Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Algumas facetas do nosso desporto 42 anos depois

11 de Novembro, 2017
Hoje é dia 11 de Novembro de 2017. Passam, precisamente hoje, 42 anos desde que o nosso País, Angola, se tornou independente. Livre do jugo colonial que durante Cinco Séculos ocuparam o nosso solo pátrio. É para nós sempre motivo de alegria exacerbada comemorarmos esta data pelo seu significado transversal. Tão transversal que consome igualmente o desporto, a tal vertente social que arrasta multidões e inflama paixões.
É para já um privilégio termos que, num dia como hoje, falar do desporto que temos e que vimos fazendo ao longo dos 42 anos de independência. Na verdade, desses 42 apenas em 15 se goza uma paz efectiva. Quer dizer, durante 27 anos, Angola fez uma autêntica travessia no deserto procurando fazer a guerra, para acabar com a guerra. Mas, ainda assim, o desporto andou. Marcou passos. Evoluiu. Aliás, há quem diga que terão sido até anos airosos, se tivermos em conta que, mesmo com uma economia centralizada, as vitórias apareciam. Marcamos presenças em Jogos Olímpicos, organizamos Jogos da África Central, os campeonatos das mais distintas disciplinas eram realizados, as modalidades estavam revitalizadas e havia o essencial, cultura física desportiva e desporto para todos. Praticar desporto “era um dever revolucionário”.
O estádio da cidadela desportiva, na altura, era, pelo menos em Luanda, a catedral do futebol nacional. O seu pavilhão foi testemunho de vários títulos africanos de basquetebol que a irreverência de jovens angolanos fizeram brotar. Foram também nos anos em que o país esteve mergulhado na guerra atroz, em que se conseguiram feitos relevantes no atletismo, no futebol, no andebol enfim. Foi durante àqueles anos que a nossa irreverência nos levou a vencer o campeonato africano de futebol em Sub-20 (em 2001) e consequente participação no Mundial da categoria, na Argentina; a reestruturar e disciplinar o nosso futebol, que veio depois a culminar com a conquista do direito de disputar a fase final do campeonato do mundo de futebol (Alemanha 2006); enfim, foi durante àqueles anos que se teve a ilustre iniciativa de se formar muitos técnicos, quer no INEF como fora do País que, depois serviriam como a base de sustentação do desenvolvimento que se desenhava.
A estimulação das infra-estruturas desportivas veio então depois para sustentar também toda a avalanche que já se criava. Já com a conquista da paz definitiva, atrevemo-nos em acolher a organização do CAN Orange 2010 e, com ele, a construção de raiz, de vários estádios e recuperação de outros tantos. Foi uma autêntica revolução desportiva que, convenhamos, provocou efeitos benéficos para a nação desportiva embora sem a consequência que se esperava.
Hoje, 42 anos depois, eis-nos aqui. Superando gerações. Aceitando desafios mas, em alguns aspectos, claudicando. Precisamos reorganizar alguns aspectos que, reconhecemos, não andam muito bem. Nas principais disciplinas não temos conseguido conquistar a África. Temos que conquistar a África….
Precisamos de reestruturar pensamentos, mentalidades… precisamos de refazer os conteúdos e formas para que o desporto no geral e particularmente o futebol como modalidade rainha e talvez mais representativa que consome uma boa camada juvenil. A própria “geografia” do campeonato nacional não está todavia bem definida. Há que se definir os padrões e métodos de acesso à primeira divisão. Enfim temos que continuar a trabalhar arduamente para que o nosso futebol ganhe notoriedade, seriedade e que seja um produto capaz de gerar rendimentos para os clubes como acontece nos mais diversos lugares do mundo.
42 anos depois, está provado que temos potencial. Temos matéria-prima. Temos talento e isso falo em quase todas as disciplinas. O que está em causa é a apetência de conhecermos os caminhos e formas de colocar jovens atletas angolanos a actuarem nos mais variados campeonatos da Europa e não só e assim dotar de maior competência as nossas selecções. Assim, seriam maiores as garantias para disputarmos as eliminatórias em igualdade de circunstâncias com outras que, marcam presença regular nas mais altas rodas competitivas continentais.
Contudo as expectativas são animadoras. Reconhece-se que há todavia um longo caminho a percorrer mas há larga esperança. Aliás, o próprio Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço lançou já o mote e apontou a estimulação do desporto escolar e universitário, para além da formação e manutenção das infraestruturas desportivas como pontos fundamentais para recomeçarmos e conseguirmos atingir patamares altos a breve trecho.
Não gostaria de terminar sem fazer referências à alguns atletas que ao longo dos 42 anos de in dependência souberam, com empenho carregar bem alto a nossa bandeira. Refiro-me a Alfredo Melão, Gustavo da Conceição, Palmira Barbosa, Paulo Bunze, Damásio Júnior “Kaissara”, Elsa Freire, Alexandre Nascimento (Xadrez), Joaquim Diniz, Laurindo, Inguila, João Machado, Ndunguidi, Alves, Zé do Páu, Maluka, Vata, Abel Campos, Mendinho, Salviano, Manuel Pimentel, Dionísio de Almeida, Sebastião Reis, Júlio de Aveiro, enfim… uma lista interminável de nomes que merecem sim o nosso apreço e a nossa homenagem….

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »