Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

AIDA renasce com vigor

03 de Março, 2020
Hoje, neste espaço, jogo eu a titular. Não como um craque da estirpe de António Félix, o “dono” do lugar, mas tão somente como um jogador com algumas qualidades técnicas e cultura táctica capaz de puder driblar e fazer mesmo alguns golos.
E, a oportunidade soberana que me surge é falar da Associação de Imprensa Desportiva Angolana (AIDA). Sim, a nossa AIDA dos consensos, de algumas divisões (infelizmente), de uniões e desenlaces que, de resto marcaram a sua trajectória nestes 23 anos de percurso, por vezes sinuoso, mas sobretudo com firmeza, crença e resiliência.
São realmente estes e outros pontos que fazem a sua idade maior, atingida com sacrifícios mil e que hoje se pretende erguer das cinzas. Aliás, tendo já nascido de um parto difícil, a AIDA sempre teve imensos problemas para se impor no “metiêr” dos profissionais da comunicação social que trabalham na área desportiva.
Mas, a necessidade circunstancial, as leituras da conjuntura desportiva, a globalização desportiva e não só, as vontades, no sentido do associativismo e profissional, enfim, o querer se afirmar como classe e outros quesitos, fizeram nascê-la mesmo na altura e no momento certo, embora com pouca petulância.
Claro que mesmo com a travessia no deserto que a AIDA fazia, os seus pares na Direcção e o leque de jornalistas, convenhamos, apesar da letargia acentuada e notável, fizeram alguma coisa. Claro que poderia ultrapassar as intenções porque dessas, está o mundo cheio. No ponto de vista de internacionalização, a AIDA pode se dar por feliz porque conseguiu, graças a volúpia e dinamismo dos seus dirigentes, com destaque para António Ferreira “Aleluia”, Silva Candembo, Carlos Contreiras, Arlindo Macedo e outros, conseguiram, dizia, filiá-la nas mais consagradas organização continental e mundial, no que ao jornalismo desportivo, diz respeito.
Com este pressuposto conseguiu de igual modo, que os seus membros tivessem carteiras profissionais, cujo prestígio e importância são incomensuráveis.
Outrossim, a nível interno, apesar de nunca se poder organizar e se impor como organismo reitor e verdadeiro “Comandante” da classe dos homens que filmam, fotografam, escreveram e falam sobre o desporto, mesmo assim, mesmo com todas essas intempéries tentou. Fez incursões a nível do Sul do país, por exemplo, e constituiu núcleo regional na Huíla, congregando às províncias do Namibe, Cuando Cubango e Cunene, com o “posto de comando” no Lubango. Aí sim, no limiar dos anos da década 2000, a AIDA ousou dar um grito estridente de vitória porque o interior do país se identificava com a causa e fazia andar a carruagem, com o dinamismo de António Ferreira em frente, puxando o autor dessas linhas, João Baptista, Luís Garrido que lideravam o núcleo regional. No princípio, aqui em Luanda, estimulou realizações de acções formativas em parcerias com o Comité Olímpico Angolano (COA) e outros organismos, com particular referência às variadas federações desportivas.
A espaços, era cobrada nos bastidores a revitalização, a renovação de mandatos e maior dinâmica no compromisso. Nem o visível crescimento do futebol, basquetebol, andebol, hóquei em patins, entre outras, com participações activas em mundiais, provas africanas, organização de competições de calibre africano e mundial, aqui em Angola, com níveis aceitáveis, serviram de mote para lançar a saga dos jornalistas para uma união associativa requerente, à semelhança do que acontece em países como o Ghana, Egipto, Burkina Faso, Argélia, Tunísia entre outros.
A AIDA continuava letárgica sob o olhar silencioso e consentimento estranho de todos, quão estrelas que podiam se guiar fora da galáxia “de per si”. A AIDA percorria então os piores tempos da sua existência com a sua Direcção colocada na fronteira entre o descrédito e a incompetência. Afinal, nos bastidores a verdade não era bem essa. Candembo, Macedo, Contreiras e o próprio presidente da Mesa da Assembleia Geral, o ilustre Manuel Rebelais, mantinham o foco e a vontade acérrima de “acordar” a “desmaiada” associação, votada em tal “status quo”, muito por culpa igualmente dos seus associados que ao longo da história e trajectória, fugiram de participar em actividades e de prestar quotizações regulares, “como diabo da cruz”.
Agora, pôde-se dizer que tudo isso ficou para trás. Este status pertence ao passado. Está ultrapassado. Novos cenários se desenham.
Desde Agosto do ano transacto, um grupo de jornalistas desportivos principalmente da nova vaga e não só, destemidos e sem quaisquer complexos, comprometidos apenas e só com a missão de resgatarem valores altos que nos identificam como classe forte de homens que fazem a opinião desportiva nacional, entendeu iniciar a longa caminhada conjuntamente e, com um simples passo.
Notando um vazio em todo processo associativo e revendo mais vantagens do que desvantagens, Honorato Silva, Sílvio Kapuepue, Manuel Kizembo, ao que se juntaram Paulo de Angola e outros poucos, decidiram sacudir a poeira e avançar. Começaram com trocas de mensagem, utilizando racionalmente as redes sociais. Criaram um grupo interactivo onde agregaram alguns outros.

“ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA”
O movimento cresceu com encontros informais a que ousaram denominar de “oração de sapiência” em que, quinzenalmente juntavam um número variável de “devotos” para se debruçarem, “religiosamente” de matérias que enobrecem, engrandecem e servem positivamente no processo de revitalização da nossa AIDA que, diga-se, a partir daí prestava-se a começar a sorrir com a tamanha lufada de ar fresco.
Foram várias as “sessões”, onde as orações convidavam-se profundamente a sapiência dos potenciais associados, ávidos de assumirem as suas responsabilidades associativas e de grupo. Nestes encontros, surgiu a oportunidade de se comemorar com júbilo o 23º aniversário da organização a 1 de Fevereiro.

“MONSTROS SAGRADOS”

Várias actividades foram programadas com destaque para a “oração” sobre a Mulher no jornalismo desportivo, em que foi “oradora” a conceituada Luísa Rogério; os jogos de futsal entre jornalistas e a cerimónia de homenagem à alguns, tal como alguém fez questão de referir “monstros sagrados” do jornalismo desportivo angolano. São os casos de Francisco Simons, Luís Fernando, Rui Carvalho, Mateus Gonçalves, Graça Campos, Gustavo Costa, Gil Tomás, António Ferreira “Aleluia”, Pires Ferreira, Policarpo da Rosa, José Cunha, Ladislau Silva, Manuel Rebelais, Oliveira Campos “Dada”, entre outros. E também de entidades colectivas como são os casos da TPA, Edições Novembro, COA, Cefojor, Rádio Cinco, entre outras.
Uma singela homenagem presencial e à título póstumo que marca o reconhecimento do trabalho que àqueles desenvolveram e que, por outro lado, acreditamos, marca o ressurgir, a reanimação da nossa AIDA que queremos viva e acutilante. Aliás, Silva Candembo, na sua alocução breve disse que brevemente será realizada uma assembleia para renovação de mandatos e então colocar a AIDA a andar, normalmente... com cara lavada. Os conflitos geracionais que por vezes se manifestam, serão ultrapassados pela dinâmica dos tempos e dos novos paradigmas, afinal, é este mesmo tempo que exige mudanças nas formas de actuação. Viva a AIDA! Morais Canâmua

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