Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Afinal, pensamento nico ou consentimento mtuo?

08 de Janeiro, 2018
Faltavam poucas horas para o fim de 2017, quando coincidentemente cruzei de forma casual, algures nesta cidade de Luanda, com um conceituado dirigente desportivo de um \"Clube Grande\" de Angola (pois, em opinião, no país ainda não temos um Grande Clube) que de maneira informal, me fez algumas observações sobre o que escrevo, semana após semana, neste espaço, com o facto a despoletar e a gerar uma prolongada conversa.
O que me soou “estranho”, durante a conversa, foi o facto do referido dirigente dizer (e passo a registar textualmente e em letras garrafais) que: “SE O GOVERNO NÃO APOIAR E NÃO DISTRIBUIR DE FORMA EQUITATIVA, OS DINHEIROS PARA TODOS OS CLUBES QUE VÃO PARTICIPAR NO PRÓXIMO GIRABOLA, ENTÃO, BOA PARTE DO DESPORTO NACIONAL, VAI MORRER DE INDIGESTÃO, DO QUE DE FOME! ”
Tudo, menos verdade do que isso, foi assim que a princípio digeri tal reflexão, e fui mais longe e de forma peremptória, perguntei ao referido dirigente desportivo, em alto e bom som, sobre o que aconteceria ao futebol nacional, de forma particular e ao desporto nacional de uma forma geral, se com todos os problemas que já tem, fosse ainda invadido por trincas político -partidárias? Deus nos livre! Aliás, onde está a transparência do Girabola Zap, épocas 2016 e 2017, que apesar de todos os rumos traçados, e diga-se de passagem, muito bem traçados, não se sabe até hoje em que direcção vai dar, se é que tem mesmo direcção?
Paradoxalmente, é o que eu penso e deixei claro, ao então dirigente desportivo que o problema e a solução para a direcção certa que se pretende dar ao futebol angolano, passa por um único elemento: o HOMEM e não o DINHEIRO!
E, curiosamente, é o próprio homem que está sem perceber muito bem, para que direcção levar a bom porto o futebol nacional, e muito menos conseguir compreender até hoje, em pleno ano de 2018, como vai lá chegar!
Na verdade, precisamos de repensar profundamente o futebol nacional, não em termos de incentivos, mas de investimentos, retornos e receitas, levar em conta as necessidades reais de Angola e as reais necessidades e disponibilidades do Estado/Governo em fornecer apoios dentro dos prazos, e com os cada vez mais escassos recursos financeiros disponíveis!
Porque senão, estaremos desportivamente a falar de um outro país que não se chama Angola, se tivermos em conta os resultados que se conhecem e os balanços que ainda não foram feitos, sobretudo, no plano financeiro.
Meus senhores, o futebol mexe com duas coisas: dinheiro e emoções. São talvez as duas coisas que mais movem os seres humanos.
O dinheiro alimenta o negócio, serve para comprar jogadores e pagar a todos os que giram à volta do futebol como moscas; e as emoções servem para manter os adeptos alienados à volta do clube do seu coração.
Com estes dois ingredientes, o futebol é imbatível.
Por hoje e agora, embora continuo a defender a “minha dama”, no caso o marketing desportivo, e o farei de alma e coração aqui neste espaço durante o ano de 2018, mesmo que venha a realidade e me prove o contrário, de que o marketing desportivo ainda vai apanhar muita “esfrega”, para ser introduzido no actual modelo vigente no sistema desportivo angolano para inverter a situação actual, para que o desporto nacional, seja um produto apetecível ao investimento privado.
Por fim, o que eu peço é que não deixem de ler os próximos artigos, que durante este ano se vão cingir à parte pedagógica, didáctica, técnica e prática sobre MARKETING DESPORTIVO!!!!!!
NZONGO BERNARDO DOS SANTOS

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