Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Alterao do incio do Girabola

12 de Janeiro, 2017
A cada ano que passa, a questão é sempre a mesma: como os representantes angolanos nas provas sob a égide da CAF se vão comportar nas primeiras eliminatórias, sabendo que vão encontrar adversários com mais jogos nas pernas?

Uma pergunta que fica longe de obter uma resposta. E, não é pelo facto de existir um novo elenco directivo na FAF que a curiosidade diminui, porque todos os anteriores elencos estavam ao corrente da situação, e nada fizeram para o alterar.

Quando se analisa a repercussão do desfasamento entre o início do Girabola e dos diferentes campeonatos do Continente, surgem em equação as implicações desportivas, porque os nossos representantes são normalmente afastados nas primeiras eliminatórias, salvo raras excepções.

Não estou numa de inventar o futuro. Não há dúvidas de que o milénio, mesmo para aqueles que o negam e o repudiam como superstição gratuita que é, exerce algum fascínio quanto mais não seja para acertar as agulhas da reviravolta que se pretende aos nossos representantes nas Afrotaças.

Talvez eu peque, por defeito de curiosidade ou parcimónia de informação, a verdade é que não dei até agora pelo influxo desta onda de progressos do nosso futebol, a nível de clubes na arena continental. Já tivemos algumas equipas em várias finais, mas não passamos disso.

Na edição passada, Angola esteve representada pelo Recreativo do Libolo que na disputa de acesso à fase de grupos, viu-se arredado pelo Al Ahly do Egipto. Na Taça CAF, esteve o Sagrada Esperança que substituiu o Bravos do Maquis, que cedeu o seu lugar ao finalista derrotado da Taça de Angola, por dificuldades financeiras. A equipa do Dundo, apesar da boa campanha, também falhou a entrada na fase de grupos.

Este ano, vamos ter mais duas equipas angolanas para tentar o inédito: a conquista de uma competição continental. Segundo o calendário da prova continental, a primeira “mão” das preliminares realiza-se entre os dias 10, 11 e 12 de Fevereiro. Os 16 avos de final, nos dias 10, 11 e 12 de Março, enquanto os oitavos de acesso à fase de grupos são disputados entre os dias 7, 8 e 9 de Abril.

O 1º de Agosto regressa nove anos depois, ao convívio dos grandes do continente africano, na qualidade de campeão nacional. A equipa do rio seco disputou uma final em 1999, diante do Esperance de Tunes, da Tunísia, vai estar engajada nas preliminares de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões.

A última vez que os militares estiveram numa competição continental foi em 2014, na qualidade de segundo classificado, quando o país ainda beneficiava da participação com mais de uma equipa na CAF. A prestação esteve aquém das expectativas. Foram afastados ainda na primeira ronda, frente o AC Léopards do Congo Brazzaville (1-0 e 1-4 nos dois jogos).

O adversário do 1º de Agosto é o Kampala City do Uganda, a segunda equipa mais titulada do país, com 11 troféus, secundado pelo Vita Sport Clube, com 16 troféus. Numa altura em que o Girabola encontra-se ainda no defeso, o adversário dos militares lidera o campeonato ugandês, totaliza 32 pontos, ao fim da primeira volta num campeonato disputado por 16 equipas.

O vencedor da preliminar defronta, na próxima fase, o campeão da última edição da Liga dos Campeões Africanos, o Mamelodi Sundowns da África do Sul, cujo campeonato está já na 15ª jornada. O Mamelodi só disputou ainda nove jogos, devido à sua participação no Mundial de Clubes, na qualidade de campeão africano.

Aliás, na Gala Africana, o Mamelodi Sundowns conquistou três prémios: clube do Ano, treinador principal ( Pitso Mosimane) e o jogador africano do ano, baseado em África. O seu guarda-redes, Denis Onyango, escreveu o seu nome no folclore africano do futebol, transformou -se no primeiro guarda-redes a arrebatar o prémio.

O 1º de Agosto defronta no dia 11 de Fevereiro, em Kampala, a formação do KCC do Uganda, na primeira mão. O jogo de resposta acontece entre os dias 17 a 19 de Fevereiro.

O outro representante angolano nas Afrotaças, o Recreativo do Libolo, fica isento desta primeira eliminatória na Taça CAF.
A precoce eliminação, nas provas africanas, é seguramente uma enorme desilusão para os adeptos e responsáveis das equipas angolanas. Isto para dizer, que tanto o 1º de Agosto, como o Recreativo do Libolo, na qualidade de representantes do País, não podem encarar os seus compromissos de forma leviana.

Independente do grau de dificuldades que possam encontrar, face à diferença de jogos com os seus adversários, têm de fazer tudo para os ultrapassar e saír dos encontros de consciência tranquila.

Por outro lado, peço ao novo elenco federativo que faça tudo que estiver ao seu alcance ,para que este gritante desfasamento entre o início do Girabola e os demais campeonatos continentais, seja ultrapassado, para bem do nosso futebol.
Até para a semana.

Policarpo da Rosa

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