Jornal dos Desportos

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Opinio

Ajuste do calendrio visto como imperativo

25 de Agosto, 2017
A decisão de alteração dos actuais moldes de disputa do Campeonato Africano das Nações (CAN) de futebol, passando de 16 para 24 selecções, assim como a época da sua realização, saída no simpósio realizado entre 18 e 19 de Julho último, traduz um bom presságio para algumas medidas que se impõem também tomar a nível do nosso país.

A meu entender, a medida tomada pela Conferação Africana de Futebol (CAF), saída do simpósio realizado em Rabat, capital política do Reino do Marrocos, acaba, de certo modo, por beneficiar grandemente o desporto-rei a nível das nossas fronteiras. Digo isso não simplesmente pelo aumento do número de selecções a disputarem a prova, no caso mais oito em relação as anteriores dezasseis, mais sobretudo pela alteração da data realização dos CAN de Janeiro/Fevereiro para Junho/Julho.

Com essa alteração o futebol angolano, a título particular, sai a benefeciar pelo facto de nos meses de Junho e Julho os nossos jogadores, quer aqueles que evoluem em provas nacionais, quer os que actuam no exterior, têm já algum ritmo competitivo nas pernas.

Infelizmente tal não acontecia quando a disputa da maior montra do futebol nacional ocorria entre os meses de Janeiro e Fevereiro, respectivamente. A situação derivada dessa época de disputa da Taça das Nações em futebol fazia com que os jogadores nacionais entrassem para a competição sem qualquer ritmo competitivo, fundamentalmente aqueles que evoluem no Campeonato Nacional da I Divisão e noutras provas internas. Porém, o mesmo não sucede, pelo menos até agora, com aqueles evoluem em campeonatos fora das nossas fonteiras.

Grosso modo esta decisão do organismo reitor do futebol africano, apontado por muitos críticos como a primeira medida de peso da era de Ahmad Ahmad, após a sua eleição em Março último presidente do organismo que superitende a modalidade no continente. O malgaxe Ahmad Ahmad, que deixara no ar a promessa de fazer reformas a nível do futebol africano, superou durante o pleito eleitoral do organismo reitor da modalidade em África o camarões Hissa Yatoo, que permanceu mais de duas décadas no cargo.

Além dessas mudanças saídas do simpósio do Rabat, advinham-se outras medidas neste consulado de Ahmad Ahmad. Algumas dessas passam, indiscutivelmente, pela intenção manifestada em relação ao desenvolvimento do futebol no continente e as reformas nas competições a nível de clubes.

Por cá, no nosso país, acredito que as medidas saídas do simpósio de Rabat, Marrocos, possam, também, espevitar as mudanças que se impõem fazer a nível do futebol e particularmente no que toca ao calendário de disputa do Girabola Zap. Essas reformas devem, a meu entender, passar necessariamente pela alteração do calendário do Girabola Zap e ajustá-lo ao da disputa dos demais campeonatos do continente africano.

É uma medida que há muito se impõe, pois a actual realização de Fevereiro a Outubro tem estorvado o desempenho das equipas nacionais. Isto sobretudo no caso daquelas que evoluem nas provas sob a êgide da CAF, que, regra geral, entram nas competições sem qualquer ritmo competivo, um velho problema que se vai arrastando de ano para ano.

Terá sido em consequência disso que Artur de Almeida e Silva, actual presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) prometeu, durante a campanha que o conduziu para o cadeirão principal do organismo em Dezembro último, trabalhar nesse sentido. O também primeiro agente-FIFA angolano admitira, na ocasião, que este é um velho problema que lesa as equipas angolanas, que normalmente iniciam as provas sob a êgide da Confederaço Africana de Futebol (CAF) sem ritmo competitivo.

Não se restringindo a esse problema, o mais alto mandatário do órgão reitor do desporto-rei no país focara, também, na sua campanha aspectos ligados ao fosso do Girabola, derivado do longo período do seu interregno e outros factores. Nesse leque de propostas apresentadas na campanha constava, ainda, a criação de torneios regionais, Academia Nacional de Futebol, acções de formação no campo de treinamento, arbitragem, medicina desportiva e em outras áreas.

Porém, é imperioso que tais intenções mantenham-se firmes no seu consulado que já leva mais de seis meses. De resto cabe a própria estrutura da FAF, através do seu presidente de direcção e parceiros, encetar os primeiros passos nesse sentido, passando as várias acções que têm em carteira da teoria à prática. Isso é que espera para o bem do futebol angolano…
SÉRGIO V.DIAS

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