Jornal dos Desportos

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Opinio

A sugesto do ministro

28 de Fevereiro, 2017
Na sequência da prematura eliminação do Clube Desportivo 1º de Agosto, da Taça Africana dos Clubes Campeões, em Futebol, o ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, sugeriu a necessidade de se rever o calendário de disputa do Girabola, extensivo às outras modalidades.

No epicentro do discurso, do número um do órgão encarregado de preparar e gerir a política desportiva angolana, é notável a preocupação do insucesso que as equipas angolanas coleccionam, de um tempo à esta parte, neste particular das competições fora de portas.

De pronto, as reacções não se fizeram esperar, e como que numa planificada romaria, um pouco por todos os cantos e recantos da nação desportiva que temos como pertença colectiva e que se chama Angola, os agentes desportivos pronunciaram-se sobre o assunto, e naturalmente, com opiniões divergentes.

Delas, destacam-se duas correntes, com tendência maioritária para a que corrobora com o pensamento do douto titular da pasta governamental responsável pelo pelouro da juventude e desportos, que recorde-se, é pela alteração do período de disputa da competição interna.

Até aí, tudo bem, e é de louvar a pronta preocupação e intervenção da mais alta entidade desportiva do executivo angolano, mas a questão não pode ser vista só por esse prisma, existe em nossa opinião outras questões a considerar neste processo, que o fundamental é o alcance de melhores resultados nas competições internacionais.

Compreende-se, do parágrafo precedente, que a nossa visão não é de todo concordante com a mudança de datas, por não ser o único factor responsável pelo fracassos das equipas angolanas na competições continental, ou seja, é apenas um dos factores, e não sabemos se o mais importante!

Fundamentamos, em parte, a nossa opinião, com o facto de ser com o mesmo calendário de provas internas que o futebol angolano conseguiu o que consideramos \"melhores resultados da sua história\", dos quais perfilam a presença no mundial de futebol na Alemanha, em 2006, antecedida da conquista do africano, em sub 20, em 2001.

Ademais, a nível de clubes, lembra-nos a memória, salvo os equívocos, que as equipas do 1º de Agosto, Petro de Luanda e Inter Clube, lograram boas campanhas nas taças africanas, em que chegaram inclusive à final, com o calendário de provas internas quase que na mesma fase, salvaguardando este ou aquele reajuste que não é de todo significante, na perspectiva da abordagem.

Então, nesta linha de pensamento, a primeira questão que se coloca e não pode passar despercebida, é se existe e quais os outros factores culpados do fracasso anunciado das equipas angolanas nas Afrotaças, em que não atingem as fases finais?

Claro, que a resposta é afirmativa, fundamentada com os elementos que abaixo se segue, e que devem ser entendidos apenas como a nossa visão, de uma questão que permite o contraditório, no sentido de que, colectivamente, nós prestamos à colaboração pretendida para solução dos problemas que enfermam o futebol angolano, que já teve tempos melhores.

E, uma das questões tem a ver com a necessidade de padronização do trabalho realizado no futebol angolano, de um modo geral, com vista a estabelecer-se uma matriz que sirva de referência ao futebol angolano, e pensamos que para além de não existir, salvo a nossa falta de informação, deve ser uma tarefa nacional.

Por outro lado, e é pena não termos espaço para escalpelizar todos os aspectos que \"negativizam\" o momento actual do futebol angolano, é importante perceber-se que a gestão desportiva, hoje por hoje, é uma ciência que reprova a teoria de que ser ex- praticante, seja elemento bastante e exclusivo para catapultar alguém à dirigente desportivo, que diga-se em boa verdade, também é um dos elos fracos do futebol angolano. Carlos Calongo

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