Jornal dos Desportos

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Opinio

Acautelar com rigor o futuro do futebol jovem

02 de Maio, 2019
Depois da magnifica prestação da Selecção Nacional de futebol de sub- 17, no CAN da categoria, organizado pela Tanzânia, em Abril, podemos considerar que o futuro do nosso futebol está cada vez mais alicerçado.
Os nossos valorosos rapazes conquistaram o honroso terceiro lugar, ao vencerem a Nigéria por 2 – 1, depois de derrotados nas meias-finais, por 1 bola a zero, pelo mesmo adversário.
Para os menos atentos ou detratores do nosso futebol, o desempenho da nossa Selecção foi um mero acaso, um acidente de percurso ou simplesmente um fogo-de-artifício, que a qualquer momento se apaga.
Se nos deixarmos levar por esse tipo de pensamento, estaremos a desperdiçar uma soberana oportunidade para fazer evoluir o nosso futebol a médio e a longo prazo. Aliás, pela forma como os nossos rapazes se comportaram ao longo do referido torneio, não nos restam dúvidas de que estamos diante de jogadores talentosos e com grande margem de progressão.
Assim, tendo em atenção o facto de que depois do Mundial do Brasil, a maior parte dos nossos jogadores vão estar acima da idade dos sub -17, é imperioso olhar para o futebol jovem com mais responsabilidade e atenção.
Isso, implica dizer, que temos em primeiro lugar de acautelar a substituição dos jogadores que já não poderão fazer parte desta Selecção devido ao factor idade. Quer dizer: criar condições para fazer uma substituição do tipo, “ela por ela”, por forma a manter os mesmos níveis competitivos ou superiores, a da actual Selecção de sub -17.
Em segundo lugar, seleccionar e potenciar, continuamente, alguns jogadores, que vão passar ao escalão de sub - 18, quer a nível interno como no exterior do país, como por exemplo, em Espanha, Alemanha, Holanda, Sérvia, ou seja, em países em que o futebol é um exemplo a ser imitado, por formas a garantir que pelo menos 50 por cento dos jogadores desta geração, cheguem à Selecção principal, dentro de dois anos.
Temos de aproveitar bem o facto dos nossos “rapazes” estarem em contacto permanente com torneios internacionais, como foi o caso do torneio da Turquia, que em minha opinião serviu de “vitamina mental” para chegar à fase final do recém terminado CAN, para mantê-los no caminho do sucesso.A forma como a nossa Selecção abordou os jogos na Tanzânia, especialmente com os Camarões e a Nigéria, mostrou que tem muito futuro pela frente e que tudo depende dos dirigentes do nosso futebol e do governo angolano, para que a médio prazo estejamos entre as equipas que vão para as fases finais do CAN, como candidatas ao título.
Entretanto, há um pormenor que talvez seja difícil decidir: O treinador da Selecção de sub- 17 deve manter-se na equipa ou avançar com os que subirem de escalão? Podemos correr dois riscos sérios: a saída ou permanência do técnico pode ser prejudicial para um dos lados. Porque, se ele se mantêm, os que subirem de escalão serão bem-sucedidos com o novo treinador e vice-versa?
Não podemos dividir o homem em dois. Será que devíamos entregar a responsabilidade técnica do futebol de sub - 17 ao sub -20, ou seja, até que o jogador tenha idade para jogar na Selecção principal, ao actual treinador dos sub - 17? É uma questão que cabe decidir, em primeira instância, à direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF).
O mais importante, é que estamos no bom caminho e temos de aproveitar bem este momento que está a nosso favor, para construirmos selecções fortes. Tivemos tempo suficiente para aprender, pois, desde 2001, quando conquistámos o nosso primeiro CAN com a Selecção de sub - 20, passaram-se cerca de 18 anos.
Erros de palmatória, como a adulteração de idades, aproveitamento de momentos desportivos para saciar apetites pessoais ou de determinado grupo, em detrimento do progresso do nosso desporto e do futebol em particular, que foram introduzidos na nossa cultura por factores conjunturais, já não têm espaço na nossa forma de pensar e agir.Por isso, para os dirigentes do nosso futebol, só resta um caminho: Preparar com todas as cautelas, o futuro do nosso futebol, porque estamos no bom caminho. Parta já, este ano temos dois testes pela frente: O Mundial do Brasil em sub - 17 e o CAN do Egipto, para a Selecção principal. Mãos à obra! Augusto Fernandes

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