Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A tentativa para o indito

20 de Outubro, 2018
Restam pouco mais de três dias, para a tentativa da equipa do 1º de Agosto, atingir o feito inédito do seu historial: chegar a uma final da maior prova de clubes do continente, apelidada de Liga dos Clubes Campeões Africanos.
E o adversário, para esta empreitada, não é nenhuma pêra - doce e nem tão pouco um atónico desconhecido do emblema militar, pois além de já o ter defrontado na caminhado para “Champions League”, há 21 anos, quis o acaso do destino que, mais uma vez, cruzasse o seu caminho. É um Esperance de Túnis cheio de atitude. É verdade.
Este é um aspecto que caracteriza as equipas do Magreb, ou seja do Norte de África. É um emblema oriundo da Tunísia, que o campeão em título angolano conseguiu vencer no jogo da primeira “mão” das meias-finais desta “Champions League”, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda.
A vitória de 1-0, na primeira “mão”, ainda que magra, serviu para abrir uma vantagem do embaixador angolano nas Afrotaças, sobre a turma tunisina do Esperance. O técnico Zoran Maki e pupilos têm consciência, que não será fácil a missão de Túnis.
Pelo contrário, os jogadores do 1º de Agosto têm de se mostrar ousados, destemidos e não conceder quaisquer facilidades aos tunisinos, que, apesar de jogarem em casa e diante do seu público, não são imbatíveis. Os militares têm que provar que são capazes.
E ser capazes, pressupõe impor-se perante este Esperance de Túnis, no jogo da próxima terça-feira. A equipa do “rio seco” tem de procurar demonstrar a mesma eficiência, que teve nos demais jogos desta corrida à final da “Champions League”, particularmente como aconteceu frente ao Tout-Puissant Mazembe do Congo-Democrático. Frente ao conjunto congolês, por sinal dos clubes mais titulados do continente, com cinco troféus arrebatados e só superado nas contas pelo Al Ahly do Egipto, que soma cinco, o D’Agosto foi irrepreensível.
Nos quartos de final desta mais importante competição de clubes da Confederação Africana de Futebol (CAF) o D\'Agosto eliminou a turma congolesa-democrática, graças ao empate nulo em Luanda e outro a um tento no ambiente infernal de Lubumbashi.
Os números, embora escassos, foram suficientes para que o campeão angolano lograsse a qualificação para estas meias-finais, em que já leva uma vantagem de 1-0 sobre o Esperance de Túnis. E na Tunísia, tal e qual como foi em Lubumbashi, adivinha-se igualmente um ambiente infernal, para o 1º de Agosto.
Porém, o clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA) só precisa de um empate ou, no mínimo, perder tangencialmente, mas desde que faça golos. Por exemplo, derrotas por 1-2, 2-3, 3-4 e por ai além, servem para as encomendas do D’Agosto nesta deslocação à capital tunisina.
É importante lembrar que, nesta caminhada das Afrotaças, o D’Agosto começou por afastar, na primeira eliminatória, o FC Platinum do Zimbabwe, com duplo triunfo de 3-0 e 2-1, no agregado das duas “mãos”, em Luanda e Harare, respectivamente.
Já na segunda eliminatória, afastou o Bidwest Wits da África do Sul, vencendo em casa por 1-0 e, na deslocação ao reduto do adversário, perdeu pelo mesmo score, havendo a necessidade de se recorrer à lotaria das grandes penalidades, onde triunfou por 3-2.
O afastamento da equipa sul-africana, permitiu o acesso à fase de grupos. Nesta etapa competiu no Grupo D da “Champions League”, ao lado do Étoile du Sahel da Tunísia, que também se qualificou para os “quartos”, bem como do Zesco United da Zâmbia e Mbabane Swallows do eSwatini (ex-Swazilândia), que não tiveram a mesma sorte.
E por tudo quanto fez, até chegar esta fase da Liga dos Clubes Campeões Africanos, não é de estranhar que o 1º de Agosto volte a surpreender no continente, com uma atitude irrepreensível. O Esperance, embora se lhe apresente com um adversário difícil, ainda assim não se afigura imbatível. Recomenda-se, por isso, grande atitude ao D’Agosto.
E se o embaixador angolano chegar, pelo menos, a um golo, obrigará a equipa do Esperance a marcar, no mínimo, mais dois para resolver a eliminatória a seu favor. Porém, o que tem sido também característico na equipa do “rio seco”, é o facto de sofrer poucos golos. E se essa lógica se manter, será possível surpreender África, mais uma vez, frente a esta equipa do Esperance, em sua própria casa.
Temos de acreditar na capacidade dos campeões nacionais, que viraram o orgulho da Nação. Isso é inequívoco e não qualquer margem para dúvida. Contudo, o 1º de Agosto tem de se precaver das possíveis jogadas de bastidores do adversário, algo característico no futebol africano e muito particularmente nas equipas da zona do Magreb.
E aqui, aproveito parafrasear o que disse o Morais Canâmua, em relação ao árbitro senegalês Maguete Ndiaye, que dirigiu o jogo da primeira “mão” disputado no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, no início deste mês. De forma sorrateira e utilizando truques sub-reptícios, o juiz da partida tentou, por diversas maneiras, prejudicar a equipa angolana, como disse o meu companheiro desta coluna. Mas, ainda assim, acredito que o D\'Agosto terá capacidade, no próximo dia 23, em Túnis, para superar situações análogas. Agora, resta esperarmos por este segundo jogo com o Esperance, que pode ditar a passagem do nosso embaixador à final e bem haja...
Sérgio V. Dias

Últimas Opinies

  • 21 de Setembro, 2019

    Craques que buscam afirmao alm-fronteiras

    É por demais sabido, que a história do futebol angolano regista o nome de ex-jogadores, que ajudaram a elevar o nome do país além-fronteiras.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Talentos angolanos ofuscados na dispora (?)

    Hoje, neste espaço assinado “A duas mãos”, concordamos escrever sobre um assunto de suma importância e que merece a nossa atenção, até porque, sem desprimor para outros, as questões sobre os futebolistas angolanos que actuam na diáspora, com particular destaque para os novos talentos que têm, nos últimos tempos, preenchido largos espaços na média desportiva e não só.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Os adversários são bons, os grupos são fortes e têm boas selecções.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Crise petrolfera

    Há maus ventos no Petro Atlético de Luanda

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Futebol nacional deve ser revolucionado? (II)

    A semana precedente fechei o texto com o seguinte argumento: “A meu ver, já não se pode gastar dinheiro em vão com o futebol.

    Ler mais »

Ver todas »