Jornal dos Desportos

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Opinio

Amadorismo de algumas federaes

24 de Maio, 2017
Depois de um empate (2-2), diante do Níger, na jornada inaugural da aludida competição, onde os pupilos de Languinha Simão perdiam, por 0-2, os amantes do desporto-rei no país e não só, estavam eufóricos relativamente aquilo que poderia ser o desempenho da Selecção Nacional nas jornadas subsequentes.

Frente à Tanzânia, para a segunda jornada do Grupo B do CAN, os pupilos de Languinha Simão voltaram a mostrar classe durante os noventa minutos, apesar de terem consentido mais um desaire, desta, por 2-1.

Apesar de enfrentar na derradeira jornada a formação do Mali, actual campeã africana em título, Angola de uma maneira geral, augurava um triunfo sobre a forte selecção maliana e, consequentemente, à passagem para as meias-finais da competição que decorre no Gabão desde o pretérito dia 14.

Para os mais atentos, este desaire do combinado nacional no CAN do Gabão, não constitui surpresa alguma, porquanto, nada, mais rigorosamente nada foi feito por parte da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), instituição liderada por Artur Almeida e Silva, no sentido de proporcionar as melhores condições de trabalho aos nossos jovens jogadores que partiram para o Gabão sem realizar um estágio pré-competitivo no exterior do país, afim de efectuarem jogos com selecções que pudessem criar grandes dificuldades aos nossos bravos rapazes.

Apesar de ter garantido a qualificação para o CAN do Gabão bem no final do ano passado, os actuais responsáveis da FAF limitaram-se a festejar a vitória conseguida nas urnas, esquecendo-se completamente do compromisso internacional da Selecção Nacional de Sub-17, que 17 anos depois regressou a maior cimeira do futebol africano.

Mais do que criticar o trabalho da equipa técnica liderada por Languinha Simão, é imperioso que a direcção da FAF faça uma introspecção sobre o que pretende com o nosso futebol jovem e não só.

Entretanto, o futebol é aqui chamado a guisa de exemplo, porquanto a direcção da Federação Angolana de Basquetebol, agora encabeçada por Hélder Martins da Cruz \"Maneda\", ao que tudo indica, está a cometer o mesmo erro, relativamente à Selecção Nacional masculina de Sub-19, que a partir do dia 01 de Julho do ano em curso, começa a competir no Campeonato do Mundo da categoria, prova a disputar-se pela primeira vez no continente africano, mais concretamente, no Egipto.

A menos de 38 dias para o arranque da fase final do Campeonato do Mundo, se desconhece a composição da equipa técnica e muito menos o plano de preparação do cinco nacional.

Se é verdade que Angola não vai ao Campeonato do Mundo do Egipto para lutar pelo tão prestigiado título mundial, parece-me que era de todo aceitável que nesta altura a composição da equipa técnica fosse já uma realidade e quem sabe, os trabalhos já deveriam estar a começar, dado o nível de exigência que a própria competição coloca às selecções participantes.

Manuel da Silva \"Gi\", técnico angolano, que com todo brio profissional conseguiu oferecer ao país dois títulos, a nível das selecções jovens (Sub-16 e Su-b18), merecia outro tipo de tratamento por parte da direcção da FAB.

Se para o Afrobasket de Sub-18, Manuel da Silva \"Gi\" teve sessenta sessões de treinos, para o Campeonato do Mundo, o actual coordenador do basquetebol do Ferroviário tencionava fazer noventa sessões, número que dificilmente será atingindo, em face do pouco tempo que resta, para o início da competição.

Ao que tudo indica a direcção da Federação Angolana de Basquetebol está mais preocupada e trazer o Afrobasket sénior masculino para Angola, do que definir a equipa técnica e criar as condições de trabalho para o combinado nacional de Sub-19.

Este tipo de postura por parte das nossas instituições desportivas de estar a trabalhar sempre em cima do joelho, revela um autêntico amadorismo que não se compadece com a alta competição.
Melo Clemente

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