Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Abre-te Ssamo!

24 de Fevereiro, 2017
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, disse Jesus, segundo São Mateus, no seu Evangelho, capítulo 22\". Retirada do contexto em que foi dita, é um saco onde cabe quase todas as situações que visam separar as águas. Servimo-nos por isso dela para interpretar os sinais que as federações de Futebol e Basquetebol nos transmitem. Dito por outras palavras, parece ter chegado a hora de se devolver o poder aos filiados.

A derrota de colossos do futebol nacional como Jesus e Prata, por um concorrente menos cotado (e não necessariamente menos competente), traduz a expressão do eleitorado, dos filiados que com isso recusaram os clichés e escolheram quem eles quiseram. O que mais garantia lhes ofereceu.

No Basquetebol, Paulo Madeira parecia ter o caminho aberto para renovar o seu mandato. Ganhou quase todos os títulos continentais, nas duas categorias, mas os sócios não satisfeitos votaram contra a sua permanência, e cumpriu-se assim a vontade de quem tem de facto e de jure o poder. O exemplo estendeu-se à outras federações, como a de Atletismo.

Mais do que simples alterações de nomes ou de pessoas, é a expressão de que estamos em presença de uma nova era, da devolução do poder aos filiados, como dantes. A procissão de pessoas que queriam a todo custo assumir uma direcção, inventar um campeonato africano qualquer e dele aproveitarem-se, trazia sempre um bilhetinho com o seguinte conteúdo: \"ordens superiores\". O tal senhor das ordens superiores nunca ninguém lhe viu, mas por conta disso os sócios sentiam-se forçados a depositar o seu voto na urna do portador do tal bilhetinho.

Houve nas eleições da Federação Angolana de Futebol essa tentativa. Avisado das estratégias dos tais malabaristas, Artur Almeida, o presidente eleito, denunciou publicamente e o ministro dos Desportos viu-se forçado a esclarecer que não havia nenhuma ordem superior, e que se tratava de um acto que dependia e só dos filiados ou sócios. Como resultado, ganhou folgadamente as eleições, sobretudo nas grandes praças do futebol nacional como Luanda, Benguela e Huambo, e com isso chegou à presidência da Federação Angolana de Futebol.

As declarações do ministro dos Desportos foram extensivas as outras federações, ou seja, derrotou o tal mito das \"ordens superiores\". Mito talvez não seja, pois tivemos situações de um único candidato a apresentar-se como o ungido. E afastava desse modo todos os outros. Finalmente, parece ter sido deitado abaixo essa cultura, em favor da concorrência sã, que acrescenta o futebol nacional.

Era desejável que fosse assim também nos clubes, que os patrocinadores não se intrometessem nos processos eleitorais. O Atlético Sport Aviação (ASA) deu o exemplo. Abandonou a tal prática, ganhou quem melhor trabalhou nos bastidores ou convenceu os sócios. Gostaríamos de ver o mesmo exemplo nos clubes 1º de Agosto, Interclube e Petro de Luanda, os tais que vivem à custa do dinheiro público. Quanto aos outros, que os sócios possam efectivamente se fazer sentir, que reclamem o poder e que possam ser eles a conduzir os destinos do clube. Este é um dos primeiros passos para o desenvolvimento do desporto. Como dizia o Ali Babá, abre-te Sésamo!.
Teixeira Cândido

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