Jornal dos Desportos

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Opinio

Adeptos do Domant relembram Paulo Saraiva

06 de Agosto, 2015
Que o dirigismo desportivo em Angola, carece de alguns “arranjos”, não é novidade. Que digam os adeptos e a maioria dos dirigentes do Domant Futebol Clube de Bula Atumba (Bengo), que se mostraram agastados com o presidente da agremiação, aquando da despedida de Paulo Saraiva, do comando técnico da equipa principal de futebol, por altura da 5ª jornada do Girabola, quando a formação ocupava a 5ª posição, com sete pontos.

Paulo Saraiva, recorde-se, foi substituído pelo espanhol Joan Oliva, na 5ª feira, a seu pedido. Em Angola, cumpridas 19 jornadas do Girabola, pode-se concluir até à presente data, que dos treinadores que iniciaram a época, dez foram despedidos, por alegados “maus resultados” ou por incompatibilidade com as direcções dos clubes que os contratou.De acordo com o que a realidade apresenta, das dez “chicotadas psicológicas” registadas até ao momento, é de convir que a que ocorreu com Paulo Saraiva, no Domant do Bengo, foi extemporânea, conforme aludimos na ocasião, a julgar pelos motivos que estiveram na base dos maus resultados da equipa.

Na altura, alguns adeptos e analistas em matéria do futebol, mostraram-se indignados com a postura do presidente do clube, Domingos António, que tomou tal decisão de forma unilateral, pelo facto de Paulo Saraiva, não concordar com a interferência no seu trabalho do agora treinador despedido, o espanhol Joan Oliva, cedido pelo 1º de Agosto, para na formação do Bengo desempenhar as funções de assessor da direcção para a área técnica.

Ao reconhecermos que as direcções dos clubes possuem competências para gerirem a matéria humana, financeira e material da forma que acharem conveniente, somos de opinião, que tais pressupostos, devem obedecer aos requisitos que a Lei Geral do Trabalho em vigor em Angola prescreve para que ninguém se sinta prejudicado.

É importante não esquecer, que existem direcções de alguns clubes que para escamotearem as debilidades, no capítulo organizativo, escudam-se nos despedimentos dos treinadores, muitas vezes, sem motivos que justifiquem tais tomadas de posições.A título de exemplo, à entrada da 19ª ronda, o Domant do Bengo, ocupa a última posição do Girabola, com 13 pontos, corre sérios riscos de deixar o convívio dos grandes, devido à diferença pontual que o separa do 13º classificado, a Académica do Lobito (18), 14º Desportivo da Huíla (18) e 15º Recreativo da Caála (17), também elas empenhadas na luta pela fuga à despromoção.

Ao recuarmos no tempo e no espaço, assim como distantes da intenção de nos imiscuirmos na forma de trabalho das suas direções, as “chicotadas” que David Dias (Recreativo da Caála), em 2009, Jean Claude (Sporting de Cabinda) e Álvaro Magalhães (Nacional de Benguela), ambos em 2010, foram alvo, aconteceram de forma indevida, dado que a produção dessas equipas situava-se acima da média.

A Caála, que liderou muito tempo o Girabola, terminou no segundo posto, com os mesmos pontos que o campeão, o Interclube de Angola. A rescisão “amigável”, entre o treinador e o então presidente de direção do clube, Horácio Mosquito, devido à intransigência do dirigente em imiscuir-se no trabalho de David Dias, acabou por deitar abaixo todo o trabalho.

A partir daí, a equipa descambou, encontra-se na situação que todos conhecem. Enquanto isso, toda a gente tem conhecimento dos problemas financeiros que o Sporting de Cabinda e o Nacional de Benguela atravessam, faz tempo, com reflexos na vertente organizativa que se repercute no futebol.

Tanto quanto se sabe, Álvaro Magalhães, em 2009 comandou o Interclube de Angola na conquista do segundo título do Girabola, aguarda ainda o veredicto de uma acção interposta no Tribunal Arbitral da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), em que reclama uma compensação financeira do clube de Benguela, referente à uma cláusula de rescisão contratual, cujo período não foi concluído, segundo a parte recorrente, pelo facto de o clube ter agido de forma unilateral.

Em consequência da função que desenvolve, o treinador para além de profissional assume-se como o líder do grupo de atletas e outros a eles ligados, na maioria chefes de família que possuem agregados sob suas responsabilidades. As pessoas, com principal incidência para as que ocupam cargos de direção e de chefia, devem ter consciência que não é fácil a qualquer ser humano desenvolver qualquer actividade remunerada - principalmente as que se submetem aos vínculos contratuais assinados entre as partes - sem receberem as respectivas compensações financeiras.

A prática ensina que a persistirem os mesmos problemas, a indicação de Manuel de Carvalho “N’Guami” (diretor técnico), para o cargo de treinador interino da formação do Bengo, não vai produzir melhorias em termos de resultados. As declarações dos seus dirigentes que continuam a evocar terem sido “apanhados de surpresa”, pela decisão do treinador espanhol, independentemente dos “maus resultados” que a equipa estava a colher, podem ser entendidas como justificação junto da massa associativa, mas os maus resultados vão continuar a acontecer. Os mais cépticos, apontam a formação da terra do “jacaré bangão”, como uma das principais candidatas à descida de divisão, pese o facto de haver ainda muitos jogos até à conclusão do campeonato. A ver vamos.
Leonel Libório

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