Jornal dos Desportos

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Opinio

Aceitar a realidade(I)

26 de Julho, 2018
Apesar de vários desapontamentos que nos tem causado, o futebol é sem margens para dúvidas a modalidade predilecta dos angolanos e o seu ponto mais alto foi a ida ao Mundial que a Alemanha organizou em 2006.
Quando no dia 8 de Outubro de 2005, em Kigali (Ruanda), Akwá, marcou o golo que qualificou o nosso país ao seu primeiro mundial, muitos de nós acreditaram que tínhamos atingido o nível das melhores selecções de África.
Por via desta crença uma boa maioria de angolanos até dizia que “ em África já ninguém nos poderia parar. Sim, foi de facto um momento que entrou para a história do país e todos nós nos congratulamos com aquele grande feito.
Entretanto, a euforia pela qualificação ao Mundial foi tão grande que nos esquecemos de quem realmente éramos a nível do futebol africano. Desapercebemos que foi graças a altivez da Nigéria, e que foi bem aproveita por nós, que chegamos à Alemanha em 2006. Posso afirmar, sem receio, que nenhum angolano sonhava chegar ao Mundial da Alemanha quando o sorteio colocou-nos no grupo liderado pela Nigéria, e com o Zimbabwe como segunda força.
Na realidade, aquela geração de jogadores como João Ricardo, Jamba, Locó, Delgado, Figueiredo, Makanga, Akwá, Flávio, Zé Kalanga e outros eram o fim da geração dos melhores executantes que o país teve depois da independência.
Não nos esqueçamos, que depois da independência de Angola, em 1975, tivemos uma geração de grandes jogadores de futebol formados nas escolas de treinadores portugueses, que eram dos melhores a nível do Mundo .
Só para termos uma ideia, num período de 15 anos (1975-1995) um treinador dos Palancas Negras tinha mais de cinco opções para um lugar e todos eles de alto nível técnico e fisicamente bem dotados.
Para a baliza por exemplo, tínhamos um Napoleão Brandão, Ângelo da Silva, Manecas Leitão, Carnaval e Luís Cão. Sem falar de um Pinto Leite, Capelô, Cambiona, Zé do Pau e outros, todos eles com um nível acima da média.
Na defesa, tínhamos um Pedro Garcia, Lourenço, Ndogala, Novato, Chico Dinis, André Nzuzi, Leandro, Tandu, Salviano, Chico Afonso, Macéria, Ralph, Mané Vieira Dias, Santo António, Quim Sebas, Renato, Neto, Helder Vicente, e muitos outros.
No meio campo podíamos contar com um Geovete, Amândio, Chiby, Maria, Mateus César, Jaime Chimalanga, Rola, Silva, Sarmento, Fusso, Praia, Augusto Pedro, Avelino, Antoninho, Mendinho, Lufemba, Zeca, Arménio, Arsénio, Raul Quinanga, Quinito, Felito, Paulão, Jony e companhia.
No ataque haviam grandes feras como Ndunguidi, Vicy, Nsuka, Jesus, Alves, Santinho, Eduardo André, Maluka, Zandú, Fidel, Sayombo, Basílio, Samuel, Sansão, Saavedra, Mona, Tubia, Avelino Lopes, Nelson, e outros.
Portanto, todos os jogadores acima mencionados eram seleccionáveis e de grande valia técnica e por via disto proporcionavam grandes espectáculos de futebol e arrastavam multidões para os estádios. Com o envelhecimento desta geração e tendo em atenção o período turbulento que o país viveu de 1975 a 2002, não houve condições para se fazer uma substituição em função da necessidade, começando por ter formadores de qualidade.
Assim, se a geração que surgiu depois da independência foi formada por verdadeiros professores de futebol o mesmo já não aconteceu com os que surgiram depois deles que maior parte foi formada por ex praticantes sem experiência profissional. Afinal de contas o facto de alguém ter sido um bom jogador não faz dele um excelente instrutor. Temos de ter em mente que uma coisa é ser treinador e outra bem diferente é ser instrutor ou professor de futebol e além disso tem de haver uma grande organização em termos pedagógicos e não só.
Portanto, existem vários aspectos ligados à formação de jogadores de futebol que não foram possíveis ser organizados desde a independência até hoje porque o contexto político e social não permitiu e a saída foi inventar soluções como por exemplo a adulteração de idades e outras vicissitudes que prejudicaram grandemente o nosso futebol.
Augusto Fernandes

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