Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Agremiaes desportivas

14 de Setembro, 2013
No tempo em que éramos miúdos, ali na Comissão do Prenda, tínhamos a pretensão de criar uma equipa de futebol, para podermos “jogar clube” (como dizíamos) com outros rapazes do bairro e de outras zonas, bem como participarmos em campeonatos.

Tentávamos a todo custo formar a melhor equipa possível. Tentávamos buscar os “bons da bola” para jogarem na nossa equipa. Mas nem sempre conseguíamos ter os jogadores desejados porque a disputa pelos melhores tinha custos. Todo o movimento, dispêndio de forças e energias era feito porque desejávamos vencer os desafios e os campeonatos em que participávamos.

Hoje, fruto da recordação de um passado não muito distante, escolhi este tema para reflectir com todos quantos desejam formar uma equipa, não importa a modalidade e, em particular, aos que sendo dirigentes de clubes comandam vários grupos e, consequentemente, várias equipas.

Formar uma boa equipa requer não só boa vontade mas também disposição para enfrentar todos os “mambos” ou “makas” que podem advir da actividade.

Hoje, o desporto representa uma actividade profissional para os atletas e dirigentes desportivos. Possuir e levar um clube para a frente, torná-lo coeso, forte e ganhador é uma tarefa de colossos, de gente cuja visão estratégica tenha abrangência global, porque o desporto envolve muitas “nuances” da vida social e tem como elemento central o homem.

Um clube ou agremiação desportiva é um projecto cuja base de sustentação e o suporte passa pelo seguinte trinómio: 1- Espírito de equipa (noção de que o todo é igual ao conjunto das partes envolventes e que cada um tem uma função e valor - o homem como centro); 2- Visão estratégica de longo prazo (estrutura de projecto e noção de tempo e espaço); 3- Conhecimento da realidade desportiva local assente e fundada nos ideais olímpicos (gestão de meios desportivos).

Não devemos esquecer-nos que os nossos clubes são organizações com vida própria e representam projectos sociais de elevada responsabilidade e valor. Como é que eles valorizam os seus recursos humanos? A forma de enquadramento dos membros é quotizada, o financiamento envolve não só a contribuição dos sócios mas também o patrocínio social, institucional e de grupos particulares.

É comum no nosso país o patrocínio institucional das actividades desportivas e dos clubes. Mas a realidade será essa? Ainda há clubes a trabalhar em condições menos apropriadas, apesar de alguns já estarem a alcançar níveis aceitáveis. A gestão dos meios desportivos por parte dos clubes deve ser feita com dinâmica e cultura de gestão integrada. As sociedades anónimas desportivas devem surgir para bem do nosso desporto e melhor gestão dos meios financeiros dos clubes, sejam estes adquiridos por patrocínio institucional ou por um grupo empresarial particular.

A venda de objectos e vestuário desportivos relacionados com o clube deve ser uma realidade porque representa uma mais-valia económica e a divulgação da sua imagem. A imagem do clube deve ser preservada e valorizada em todos os momentos e instantes sob pena de não granjear respeito e admiração dos seus adeptos, fãs e sócios. Isto é, tendo os três factores como base de sustentação, haverá frutos que constituirão vitórias, títulos, novos adeptos e sócios. Assim, provocará o interesse dos grupos empresariais internos ou nacionais e até mesmo externos ou internacionais.

Os nossos clubes precisam de descobrir o valor que possuem para a sociedade. São verdadeiros centros de formação de atitude e integração social dos jovens e dos cidadãos em geral.

A imagem que pretendem atingir deve estar patente nos objectivos do clube e só será alcançada com organização e gestão consequente dos meios ao seu dispor. Cada dirigente deve sentir-se parte do clube e responsável pelo seu desenvolvimento e enquadramento social.

A cultura desportiva é hoje um facto e não podemos descurar os benefícios que oferece a cada um de nós. Mas é preciso que as políticas públicas e privadas sejam claras quanto à legislação, a forma de financiamento às agremiações, associações e clubes desportivos.
Carlos Graça

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