Jornal dos Desportos

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Opinio

Aceso despique no topo e cauda do Girabola Zap

04 de Maio, 2019
Quem será o campeão da 41ª edição do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, por um lado, e quem vai acompanhar a equipa do Saurimo FC ao escalão secundário, por outro, são as duas questões fulcrais, que se colocam, de momento, em relação à maior prova do desporto-rei no país. No tocante ao primeiro aspecto, é inequívoco que os dois maiores emblemas da prova, que, nos últimos anos, ganhou o cognome de Girabola Zap, vão discutir mano-a-mano e até à ponta final do campeonato, a questão do título.
É verdade. Quer o 1º de Agosto, nesse momento na liderança com 61 pontos, quer o Petro de Luanda, no segundo posto com menos um, vão discutir o título da presente edição do campeonato. É, como soe dizer, a discussão de um poleiro por dois galos.
Se, numa perspectiva, a questão da disputa do título se restringe a estes dois maiores emblemas do nosso mosaico futebolístico, numa outra o Atlético Sport Aviação (ASA), Sporting de Cabinda e o Cuando Cubango FC vão discutir, entre os três, o 13º posto que permite a permanência na fina-flor do futebol nacional. Por isso, duas destas três agremiações estão condenadas, irremediavelmente, a acompanhar a turma da Lunda Sul à II Divisão, vulgarmente apelidada de Segundona. Advinha-se, daí, uma luta renhida.
Está claro, nesse particular, que aquele conjunto que melhor saber fazer a gestão dos dois jogos, que restam por realizar nesta ponta final do campeonato, há-de levar a água a seu moinho, com a efectiva permanência na I Divisão.
Contudo, voltando a transcorrer no leito daquilo que poderá ser a ponta final do campeonato, para as duas equipas que vão discutir o título, no caso o 1º de Agosto e o Petro, adivinha-se, igualmente uma luta férrea. Aliás, outra coisa não se podia esperar.
É um confronto que envolve as duas equipas mais tituladas da história, do agora denominado Girabola Zap. Os militares, que venceram as três últimas edições da prova, buscam a inédita conquista do tetra campeonato no seu historial. Os tricolores, por seu turno, desprovidos da conquista de título há dez épocas, espreitam o resgate deste.
E a luta é fervorosa, pois que o D’Agosto vai encetando uma passada de gazela, no sentido de alcançar a cifra de conquistas do seu arqui-rival e quiçá, depois, procurar ultrapassar. A equipa do “Rio Seco” soma, nesse momento, doze troféus de campeão, contra quinze da do “Eixo-Viário”. A rivalidade aumenta de ano para ano.
Nas últimas épocas, a equipa militar assume maior vantagem nos confrontos directos e, por isso mesmo, o arqui-rival vai fazer de tudo para contrapor esse aspecto, chegando a mais um título. É uma tarefa árdua, dado que o rival do “Rio Seco” depende exclusivamente de si, para chegar ao 13º troféu na mais alta-roda do futebol angolano.
Na penúltima jornada do presente Girabola Zap, agendada para os dias 11 e 12 deste mês de Maio, o 1º de Agosto desloca-se ao reduto do aflito Cuando Cubango FC, ao passo que o Petro de Luanda é visitado no 11 de Novembro pela Académica do Lobito.
Contas feitas, os comandados Dragan Jovic, embora favoritos na conquista da vitória, acabam por ter uma missão mais hercúlea, dado que, a precisar de pontos como se de pão para a boca se tratasse, a formação das “Terras do Progresso” vai procurar aproveitar o factor casa, para estorvar os intentos dos militares e evitar o espectro da despromoção. Já os tricolores, às ordens de Tony Cosano, são, indiscutivelmente, favoritos à conquista dos três pontos diante dos lobitangas, que têm já assegurada a sua permanência na fina flor do futebol nacional.
Na derradeira jornada, quer o D’Agosto como o Petro jogam na capital do país. A turma do “Rio Seco” enfrenta o Kabuscorp o Palanca e a do “Eixo Viário o Progresso do Sambizanga. São dois jogos em que terão pela frente adversários de certo peso e que espreitam lugares honrosos neste Girabola Zap. Os palanquinos somam, nesse momento, 38 pontos no quinto posto, ao passo que os sambilas 40 no quarto.
Pelos dados aqui apresentados, fica mais que evidente que quer o D’Agosto, quer o Petro vão ter um aceso despique no topo da tabela, para chegar ao título do campeonato, daí que nada melhor do que esperar os que nos trarão os derradeiros 180 minutos, desta maior prova do futebol nacional. E que haja, acima de tudo, “fair-play”.
Em relação ao campeonato dos aflitos, tal como o dos candidatos ao título, advinha-se uma ponta final escaldante. O Cuando Cubango FC está proibido de perder a 12 de Maio, em casa, com o D\'Agosto. Se, por um lado, a vitória militar abre boas perspectivas para o conjunto chegar ao tetra, por outra, a eventual derrota deita por terra as esperanças da turma da região leste se manter no convívio dos grandes do nosso futebol.
E isto mais a mais ainda, pelo facto de, na derradeira jornada, ter que se deslocar ao reduto do intermitente Recreativo Libolo do Cuanza Sul, que já nos habituou a fazer bons resultados em qualquer estádio e mormente em casa. Na última ronda, a equipa treinada por André Makanga obviamente não fugirá à regra, apesar dos 37 pontos que soma no oitavo posto. Aliás, com uma vitória pode subir mais alguns degraus na tabela.
Os outros dois aflitos, ASA e Sporting de Cabinda, também estão condenados a não ceder pontos nesta altura. Separados na tabela de classificação por escasso ponto, aviadores e leoninos jogam entre si a 11 de Maio no Estádio do Tafe, em Cabinda.
Os 24 pontos, que a turma aviadora ostenta no 13º posto da tabela, contra os 23 dos leoninos no 14º, é uma dado que deixa antever uma luta férrea, para a vitória nesse jogo. Até porque, quem vencer fica numa condição privilegiada para se manter no Girabola Zap. Já em caso de empate tudo manter-se-á em aberto e só na última ronda, quando o ASA receber o Recreativo da Caála e o Sporting visitar o Santa Rita de Cássia, no Uíge, sairá a definição da terceira equipa despromover. Até lá, resta-nos esperar… Sérgio V.Dias

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