Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A suspenso de Agostinho Tramagal

05 de Abril, 2018
O castigo que o conselho de disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF) aplicou a Agostinho Tramagal, treinador principal do clube 1º de Maio de Benguela, tem estado a dividir a opinião da família do futebol angolano.

Segundo algumas fontes credíveis, a suspensão deveu-se ao fato de Tramagal ter empurrado um dos fiscais de linha e ter dirigido alguns impropérios contra o comissário de jogo, no desafio que a sua equipa disputou no Lubango contra o Desportivo local a contar para a 6ª Jornada do Girabola.

Em função desta atitude, o conselho de disciplina suspendeu o referido treinador por um ano e terá de pagar cerca de dois milhões de kwanzas de multa! A ser verdade, Agostinho Tramagal passou dos limites e por isso foi disciplinado.

Entretanto, ao aplicar a suspensão ou o castigo, em minha modesta opinião, e com todo o respeito que devo às pessoas que julgaram o caso, a FAF foi muito dura tendo em mente os motivos da suspensão.

Além disso, a FAF desconsiderou o facto de que uma pessoa não pode ser condenada sem ser ouvida. Por outro lado, um castigo deve ser proporcional ao erro cometido, assim como não é justo que um individuo pague o preço de um camião por ter danificado um turismo.

Outro aspecto que a FAF despercebeu é que quando se trata de justiça não deve haver excessos mas espera-se que os que julgam o façam com moderação tendo em mente o contexto em que a transgressão foi cometida.

Por exemplo: não se aplica a mesma disciplina a alguém que tenha atropelado mortalmente uma pessoa com relação aquela que tenha morto alguém de forma premeditada. A atitude do treinador em referência, embora diga-se de passagem ele seja uma pessoa temperamental quando dirige as suas equipas, foi feita a quente, em função de algum momento do jogo em que ele achou que foi injustiçado pela arbitragem…

Este pormenor deve ser tido em conta. Ao suspender o técnico por um ano e com a pesada multa de dois milhões de Kwanzas, a FAF praticamente abriu caminho para que o homem caia no desemprego pois, dificilmente a sua entidade empregadora ficará à espera até que o castigo termine.

Um ano de suspensão significa não orientar o seu clube a partir do banco como é normal até ao fim da época que este ano termina em Agosto segundo a programação da FAF. Não nos esqueçamos que o técnico tem família que dele depende para que não lhes falte o pão à mesa.

Portanto, embora a atitude de Tramagal, seja da todos os modos reprovável será que justifica-se coloca-lo numa situação que o pode levar ao desemprego com consequência sincalculáveis para a sua família especialmente para os mais pequenos que poderão ver-se privados de propinas pagas e consequentemente perca do ano lectivo?

Não há como justificar a atitude de Agostinho Tramagal. Mas a justiça deve ser aplicada com o objectivo de fazer o homem cair em si e não com a intenção de derrubá-lo. A história já nos ensinou que cada um colhe o que semeia.

Isto significa dizer que seremos tratados da mesma forma que tratarmos os outros. Neste caso, não há motivos de tanta rigidez, de tanta dureza. Quantas foram as vezes que muitos dirigentes desportivos e não só cometeram erros que resultaram em graves prejuízos para muitos mas foram perdoados porque levou-se em conta as circunstâncias ou o contexto em que o erro foi cometido?

Será que os homens que compõe o Conselho de Disciplina da FAF não estão sujeitos a erros? No caso em referência, o homem foi impelido pela interpretação certa ou errada que fez de algum lance que o tenha prejudicado.

Conhecemos vários casos que por um erro da arbitragem algumas equipas até perderam ou ganharam Campeonatos do Mundo como foi caso do célebre golo que Diego Armando Maradona marcou com a mão no Mundial de 1986 no México.

Assim sendo, creio que FAF pode rever a situação do treinador Agostinho Tramagal, por suavizar um pouco o seu castigo mesmo sem que o clube ou o treinador recorra por ter sido castigado sem ter sido ouvido.

É verdade que as leis foram feitas para serem aplicadas e cumpridas. Mas elas, as leis, também devem ser temperadas com misericórdia. Um acto de misericórdia pode até ser mais eficaz para disciplinar alguém.

Para terminar, quero fazer lembrar aos treinadores o seguinte: Nunca se esqueça que você treinador tem uma grande responsabilidade diante dos seus jogadores e da sociedade. Por isso, faça o máximo para seres não só um bom técnico mas um grande exemplo para os seus jogadores pautando por atitudes nobres dignas de serem imitadas!
Augusto Fernandes

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