Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

A vitria da resilincia

10 de Novembro, 2018
Mesmo que já se tenha falado imenso do assunto, eu prefiro continuar a falar. Mesmo que se tenham feito já todas as referências em relação ao grandioso feito, eu prefiro continuar a falar e a abordar um a conquista transcendente como a que conseguiu a nossa selecção de futebol para amputados, em Guadalajara, México, na disputa de mais um campeonato do Mundo da categoria.
Nestas mesmas colunas, há alguns dias, aquando da preparação do nosso combinado nacional da categoria, havíamos “profetizado” isso mesmo.
Escrevíamos, então que, uma vez sido vice-campeão mundial em 2014, arriscávamo-nos em sermos, nesta prova, mais do que vice’s. E de facto aconteceu. Angola sagrou-se Campeão Mundial em futebol Adaptado (com muletas).
Um feito relevante que muito nos enche de orgulho. De ser angolano. De sermos o que somos, mesmo com os “prubulema que estamo com ele”.
Hoje, radiantes, meio mundo quer saber onde localizar este país que, depois de uma guerra fratricida de cerca de 40 anos, se predispõe a dizer alto e a bom som, que chegou a hora das conquistas. Chegou a hora de viver a paz. Chegou a hora de crescer, progredir e desenvolver e isso, em todas as vertentes da vida social e, particularmente desportiva.
Ao arrebatar o título no Campeonato do Mundo de Futebol para Amputados de San Juan de Los Lagos, em Guadalajara, México, o combinado nacional da categoria resgatou a mística de inclusão social. Demonstrou que, mesmo com a guerra atroz, mesmo com milhões de mutilados que ela provocou, estes, têm uma vida pela frente, com glória, alegria, satisfação e autoestima.
Aqui, tem lugar a palavra resiliência. Sim, resiliência. Foi o que os nossos bravos rapazes demonstraram ao longo da prova. Para além disso, o espírito do angolano comum: nunca virar cara à luta.
Por mais dura que ela seja, tem de merecer sempre uma resposta vigorosa, confiante e sobretudo com crença de que atrás do sacrifício, vem sempre o benefício. A sorte sempre protegeu os audazes.
Por isso, não foi em vão que conquistamos a Taça Mundial e outras tantas distinções como por exemplo, o de melhor jogador da prova. Foi realmente com bastante estoicismo que estes filhos da nossa pátria, muitos dos quais ontem, num passado recente, combateram, de arma na mão para a conquista da paz e nisso, viram-se amputados de um dos membros por consequência de acção de minas, etc. Ainda assim, aí estão, feitos campeões mundiais, de ouro ao peito, garbosos e recebidos em apoteose pelo seu próprio povo que assume em lhes prestar um valioso tributo.
Porém, é necessário entender que esta retumbante vitória não possa esconder as imensas dificuldades com que se debate o próprio desporto adaptado em si.
José Armando Sayovo é neste momento o maior ícone. As dificuldades, convenhamos, são muitas e nós vimos acompanhando como as coisas se desenvolvem.
A estimulação do basquetebol em cadeiras de rodas, do atletismo adaptado enfim, tudo isso nos remete numa reflexão aturada nesta hora de glória.
A título curioso, Celestino Elías, o homem que foi considerado melhor jogador da prova, agora chamado “o the best”, que veio da província do Huambo, vive no município do Alto-Hama, precisamente na comuna de Cangongo, que dista há cerca de 12 quilómetros da cidade capital do Planalto Central para onde teve que se deslocar durante semanas a fio para manter a regularidade nos treinos.
E vezes sem conta o fez de kupapata e em algumas, metade do percurso a pé. Por isso, há aqui muito trabalho para ser feito quer na sensibilização da sociedade para os apoios afins que no acarinhamento contínuo desta nata de jovens que agora se distinguem. Julgamos, que esta consagração trará igualmente um efeito multiplicador.
Mobilizará mais jovens à prática deste tipo de desporto e, por conseguinte mobilizará a sociedade em si para maior inclusão.Hilário Cachingongo, o jovem capitão da nossa selecção, disse sorridente, aquando da chegada à Luanda, na passada quinta-feira, que “foi difícil, principalmente quando perdemos com Haiti, mas arregimentamos forças e vencemos. O povo angolano merece esta conquista (…)”.
Palavras sábias que merecem o nosso aplauso. Uma palavra de apreço ao técnico principal Augusto Baptista “Chieto” que, com seu saber e espírito de liderança proporcionou que houve um balneário saudável. Ao Comité Paralímpico Angolano (COA), pelo esforço e dedicação e proporcionar crença aos técnicos e atletas.Hoje somos campeões mundiais em futebol com muletas, com mérito reconhecido.Queremos ser sempre campeões! Tenho dito. Morais Canãmua

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