Jornal dos Desportos

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Opinio

A \"velha\" maka da corrupo (I)

03 de Agosto, 2017
A corrupção é um fenómeno tão antigo na humanidade, que pode ser considerado como um mal necessário, entre aspas. Sim, este mal existe em todas as áreas da sociedade. Uma das áreas onde mais se fala de corrupção, é na política e no desporto. Entretanto, a história indica claramente que ela existe, até mesmo em instituições de alta credibilidade e confiança, como na Religião.

Mas o que é corrupção? O significado desta palavra depende muito do contexto. Mas neste contexto em que se baseia o tema deste artigo, certo dicionário define-a como o efeito ou acto de induzir ou influenciar alguém a agir em nosso favor, com a finalidade de obter vantagens, em relação a outros.

Que existe corrupção no mundo do desporto, não é novidade para ninguém, pois conhecemos centenas (ou mesmo milhares) de casos a nível do Mundo, que confirmam isto, como por exemplo, o caso apito Dourado em Portugal, a prisão de Angel Maria Vilar, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol(RFEF) e vice presidente da FIFA.

Um grande exemplo de corrupção foi o processo que levou a retirada do título de campeão nacional, e consequente despromoção para a 2ª divisão do Olimpique de Marselha, em 1993, na altura liderado por Bernard Tapie, com jogadores como Jorge Burruchaga, Deschamps, Barthez, Jean Pierre Papan e outros.

Entretanto, em Angola fala-se muito de corrupção e nada é feito. Nunca, ninguém foi detido, ou provou as acusações que fez. A única pessoa que teve a coragem de dizer e provar que existe corrupção, a começar por ele mesmo, foi o jovem Horácio Mosquito. A verdade, porém, é que depois do rapaz mostrar-se disposto de abrir o jogo, “as luzes” da justiça apagaram-se, assim como acontece quando nos é tirada a energia.

Até hoje, não se faa do caso. No dia 30.07.2017, o categorizado treinador angolano Zeca Amaral, do Onze Bravos do Maquis, afirmou publicamente que encontraram os árbitros auxiliares do jogo em que a sua equipa perdeu para o 1º de Agosto por 1-0, a receberem dinheiro. O treinador afirmou que houve duas tentativas, a primeira foi nas bombas de gasolina da Pumangol, e a segunda, numa outra bomba, no caso, da Sonangol.

Embora, seja uma informação sem muito peso jurídico, em minha opinião, porque ele não disse exactamente quem foi o elemento que entregou o dinheiro, e se de facto é alguém ligado ao 1º de Agosto, a verdade é que o homem deve ter motivos para assim pensar, a julgar pelo tempo em que anda no Girabola e conhecer bem os seus meandros.

Resta agora, às pessoas de direito, investigarem a fundo o caso, para ver se de facto existiu ou não acção que induzisse os fiscais de linha a favorecerem os militares, na sua vitória diante dos Maquizardes. É interessante que nos últimos tempos sugem muitas acusações ou suspeições de corrupção de homens do apito, nos jogos que envolvem o clube 1º de Agosto.

Foi assim, no jogo com o Progresso da Lunda -Sul, diante do Académica do Lobito, onde os militares empataram 1-1, e agora, diante do Bravos do Maquis. Nem o facto dos militares serem uma das equipas que melhor futebol e jogadores têm no referido campeonato, têm-nos poupado de serem acusados de grandes “matocheiros”.

Será que enquanto a fase de se pôr sal na gasosa, não entrar em funcionamento, vamos continuar a ouvir muitas acusações ou denúncias de corrupção no futebol, como se de uma música normal se tratasse? Temos de ter em mente, que uma acusação de corrupção quer seja activa ou passiva, é um assunto muito grave, porque no caso em questão, fere à verdade desportiva e à imagem das partes acusadas.

As afirmações de Zeca Amaral, à priori, indicam que o 1º de Agosto pagou aos árbitros para vencer o jogo. Este tipo de informação ou denuncia é muito séria, e não deve ficar na desportiva, tanto pelos acusados e muito menos pelos órgãos que respondem pela área jurídica da FAF.

Não prestar atenção ou não levar à sério este tipo de denuncia, significa que a família do futebol e os órgãos judiciais concordam plenamente que seja assim, e que a corrupção faz parte do desporto. Se realmente a corrupção não faz parte do desporto, então todos os envolvidos, os acusados e o acusador devem estar dispostos a ir atrás da verdade, como aconteceu no caso que envolveu o clube francês do Olimpique de Marselha, que veremos na segunda parte deste artigo. Até à próxima semana.
AUGUSTO FERNANDES

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