Jornal dos Desportos

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Opinio

A vitria do futebol salo

31 de Outubro, 2019
Num cenário em que a observação do costume, que para os estudos do Direito tem força de Lei, não escrever sobre o jogo que os eterno rivais, 1º de Agosto e Petro de Luanda, irão disputar no Domingo, é quase que um atentado ao desejo dos amantes do futebol rei, sobretudo aqueles que gostam de acompanhar o que a imprensa diz em véspera do jogo.
Assumo o risco adveniente da postura exposta no parágrafo inicial, apesar de reconhecer que um jogo de tal calibre tem vários motivos para determinar a agenda das pessoas amantes do futebol e sobretudo a imprensa, que tem o assunto como o destaque da agenda.
Fora do jogo acima referido, talvez o ponto forte desta abordagem girava em torno da participação dos “Palanquinhas” no Mundial do Brasil, sobretudo pela já conquistada passagem à segunda fase da prova, o que por si só é um ganho a aplaudir, assim como a forma como os “putos” estão a espalhar a ginga do futebol doméstico, o que faz acreditar que, com o apoio necessário, os Palancas têm o futuro assegurado.
É mister não alardearmos, pois os pupilos às ordens de Pedro Gonçalves, ainda não conquistaram nada para lá das duas (saborosas) vitórias, sendo o fundamental delas, os benefícios que podem promover aos jogadores do ponto de vista da motivação, para o resto que tiverem que jogar no torneio.
Mas, também não é este o assunto para a edição de hoje, do “Desporto no Texto”, tão pouco é o que o articulista profetiza como mais uma batata quente, que a Federação Angolana de futebol terá às mãos, quando tiver que realizar os primeiros jogos para o apuramento ao CAN de 2021, isso em relação à quem vai dirigir a equipa nacional.
Neste particular, e ainda que isso seja mais um “pau” ao órgão reitor da modalidade, -é assim que alguns inquilinos da Federação Angolana de Futebol se referem aos textos por mim escritos, com referências ao citado órgão, o que não me preocupa-, prefiro não me pronunciar enquanto o fumo branco não sobrevoar as janelas da FAF, anunciando o que nos espera, nesta matéria.
Aproveito abrir um parêntesis para felicitar a postura da equipa do Petro de Luanda, que depois da veemente reacção da Associação da Imprensa Desportiva Angolana, AIDA, que reclamou de actos de mau trato à profissionais da classe, protagonizados por funcionários do clube bem identificados, retractou-se com actos, vontade de colaborar e permitiu, nos marcos do respeito mútuo, que as coisas funcionassem de forma normal, nos jogos seguintes.
Repito, esteve bem o Petro de Luanda, e mais que isso, por ter sido o autor de um texto em que manifestei-me solidário com os colegas achincalhados, de minha justiça emito, desta tribuna, um pedido de desculpas ao senhor Malamba, pois ao que me constou não foi o único culpado no episódio que envolveu uma jornalista da TV Zimbo, que também pisou a linha do aceitável, segundo nos constou.
Feitas as notas introdutórias, o que então resta como esteio para o texto de hoje, descontando o que acima foi dito, aliás, colocado fora de hipótese?
Serve a vitória da Selecção Nacional de Futebol de salão, conseguida na terça-feira, 29, frente a Zâmbia, por expressivos 9-1, resultado que qualifica a equipa nacional ao Campeonato Africano da Nações (CAN), a ser disputado no ano de 2020, no Reino de Marrocos, zona norte de África, ou Magreb se preferirem.
Chamamos para a abordagem este assunto, em parte pelo pouco espaço de divulgação mediática que tem sido concedido à modalidade, e mais do que isso, pelo ineditismo de
que se reveste a conquista, que segundo informações, foi um profundo acto de heroísmo dos dirigentes da referida Federação.
Ao que se diz, a conquista foi conseguida sob a manta de dívidas na maior parte dos serviços necessários para a realização de uma empreitada de tamanha envergadura, e não me venham dizer que tudo derivou da “crise que estamos com ela”, e que não houve nenhum chico esperto que evidenciasse o seu capricho, como daqueles que pensam que prestar serviço público é fazer favor.
Sendo ou não sendo, a realidade é que, do ponto de vista desportivo, as coisas aconteceram e o resto, quem de direito deve movimentar-se com o objectivo de repor os valores em dívidas com várias instituições, bem como aos dirigentes que tiraram dos seus bolsos, para financiar o Estado, por via da Selecção.
Esta hora é de acção, mãos na massa, e de nosso lado, fazer meia culpa pela pouca divulgação da modalidade, que pelo número de pessoas presentes no Pavilhão da Cidadela, afinal tem o seu espaço no cantinho em que as pessoas guardam as vontades e gostos. Parabéns a FAFUSA.
Carlos Calongo

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