Jornal dos Desportos

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Opinio

Acerto de calendrio inevitvel no Girabola

21 de Outubro, 2017
A inevitável e premente necessidade que há de se harmonizar o calendário do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão com o dos demais países do continente é o assunto que nos propusemos a abordar hoje neste espaço de opinião “A duas mãos”.
O assunto já vem sendo muito badalado ao longo dos anos, porquanto a prova que nos últimos anos ganhou o cognome de Girabola Zap, ao não acertar o passo da sua disputa, belisca, grandamente, a campanha das equipas angolanas que evoluem nas Afrotaças.
Por isso, vem mesmo a calhar a intenção do actual elenco da Federação Angolana de Futebol (FAF), que tem à testa Artur de Almeida e Silva, em ajustar o calendário da disputa do nosso Campeonato da I Divisão ao dos demais países africanos.
Aliás, lembro-me que em Dezembro último, aquando da campanha que conduziu Artur de Almeida e Silva ao cadeirão principal do órgão reitor do futebol no país, esta foi uma das promessasque fez, nas vestes de candidato, durante a mesma.Lembro-me, inclusive, que durante a estada deste no Bié e na sua capital Cuito, eu mesmo, quando ainda estava em funções nessa província do Planalto Central do país, levantei a questão por julgá-la pertinente, a que Artur Almeida reagiu pela postiva.É verdade que na véspera reacções não faltaram, umas a favor e outras ainda colocando reticências na promessa feita por Artur de Almeida e Silva, relativamente à possibilidade de trabalhar para harmonizar o calendário, caso fosse eleito.José Luís Prata, que também se havia candidato para uma das listas concorrentes ao pleito, foi uma das vozes que se levantara a questionar sobre a possibilidade de o actual presidente da FAF honrar essa promessa.
Tal como aludiu, na véspera, o Comandante Prata, também concordo que a intenção manifestada por Artur de Almeida e Silva teria de partir de um fórum apropriado para o efeito, como Assembleia da FAF, mas ainda assim era imperioso dar-se um primeiro passo. E penso que o actual elenco do organismo tem condições para o fazer.A meu ver ié mperiosa fazer-se o acerto porque o actual modelo de disputa do Girabola, sobretudo no que concerne a fase da sua realização, tem afectado o desempenho das equipas que jogam nas provas sob êgide da Confederação Africana de Futebol (CAF).
O que acontece, normalmente, é que quando se dá o pontapé de saída destas provas, refiro-me particularmente às eliminatórias para a Liga dos Campeões Africanos e Taça da Confederação, que é também conhecida por Nelson Mandela, as nossas equipas ainda não têm qualquer ritmo em termos de jogo. E isto porque o nosso Girabola habitualmente só tem início entre o final de Fevereiro e meados de Março de cada ano.
Por obra dessa situação, as equipas angolanas que evoluem nas Afrotaças tem-se confrontado com alguns problemas na sua campanha e tombando em muitos casos logo na primeira esquina. Por isso reitero que é bem vinda ideia de se ajustar o calendário.Também não é menos verdade que se torna difícil dar a volta do texto na ordem dos 360 graus do dia para a noite. É impossível isso. Agora importante se torna dar-se um primeiro para que o resto depois venha por acréscimo.
Aliás, faço aqui fé ao aforismo de que toda longa caminhada começa com um primeiro passo e, nesse sentido, a FAF pode já delinear estratégias no intuito de ir ajustando o calendário da I Divisão de forma faseada, ou seja a médio prazo.
Também penso ser pertinente a ideia de se disputar antes do início de cada Girabola Zap uma prova que envolva as oito equipas melhores classificadas da época precedente.Aliás, em anos não muito distantes vimos a disputa da Taça Coca Cola, que juntava antes do pontapé de saída do nosso Campeonato da I Divisão, curiosamente as oito equipas melhores classificass de cada época anterior.
Esta iniciativa além de permitir que estas equipas, com a inclusão das que eventualmente se classificassem para as provas da CAF, daria também a possibilidade de ambas terem algum ritmo competitivo nas pernas.
Internacionalmente o nosso país já demonstrou por A+B a capacidade, força e a qualidade que o nosso futebol ostenta, mas nos últimos tempos o desporto-rei no país tem passado por uma verdadeira travessia do deserto.
Por essa razão, tal como virou moda entre os angolanos é preciso corrigir o que está mal e procurar-se melhorar o que está bem a nível do futebol dentro das nossas fronteiras. Angola já demonstrou, também, ser uma pátria de futebol e por isso urge lançar-se as bases para que a modalidade atinja melhores perfomances.
E mais ainda: penso que é inconcebível aceitar a ideia de Angola baixar para níveis que não se ajustem aos seus pergaminhos no que diz respeito a ranking da FIFA.
Na mais recente divulgação do órgão reitor do futebol mundial Angola aparece, a nível dos Países Africanos de Lígua Oficial Portuguesa (PALOP), atrás de Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e só superando São Tomé e Príncipe.
Isso deixa bem claro a ideia de que há muito trabalho por se fazer para que o desporto-rei mude de rumo a nível do nosso solo-pátrio.
E isso é urgente!!!...

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