Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A velha questo das infra-estruturas

25 de Janeiro, 2020
Hoje nos propusemos, mais uma vez, a fazer uma abordagem sobre um assunto sinuoso e complexo neste espaço opinião “A duas mãos”, como é o que representa o “modus-operandi” em relação a gestão das nossas infra-estruturas desportivas.
Na verdade, qualquer abordagem em torno desta velha questão encerra grande complexidade, uma vez que a herança que nos foi legada nesta vertente, desde a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, deixa muito a desejar.
Com efeito, temos que reconhecer que o Executivo angolano empreendeu, nos últimos anos, um grande esforço para recuperação de muitas infra-estruturas e do mesmo modo apostou na edificação de muitas outras, para impulsionar a prática desportiva nas mais variadas modalidades. E nesse quesito foram aplicados milhões e milhões de dólares.
A aposta do Governo incidiu sobretudo em estádios de futebol, desde os mais modernos, a pavilhões multiusos para as diferentes modalidades como o basquetebol, andebol, hóquei em patins e outras que, por sinal, vêm dando passos rumo a expansão. Por exemplo, no caso particular do futebol, testemunhou-se no curso de 2009 a construção de quatro imponentes estádios nas províncias de Luanda, Benguela, Huíla e Cabinda, respectivamente, no âmbito da organização do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2010, que o país albergou.
O que é facto, apesar do grande investimento feito nesse sentido, volvidos dez anos tais recintos, como já se disse em “ene” ocasiões, não tiveram a serventia que deveriam ter.
O Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, capital do país, e o do Ombaka, em Benguela, acabam por ser as grandes excepções nesse quesito, já que de forma amiúde vão acolhendo jogos de futebol. Os outros dois estádios erguidos nas terras da Mulher Mumuíla (Tundavala) e da imponente floresta do Mayombe (Chiazi), estão hoje transformados em reservas de caça, sem caçadores. Portanto, não tem tido o aproveitamento que deveriam ter no que toca, sobretudo, ao apoio da modalidade-rainha e isto ante o olhar impávido das autoridades.
No entanto, passados mais de dez anos da edificação destes recintos, muitas vozes se levantam, receando que os mesmos representam hoje por hoje autênticos “elefantes brancos” e daí a defesa da ideia de que ambos merecem um melhor aproveitamento.
Apregoa-se, por outro lado, que a gestão danosa de alguns desses recintos levou à sua degradação acelerada, com mais intensidade no Estádio da Tundavala, no Lubango, e do Chiazi, em Cabinda, que pouco tempo após a disputa do CAN de 2010, encerraram as suas portas e viu-se o acentuar da degradação dos mesmos que se verifica até hoje.
Contudo, surgiu ao longo do ano transacto a boa nova de que todos estes recintos passarão a unidades orçamentadas, de tal sorte que a sua manutenção possa ser assegurada com os proventos dessa política que se pretende implementar.
A titular da pasta do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) Ana Paula do Sacramento Neto, chegou afirmar, ao longo destes anos que assume o pelouro, que se trata de “um dossiê preocupante” e que o órgão que dirige está a trabalhar em um modelo de gestão, seguindo-se a realização de concursos públicos.
Por isso mesmo, deixou bem claro que a gestão danosa do património constitui crime, pelo que as pessoas que deixaram a situação arrastar-se até ao estado actual devem, de facto, ser responsabilizadas. E numa altura em que o Governo angolano enceta uma verdadeira cruzada contra a corrupção, impunidades e outros males que durante muitos anos dilaceram o país, é conveniente que se implemente uma séria disciplina no que a gestão das infra-estruturas desportivas diz respeito.
E aqui, o slogan que aponta para “corrigir o que está mal” e “melhorar o que está bem” pode ajudar na efectivação deste processo, para evitar situações menos boas como as que ocorreram ao longo destes anos, em que algumas dezenas de “figuras iluminadas”, que se julgavam donos e senhores de absolutamente tudo, levando o país para o actual estado de coisas e não poupando, inclusive, o desporto, que se vê, igualmente, mergulhado numa situação penosa. Daí, é urgente que se responsabilize os gestores que não seguirem à risca aquele que deve ser o caminho certo para o bem de todos, da Nação e, particularmente, do nosso desporto.
SÉRGIO V.DIAS

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