Jornal dos Desportos

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Opinio

Abram alas para Bianchi

10 de Março, 2017
Em época de crise, qualquer ideia com vista a finta-la é sempre digna de aplausos. E essa da Federação Angolana de Futebol ir buscar um treinador vinculado a um clube, no caso o Petro de Luanda, para orientar os Palancas Negras merece da minha parte todo o encorajamento. Não é a primeira vez na história do futebol nacional que tal acontece. Foi assim com António Clemente, outro brasileiro, e com o treinador angolano Romeu Filemon, à época treinador do 1º de Agosto.

Se da primeira e segunda vez essa ligação bilateral de um treinador resultou da conveniência da época, agora não. É uma expressão da dificuldade financeira que a Federação Angolana de Futebol vive. Disse-o aliás Artur Almeida, presidente da FAF.

Merece aplausos igualmente a duração do vínculo contratual, três anos; a presença de Flávio Amado, como adjunto de Bento Bianchi. É um grande incentivador, determinado e sem qualquer complexo de inferioridade, conheço poucos na história moderna dos Palancas Negras. Um episódio reforça a admiração por Flávio Amado. Em 2005 chegou ao Al Ahly do Egipto, eleito pela Confederação Africana de Futebol (e com razão) o melhor clube do século XX. Um clube com cerca de vinte milhões de adeptos. Flávio Amado desperdiçou uma grande penalidade frente ao rival Zamalek, num dos clássicos para o campeonato local e desse então os adeptos pediam incessantemente a sua cabeça ao treinador português, Manuel José. Em 2006, Flávio Amado respondeu de maneira mais contundente possível. Foi o melhor avançado dos Palancas Negras, naquele CAN com três golos, e desse essa altura figurou sempre na lista dos melhores avançados do campeonato e do Al Ahly, até deixar o Egipto. Não era fácil responder aos “fanáticos” adeptos do Al Ahly, ruidosos e exigentes como poucos. Voltou a fazê-lo no Mundial de 2006, quando de melhor marcador passou para suplente. Quando foi lançado em campo, fez o único golo do País numa fase final do Mundial, razão pela qual festejou daquela maneira, batendo tantas vezes no peito, como quem diz “sou eu, sou eu…”.

É por conta não apenas desses episódios mas também por ser um dos maiores goleadores da história dos Palancas Negras. Frequentou como poucos os mais diversos estádios africanos, com as camisolas do Petro de Luanda e do Al Ahly do Egipto. É dos poucos que pode gritar com qualquer jogador na Selecção Nacional, jogue ele onde jogar. Tem autoridade moral e história, ou não fosse o único a marcar num Mundial.

Definitivamente é uma acertada opção para acompanhar o treinador brasileiro nessa campanha, que se espera de bons frutos. Frutos que terão de ser colhidos na devida altura, e não ser comidos verdes, como nos acostumamos. Seria bom que a direcção da Federação Angolana de Futebol repetisse essa ideia bastas vezes. O treinador precisa de tempo. Com menos condições financeiras talvez precise de mais tempo. colegas meus questionam o que terá feito Bianchi para merecer tal sorte, de orientar os Palancas Negras. Na verdade não fez ainda muito. Aliás, quase nada. Porém, temos de despertar para a situação que as instituições desportivas vivem. A fuga em massa de jogadores estrangeiros das competições nacionais é suficiente para silenciar qualquer querela nessa direcção. Prefiro aplaudir a iniciativa, pior seria a Federação Angolana de Futebol estar à espera de um milagre. Aí sim, tínhamos todos nós, investidos oficiosamente na qualidade de polícia da FAF, gritar o quanto fosse possível contra Artur Almeida e toda a sua equipa. Atadas todas essas ideias, nada melhor do que derramar sobre a cabeça de Bento Bianchi, Flávio e outros todas as bênçãos.
Teixeira Cândido

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