Jornal dos Desportos

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Opinio

A vez de Gelson

01 de Agosto, 2017
Apesar de Angola estar, por todos os “poros”, a exalar o aroma da campanha política que culminará com as eleições no dia 23 de Agosto, ainda resta espaço e tempo para falarmos de futebol, aliás, o país não vive apenas de eleições, mesmo sabendo-se que tudo ou quase tudo gira em torno delas.

Encravado numa maré de muitos assuntos que merecem atenção, a escolha recai para a vez de Gelson Dala, escolhido para integrar o plantel com que Jorge Jesus, pensa conquistar o título que foge ao Sporting Clube de Portugal, já lá vão 15 anos.

A notícia marcou os vários espaços desportivos da média angolana, apesar de, na minha opinião, não se ter feito o merecido “barulho” para saudar esta que é uma conquista do futebol angolano, e que deve ser capitalizada pela média, a exemplo do que se faz em outras paragens.

Até porque não são todos os dias que jogadores formados em clubes angolanos conseguem um lugar em equipas como o Sporting Clube de Portugal, cuja dimensão transcende a segunda circular da cidade capital de Lisboa, roçando a \"planetariedade\" do desporto Rei diz respeito.

O feito representa, sem margem para dúvidas, uma aposta ganha da direcção do Clube do Rio Seco, por ter percebido que entre a formação e o sucesso existe uma barreira bastante ténue e quem consegue enxergar e trabalhar sobre isso arrisca-se a coleccionar sucesso atrás de sucesso.

Oxalá esta seja uma oportunidade indicativa para outros craques angolanos franquearam as portas de clubes da velha Europa, o que trará, em última instância, ganhos para o futebol angolano, sobretudo a nível da selecção, considerando a reclamação colectiva que já vem de algum tempo, relacionada com a escassez de jogadores a evoluírem em grandes clubes e campeonatos.

A sorte está lançada para o prodígio Gelson Dala, de quem qualidades não faltam para vingar de leão ao peito, sendo necessário todo apoio possível que lhe permitam a estabilidade psico-emocional, que deve acompanhar sempre o jogador de alta competição e não só.

Penso ser justa esta solicitação, até por que sabemos de casos de jogadores que não se afirmaram por ausência deste elemento fundamental no mundo do futebol moderno, aliado à isso outros tantos bloqueios criados à margem da qualidade e talento de jogadores angolanos que aportam outras bandas.

Neste particular, advogo o exercício de uma profícua diplomacia desportiva com vista a apoiar-se o jogador que, por mais forte que seja do ponto de vista da estrutura mental, não está ausente de eventuais desequilíbrios psico-emocionais, motivados por várias razões, sendo um delas a distância da pátria mãe, com tudo que daí possa advir.

Contando que ainda temos a graça de ter entre nós uma das grandes referências, senão mesmo a maior referência angolana que passou pelo clube de Alvalade, no caso Joaquim Dinís, o “Brinca N’areia”, talvez pudesse ser aproveitado e instituído como padrinho de Gelson Dala, com quem deve conversar no sentido de transmitir algum conforto mental para tornar fácil e possível a sua imposição.

Este exercício pode não ficar restrito à Joaquim Dinis, alargando-se a outros craques da história do futebol angolano que tiveram passagem por Portugal, a exemplo de Osvaldo Saturnino de Oliveira, “ Jesus”, Túbias, Carlos Pedro, Jony, só para citar estes, dum universo de muitos.

Quanto aos agentes da comunicação social, e porque esta é a vez de Gelson Dala, gostaria ser gestor de um órgão de comunicação social para orientar aos profissionais a aproveitarem a oportunidade e colocarem sempre em alta o nome do ex-craque do 1º de Agosto nos noticiários desportivos, fosse ele titular ou não, socorrendo-se do princípio da proximidade cujo valor é considerável na transformação do acontecimento em notícia, coisa que os confrades “Tugas” fazem e muito bem, em relação protectora aos seus compatriotas que actuam nos grandes clubes.
CARLOS CALONGO

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