Jornal dos Desportos

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Opinio

Afinal, o futebol faz diplomacia

23 de Agosto, 2018
Os "artistas da bola" são grandes diplomatas, que passam no barulho e ofuscados pela ganância dos políticos envaidecidos nos fatos e gravatas, com diplomas de doutoramento em Relações Internacionais. Mas, só com um toque de mestria juntam dois continentes, vários países e todas as classes de uma sociedade, entre pobres, ricos, mendigos, pretos e brancos; felizes ou infelizes falando a mesma linguagem: "o futebol".
A minha primeira viagem para Europa, foi dentro da casa onde vivia com meus pais, no município do Cazenga, através das vozes sonantes de Arlindo Macedo, Zeca Martins e Vaz Kinguri, vindas de quatro colunas de uma estação radiofónica chamada de 5. O grande programa Fora de Campo da rádio Eclésia e as manhas desportivas da Rádio 5, davam-me uma graduação universitária em geopolítica.
Os clubes de futebol a volta do mundo, normalmente trazem nas suas denominações os nomes das cidades de origem. A título de exemplo vimos muitos clubes como o Chelsea FC, CSKA de Moscovo, Real Madrid, AC Milan, FC do Porto, Esperance de Tunis, Canon de Yaoundé, Petro de Luanda etc.
Podemos constatar, que uma equipa de futebol destacada a nível internacional, consegue fazer diplomacia além fronteira, colocando o nome da sua cidade na boca do mundo inteiro. Lembro-me de ver hasteada a bandeira de Novembro no estádio da Luz, com os brilhantes golos de Mantorras. A minha memória viaja até aos longínquos anos de glória de Quinzinho, no FC do Porto. Muito recentemente, no mundial da Rússia 2018, constatamos os encontros de caris politico e comercial, entre os presidentes da França e da Rússia, Emanuel Macron e Vladimir Putin respectivamente. Durante os jogos das finais da copa, um abraço da presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, ao seu homologo francês, suscitou momentos de debate nas redes sociais, sobre as novas formas das relações dos líderes da nova geração a volta do mundo.
A imprensa portuguesa divulgou trocas de palavras entre o presidente americano Donald Tromp e Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal, devido o craque madeirense Cristiano Ronaldo, considerado melhor jogador do mundo.
O primeiro-ministro albanês, abriu uma conta bancária para que seus concidadãos doassem dinheiro, para permitir pagar as multas de Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri, por terem celebrado os golos contra a Sérvia fazendo o gesto da águia bicéfala, símbolo da Grande Albânia, que teve grande repercussão geopolítica nos Balcãs.
É verdade que, na Copa da Rússia, os africanos triunfaram, jogando pela Bélgica, Inglaterra e França. Homens que deixaram o Congo, Guiné, Marrocos, Camarões, Argélia, Mali, Nigéria e Angola para tentar a vida na Europa. Muitas bandeiras desses países foram hasteada na final da copa da Rússia, quando a França ergueu o troféu.
E agora me pergunto, por que os dirigentes angolanos não apostam numa politica eficaz para o desporto, em particular o futebol. Com o futebol a florir, podemos colocar mais longe o nome do nosso pais no mundo e das nossas cidades, é possível atrair turista com o futebol. Lembro-me de egípcios que chegaram de vir conhecer a terra de Gilberto e Flávio Amado e ainda a história do angolano que chegou de não pagar numa loja no Egipto, por ser conterrâneo do angolano Gilberto.
Futebol é considerado o desporto das emoções e o mais popular, entre todas as modalidades existente na circunferência dos desportos; é praticado por mais de 270 milhões de pessoas a volta do mundo inteiro, segundo dados da FIFA, em 2016.
A Copa do Mundo é o evento desportivo mais famoso que existe, onde muitos países por lá representados, aproveitam fazer actividades relacionadas com a cultura de povo para povo, e até mesmo podem abrir relações diplomáticas do ponto de vista politico e cultural.
Edvaldo Lemos

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