Jornal dos Desportos

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Opinio

Agora que venha o CAN do Egipto!

23 de Março, 2019
Que venha agora o CAN do Egipto! Sim, que venha o Campeonato Africano das Nações porque a fase de qualificação ficou já para atrás. Foi ontem ultrapassada com o feito dos Palancas Negras que, com bravura, estoicismo e determinação conseguiram bater a concorrência e fazer a sua obrigação. Apurar-se para a prova no Egipto.
Ficou quebrado o enguiço de ausência “prolongada” em fases finais do CAN. Angola há muito tinha lugar cativo na alta-roda do futebol africano depois de antes, ter tido presença, em pelo menos cinco edições consecutivas. Agora, a realidade é outra. Temos uma legião de jogadores e técnicos que nos podem levar mais além. Vale, no entanto, falar exaustivamente da qualificação e da própria campanha, onde desde a primeira hora, os Palancas Negras apostaram forte para no fim (agora), poderem ter sorriso nos lábios.
Até ao jogo de ontem, os Palancas Negras ostentavam o segundo lugar do Grupo I, com nove pontos, logo atrás da Mauritânia que conseguiu apuramento antes mesmo da disputa da última ronda. Os adversários de ocasião eram (e são!) os últimos, e tinham apenas um pontito. Porém, o desafio era aguardado com grande expectativa e, pelo menos pelos angolanos, com imensa expectativa, porque sabiam o que estava realmente em jogo. Se para os tswaneses estava em causa a honra e a necessidade de puderem brindar o seu público da província de Francistown (cidade onde foi disputado o jogo), com resultado positivo, por parte de Angola estava em jogo o desejo e a necessidade de voltar ao CAN. Voltar à alta-roda do futebol africano das Nações.
Impunha-se por isso uma maior dinâmica e muita atitude. Impunha-se colocar em evidência a vontade de vencer. Os Palancas Negras tiveram o percalço de perderem na jornada inaugural, na sua casa, diante do Burkina Faso mas conseguiram refazer-se do pesadelo e vencer a própria Mauritânia por expressivos 4-1 e vencer igualmente os tswaneses. Porém, depois da vitória gorda diante dos mauritanianos, no jogo da segunda volta, os Palancas Negras não conseguiram suplantar o seu adversário em casa destes, empatando. Ainda assim, o pecúlio de nove pontos justificava bem o seu empenho embora, deixando para a última jornada a tarefa do apuramento, o que deixou também muitos angolanos, amantes do futebol, “com os corações nas mãos” mas, sobretudo confiantes na sua selecção, tal foi o coro e a corrente positiva protagonizada e bastante visível na véspera do jogo. Os Palancas Negras têm assim assegurada a qualificação.
Uma qualificação que nos honra e aumenta a nossa auto-estima e o nosso orgulho se tivermos em conta que há coisa de uma semana, a alma e o orgulho futebolístico angolano foi atingida de forma negativa, com a eliminação do Petro de Luanda das Afrotaças. O regresso à mais alta-roda competitiva do futebol africano aumenta de facto o nosso crer e a confiança dos treinadores e atletas desta modalidade rainha. Atletas como Bastos Kissanga, Geraldo, Djalma Campos, Massunguna e outros, são exemplo claro de resiliência e demonstração de que aqui também temos valores futebolísticos que, por sinal, não devem nada a nenhum outro futebolista de outras paragens. Serdan Vassiljevic, o seleccionador nacional, sempre demonstrou vontade de trabalhar mesmo debaixo de imensas dificuldades decorrentes dos momentos de crises que vivemos. Por fim, uma palavra à Federação Angolana de Futebol (FAF) que soube interpretar da melhor forma a mudança de paradigmas e munir-se de estratégias válidas para, no âmbito da diplomacia desportiva e, sobretudo da criação das condições propícias, no ponto de vista logístico e não só, para que a selecção pudesse ter, em tempo real, todas as condições e comodidade necessárias.
Quando as coisas funcionam e há harmonia, regra geral os resultados são satisfatórios, como estes em que, o apuramento é um facto evidente. Bem vistas as coisas, temos que dizer que pela campanha que fizeram. Pela disponibilidade e esforço dos atletas. Pela crença e capacidade de trabalho do técnico, mais o empenho da FAF que, terá transformado “pedra em pão” para sustentar a campanha (…). Acho que os Palancas Negras, mereceram o apuramento ao CAN do Egipto. Bem-Haja! Morais Canãmua


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