Jornal dos Desportos

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Opinio

Adeptos ensinam verdadeira lio de fair play

15 de Fevereiro, 2018
O termo inglês fair play é conhecido. Entretanto, apesar de ser uma palavra falada não só nas lides desportivas, pelos visto poucos conhecem o significado ou não estão interessados em aplicar o verdadeiro sentido.
Por exemplo, nos últimos dias que antecederam o CHAN, em que Angola participou e chegou aos quartos de final, houve picardias entre a direcção do 1º de Agosto e da Federação Angolana de Futebol (FAF).
A briga foi tão forte, entre ambas as entidades, que culminou com a suspensão de seis jogadores nucleares na manobra dos militares por mais de 50 dias, no mínimo. Antes da batalha, a direcção dos militares e a do Petro de Luanda também entraram em litígio, por motivos de pontos de vistas diferentes em relação ao trabalho de Beto Bianchi, na época treinador do Petro e dos Palancas Negras.
A história do desporto mundial e angolano está repleta de situações tristes, algumas resultaram em morte de pessoas, por falta de fair play. Mas o que é fair play? Traduzido para português, fair play significa jogo justo, jogo limpo. É uma filosofia adoptada em desporto, que prima pela conduta ética.
Dito de outra forma, fair play é comparado à famosa regra de ouro ensinada por Jesus Cristo, na qual incentiva a tratarmos os outros da mesma forma, que gostamos que nos tratem. Assim, por aplicar esta regra, ou seja, o fair play, muitas vidas foram salvas em pleno momento de competição.
Conhecemos vários casos de jogadores que tiveram soberanas oportunidades para marcar golo, mas deixaram de fazê-lo para socorrer um adversário, que percebeu precisar de ajuda imediata.
Ao passo que alguns dirigentes desportivos preferem ignorar o princípio do fair play, é por isso um mau exemplo para a sua massa associativa, alguns adeptos fazem exactamente o oposto: aplicam o fair play.
A semana passada, no dia em que o Petro de Luanda “incendiou” os Master do Malawi por 5-0, foi digno de realce ver alguns adeptos do 1º de Agosto puxarem pelos seus principais rivais.
A rivalidade entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda, que começou em 1984 com a histórica goleada de 6- 2, dos tricolores na época com Jesus, Lufemba, Chico Afonso e outros, sobre os militares do tempo de Napoleão, Lourenço, Loth, Ndunguidi e companhia, coloca as duas claques em pé de guerra, porque os \"caragós\" andam atrás de desforra e os do Petro “abanam a cauda” por manterem a hegemonia de títulos conquistados, e até hoje, a maior derrota diante dos militares foi por 4- 1.
Houve épocas, em que depois dos jogos entre estes clubes, a guerra entre claques era tão dura e violenta que infelizmente perderam-se algumas vidas, em uma ou duas ocasiões. Assim, ao ver o gesto da claque do 1º de Agosto ao contribuir para a goleada do Petro, no passado sábado, para a primeira mão das Afrotaças, o país aprendeu uma valiosa lição de fair play.
No dia seguinte, pelo menos em alguns lugares por que passei, deu para ver adeptos do Petro a retribuírem o gesto que se assistiu pela TV a puxar do primeiro ao último minuto pela equipa militar, com algumas bitolas de lado.
É verdade, que estava em jogo o \"Pri\" e entende-se perfeitamente a atitude dos adeptos. Contudo, destaca-se a atitude que até não é tão nova assim entre ambas as claques, mas o facto de assistirmos a guerra entre a FAF e o 1º de Agosto, por falta de fair play.
Por desconsideração ao espírito desportivo, por trás do fair play, os amantes do Girabola ficam privados de ver brilhar jogadores como Geraldo, Nelson da Luz, Massunguna, Paizo e outros castigados durante 50 dias para uns, e outros por muito mais.
Não está em causa a punição, mas os motivos que conduziram a este estado de coisas: falta de fair play. Assim, os dirigente e não só, do nosso desporto e do futebol em particular devem aprender, ou seja, colocar em prática o fair play, e serem verdadeiros exemplos do jogo limpo, quer seja dentro, quer seja fora das quatro linhas.
Os nossos elogios aos adeptos do 1º de Agosto, que em representação de toda a massa associativa do “Pri”, estiveram presentes no 11 de Novembro para apoiarem o Petro. Naturalmente, os do Petro também estão de parabéns por corresponderem no jogo do 1º de Agosto com a equipa do Zimbabwe.
Se em todas ocasiões as claques aplicarem o espírito de fair play, ou seja, comportarem-se como desportista e não como inimigos, evitaremos situações tristes como as que presenciamos muitas vezes nos nossos Estádios.
O desafio está lançado aos adeptos das duas maiores equipas do país. Queremos ver como é que se comportam nos dois dérbis, que vamos ter este ano para o Girabola. Viva o fair play.
Augusto Fernandes

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