Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Algumas notas apenas...

12 de Setembro, 2019
Decidi, mais uma vez, escrever um texto em que convergem assuntos do futebol e basquetebol, e como sempre faço em relação à «bola ao cesto», com o devido pedido de permissão aos especialistas que melhor que eu dominam os seus fundamentos, facto que não me coarcta a possibilidade de exprimir algumas notas sobre o assunto.
Apenas isso mesmo, algumas notas, pois no demais já terei feito menção no texto da semana passada intitulado “Aviso é o que não faltou”, - e como disse o meu amigo Tony Faria (não ganha nada com a publicidade gratuita), pequei por não encerrar o texto com o provérbio “Quem avisa, amigo é”.
De lá para cá foi como uma meia volta, a considerar as peripécias vividas pela Selecção Nacional depois de eliminada do Mundial, bem como na passagem por Bruxelas, de entre outras “maldades” possíveis de evitar, caso houvesse vontade de imitar o que de bom já foi feito em prol do basquetebol nacional, que (ainda) tem créditos por esta África fora e parte o mundo.
De desencantos em desencantos, nos chegam notícias de pretensão de abandono da Selecção Nacional por parte de jogadores que já foram as nossas maiores referências, tais como Eduardo Mingas, (aceitável pela idade que já vai cobrando alguma contenção de esforços), coisa que não pode ser dita na mesma proporção em relação à Carlos Morais e Yanick Moreira, que se calhar só querem pressionar melhor tratamento e respeito. Como não faltou mesmo aviso, que a prestação da selecção angolana no Mundial da China roçaria os ditames do vexame, a concretização foi uma questão de dias, ratificada pela vigésima sexta posição conseguida num universo de trinta equipas, ou seja, Angola foi a quarta pior, a contar de baixo.
E como se isso fosse nada, numa expressão de gozo com a capacidade de outros tantos com provas dadas em melhor saber e fazer em prol do nosso basquetebol, alguns dirigentes da Federação Angolana de Basquetebol se dão ao luxo de anunciar coisas como a continuidade do treinador e a manutenção deles nos cargos, como se tudo estivesse “ok camaradas”.
Faltará alguma sensibilidade ou existirá uma vontade velada, de colocar na lama tudo quanto foi conseguido ao longo do tempo, o que fez da referida modalidade, a par do andebol feminino, a alegria dos angolanos, quando o futebol não passava do quase?
Alguém tem que recordar, repito, aos actuais “inquilinos da FAB”, que a modalidade é uma espécie de património nacional e quem a gere, independentemente da época e das condições, deve ter em mente tal princípio corporativo, que o obriga a fazer igual ou melhor que os antecessores, pois, de resto, a rua deve ser o passo seguinte e, mais uma vez, fica o recado. E sobre o futebol, sobretudo dos Palancas Negras, contrariamente a promessa que (quase) fiz para mim de já não abordar o assunto neste meio, enquanto os gestores da Federação Angolana de Futebol forem os actuais, não tenho porque deixar passar em branco alguns aspectos dos dois jogos realizados com a Gâmbia, pontuáveis para a fase de grupos de apuramento ao Mundial do Qatar.
Mais do que as vitórias e consequente apuramento, muito não se pode apontar como positivo, porquanto ainda notou-se elevado amadorismo nas envolventes do jogo, que como sempre digo, não é só o que acontece no rectângulo do jogo, que é penas o corolário de uma cadeia de realizações, em que o mais importante é desconhecido como pertença de alguém. A guisa de exemplo, já não faz tanto sentido, que a preparação dos Palancas Negras esteja envolta em turbulência como a indefinição do local e hora de treinamento, situação que embaraça os jornalistas e os órgãos para os quais trabalham, com o direito-obrigação de informar um vasto público.
Noves fora o acima exposto, outras tantas questões passam, por exemplo, pelo mau exemplo protagonizado por alguns encarregados de educação que se fizeram presentes ao Estádio Nacional 11 de Novembro, acompanhados dos filhos, que os viram a deleitarem-se com elevadas quantidades de cerveja, acto de que não se isentou até mesmo um efectivo das Forças Armadas Angolanas, rigorosamente aprumado. São apenas algumas notas...Carlos Calongo

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