuperSport United da África do Sul na segunda eliminatória.
Na edição passada, o Petro começou curiosamente a sua campanha com uma goleada de 5-0, em casa, sobre o Masters Security do Malawi e depois foi ao reduto deste mesmo adversário impor um rigoroso empate nulo. Foi uma margem tão confortável que lhe permitiu ir à casa do adversário na segunda “mão” totalmente relaxado.
No entanto, apesar da veia goleadora demonstrada na primeira eliminatória da edição número 15 de Taça da Confederação, fruto dos golos dos brasileiros Tiago Azulão, Diney e Tony, que na altura fez um hat-trick, ainda assim não teve pernas suficientes para aniquilar o SuperSport, fruto do nulo em Luanda e derrota de 1-2 na África do Sul.
Por outro lado, os arqui-rivais dos tricolores, os militares, fizeram uma excelente campanha na edição passada da Liga dos Clubes Campeões continente.
A equipa do “rio seco” esteve muito perto da final inédita da “Champion League”, não fosse a vergonha arbitragem do zambiano Janny Sikazwe no duelo com o Esperance de Túnis, em solo-pátrio tunisino, nas meias-finais.
O D’Agosto teve, ainda, o privilégio de afastar o Todo-Poderoso Mazembe da República Democrático do Congo (RDC) nos “quartos”, em pleno estádio do Lubumbashi, neste país vizinho. E os jogos nesta parcela do território congolês-democrata são caracterizados por um ambiente infernal. Não obstante isso, a equipa do “rio seco” conseguiu fazer história neste mesmo palco de Lubumbashi.
Quarta-feira última, na sua estreia da presente edição da maior prova de clubes da CAF, os militares do “rio seco”, depois de uma desvantagem de 0-2 frente ao AS Otôho do Congo Brazzaville, em pleno 11 de Novembro, conseguiram dar a volta ao texto com os golos de Mongo, Jacques e do profícuo Geraldo, que bisou na partida. Por isso, o D\'Agosto vai ao vizinho país do Congo-Brazzaville provar que o ascendente e consequente reviravolta no 11 de Novembro não foram obras de mero acaso.
Porém, caso transponha essa primeira barreira na segunda eliminatória os militares podem cruzar com o CNAPS FC do Madagáscar ou com o FC Platinium do Zimbabwe.
E por falar do clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA), tal como sugeriu o meu companheiro dessa coluna, o Morais Canâmua, aproveitamos a falar de Ndungidi Daniel, o lendário camisola 7 do emblema militar e da Selecção Nacional, que foi comentado nos últimos dias em alguns círculos como estando gravemente doente. O ex-craque veio a público desmentir os rumores sobre o seu estado de saúde, realçando que está bem, “graças a Deus”. Ndungidi admitiu sim, sofrer de diabetes, uma doença terrível que mata silenciosamente, mas que todavia tem a glicemia controlada.
A antiga glória lamentou a falsa informação passada em alguns círculos, que chegou a inquietar os seus familiares, sem deixar de lembrar, contudo, a forte ligação que tem com o emblema do “rio seco”. “Eu sou o 1º de Agosto. Não sou do 1º de Agosto”, profetizou numa entrevista à Rádio Cinco, retomada depois pelo ao Jornal de Angola o ex-camisola 7 agostino e dos Palancas Negras, que teve ainda passagens por clubes como Benfica, FC Luanda e Petro, onde colocou as chuteiras no estaleiro.
Sérgio V.Dias


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