Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por ANTNIO FLIX

Actos de vandalismo nas barbas da Polcia

21 de Maio, 2018
Depois da tragédia ocorrida no ano passado, no Estádio 4 de Janeiro no Uige, obviamente, anotei que como é \"habitual\" no futebol, não foi o primeiro facto que abalou o futebol nacional e nem é o último a acinzentar os nossos recintos, onde se joga o bonito e apaixonante \"desporto-rei\" - o futebol que às vezes une e, em outras, desune...as pessoas.
Cá, na nossa terra, em boa verdade que houve já anteriormente, em datas e locais diversos, acontecimentos tristes. Em alguns houve mortes e luto, em outros houve agressões protagonizados por \"adeptos\", contra treinadores e árbitros.
A convicção que tenho, é que em todas as situações, falhou sempre e de forma efectiva a segurança por parte da nossa Polícia: e foi mais uma vez o que ocorreu há dias, após o jogo entre o Petro de Luanda e o Sagrada Esperança, no Dundo.
Lá, a nossa Polícia de Intervenção Rápida (PIR) teve de usar gás lacrimogéneo para dispersar os adeptos, que de forma bárbara e selvática retiraram os assentos do Estádio, ao aperceberem-se que o juiz prolongou o jogo ( 90 minutos+2), o que permitiu ao Petro alcançar o golo da vitória.
Os adeptos, chegaram ao ponto de invadir o recinto de jogo, para ameaçar a equipa de arbitragem. Então, onde estava a nossa Polícia, para só mais tarde ver-se obrigada a controlar os ânimos: isto, não traduz as mesmas falhas, em tragédias já registadas na nossa primeira divisão?
Recordo que foi o que nos foi dado a ver no dia 11 de Agosto de 1993, quando o técnico do 1º de Agosto, Djalma Cavalcanti, foi fortemente escoltado à saída do Estádio da Cidadela Desportiva, porque os próprios adeptos da equipa militar queriam \"linchá-lo\", pelo facto da equipa perder com o Progresso do Sambizanga, por 1-0, facto que nunca aconteceu antes, desde que as equipas passaram a jogar entre si, em 1978.
Foi assim, também, a 18 de Outubro de 2011, quando Victor Bondarenko, técnico principal de futebol do Kabuscorp, foi agredido por alguns adeptos enfurecidos do clube do Palanca, devido à derrota com o Recreativo do Libolo, por 1-3, partida pontuável para a 28ª jornada do Girabola.
Ainda foi assim, a 4 de Agosto de 2012, quando o jogo 1º de Agosto -Kabuscorp foi interrompido aos 85 minutos, durante 15 minutos, na sequência da alteração dos ânimos dos adeptos militares, após à exibição de cartão amarelo a um jogador agostino, o que levou mais tarde a instalar-se a confusão, que obrigou à intervenção da Polícia.
Recordo - me que na altura o Tribunal Municipal de Polícia da Ingombota, em Luanda, condenou seis adeptos da claque do 1º de Agosto, a penas de 15 a 45 dias de prisão efectiva, por crimes de vandalismo durante o jogo da equipa, o tal jogo em que a equipa militar venceu o Kabuscorp do Palanca (0-1).
Não foi diferente, a 22 de Maio de 2013, quando o árbitro da primeira divisão nacional Vladmiro Diogo Sebastião foi agredido pelos adeptos da equipa local do Sport Clube, no Estádio 1º de Maio, em Malanje, por expulsar o jogador Diniz, na partida da segunda jornada do provincial de futebol.
Porquê? Porque o juiz exibiu a cartolina vermelha ao médio trinco Diniz, por cometer falta perigosa contra o avançado Mussa, do Pekandec de Malanje, na linha de golo, aos 42 minutos.
Face à \"fraca prontidão\" da Polícia, registei a um horror no dia 10 de Outubro de 2013. Quem é que gosta de futebol e acompanha tudo, deve lembrar-se...daquele adepto do Petro de Luanda morto em consequência de agressões por parte de elementos da claque do 1º de Agosto, quando estas equipas rivais se defrontaram para a 25ª jornada do Girabola.
Onde estava a Polícia para não evitar que o adepto do Petro de Luanda fosse repetidamente agredido e atirado para fora das bancadas pela claque rival do 1º de Agosto? O adepto do Petro, equipa com mais títulos em Angola, não suportou a gravidade dos ferimentos e acabou por morrer no mesmo dia. A direcção do 1º de Agosto, na altura, ainda veio a público condenar as acções da sua claque.
A verdade é que a nossa Polícia, diante de tudo que já aconteceu, voltou a não estar de atalaia para impedir o que ocorreu no dia 7 de Novembro de 2014. Porque, nessa data, o árbitro João Goma sofreu actos de vandalismo praticados por adeptos das equipas do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, no Estádio 11 de Novembro, durante o jogo da 30ª e última jornada do Girabola.
Diante das \"barbas\" da nossa Polícia, como de diz, tudo aconteceu na sequência da expulsão do jogador Ary Papel, por acumulação de cartões amarelos. E, por causa disso, ainda me recordo do presidente de direcção da Associação de Árbitros de Futebol de Angola, Manuel da Rosa, defender a necessidade do reforço ao policiamento nos recintos.
Portanto, se há necessidade de reforçar, é porque há(via) fraqueza. E, a prova está no que ocorreu há dias no tal Sagrada -Petro...lá no Dundo!
Será, que a FAF e a nossa Polícia não andam, fortemente, de mãos dadas no que toca à segurança nos nossos Estádios?

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