Jornal dos Desportos

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Opinio

Abandonar o cavalo na travessia do rio...

10 de Agosto, 2019
A nova época futebolística está prestes a arrancar e com ela, infelizmente, muitos problemas se seguirão. Os problemas que hoje o nosso futebol vive. Convenhamos, andamos algo desorganizados. E esta desorganização constata-se que parte dos clubes, já são estes que fazem o “association” e comungam o todo.
Se os clubes não estiverem suficientemente organizados, tudo o resto ruirá. Até a selecção! A constatação de que aludimos é, no mínimo perigosa porque à mencionada desorganização, se junta a falta de recursos financeiros.
Os dois juntos têm sido factores inibidores para se alcançar metas boas que nos possam orgulhar mais tarde, num futuro brevíssimo. Vejamos: ao longo dos últimos anos, as equipas intervenientes nas mais variadas competições futebolísticas do País, com particular incidência ao Girabola Zap, reclamam forte e feio a falta de apoios e recursos afins para fazerem face às dificuldades mil com que se deparam.
Hoje, a estimulação de fontes de rendimento para as agremiações desportivas tem sido um autêntico “bico d’obra”. Quem paga e a troco de quê?
Será neste mar de problemas que a nova época abre as suas comportas com emoções diversas para inflamar as imensas paixões dos prosélitos, cada um com a cor da sua camisola, na base do “fair play”, pois o princípio segundo o qual, ganhar com respeito e perder com dignidade, ainda impera. Esses só querem espectáculo!
Com isso, e não fugindo muito da temática de hoje, somos a aferir que, diante do quadro com que nos deparamos no final da época transacto em que algumas equipas terminaram quase de rastos a prova por escassez de recursos financeiros, nesta tenho plena certeza que será igual ou talvez pior. Infelizmente, e isso temos que concordar que, há no nosso futebol quatro ou cinco formações que beneficiam (in)directamente dos cofres do Estado, enquanto outras se viram como podem. Há muito vimos dizendo que, se há para alguns, deveria haver para todas, isto para salvaguardar pelo menos, a fina flor do futebol nacional.
Países há na nossa região em que, para o principal campeonato, o Estado concede uma verba significativa a cada concorrente sendo que os adicionais, os clubes intervenientes são obrigados a irem buscar na \'sponsorização\' como nos patrocínios, nas publicidades e na promoção da sua marca nomeadamente na venda de \'merschandising\' além da rentabilidade dos seus activos (jogadores) e outras.
Cá entre nós, todavia as coisas não funcionam assim. Todos os clubes que sobem esperam “mamar” do Estado o seu pedaço que dizem merecer por força de três ou quatro que, por meio de empresas e organismos públicos recebem fatias gordas mantendo-lhes no auge. Ao iniciar a época futebolística, todo receio se concentra no facto de sabermos se esta terminará de facto com os dezasseis integrantes.
Há dias, antes do início da temporada e, infelizmente depois do sorteio efectuado, o Benfica do Lubango, não tendo portas onde bater, apresentou a sua carta de desistência. Alegou legitimamente falta de condição financeira para encarar a fastidiosa prova, em face de os patrocinadores terem preferido o mutismo na altura em que deviam falar alto e a bom som. Incompreensivelmente, depois de consumada a desistência com toda a tramitação administrativa accionada, os patrocinadores fizeram ouvir a sua voz pedindo que os encarnados do Lubango reconsiderassem e tornassem a escrever para o órgão reitor solicitando que este recuasse na decisão já publicada em comunicado oficial. Nada feito. Nada feito, até porque uma formação de Benguela, o Williet que estava a espera desta “brecha” aproveitou e apresentou-se de peito aberto à Federação Angolana de Futebol (FAF), dizendo que tinha condições de substituir o Benfica do Lubango.
Esta situação que, mais uma vez mancha o nosso futebol poderá ser recorrente durante a época. Ou seja, estou em crer que, conforme a situação evolui, muitas outras equipas irão “abandonar o cavalo na travessia do rio”. Melhor dizendo, irão abandonar e desistir da prova pois, como sabemos, “saco vazio não fica em pé”. A crise financeira fala mais alto e, como soe dizer-se: “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Tenho dito! Morais Canãmua


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