Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Amadorismo do Santa Rita

20 de Junho, 2017
PONTO PRÉVIO: Este texto foi escrito numa altura em que a primeira jornada da segunda volta do Girabola ZAP ainda não estava concluída e apenas uma equipa havia conquistado a vitória, no caso, o Petro de Luanda, sobre o sempre difícil Progresso do Sambizanga. Neste sentido, algumas coisas que foram ou não escritas, em relação à jornada deste fim de semana poderão ter ou não sentido neste momento que o leitor está a ter contacto com texto, que é tão somente mais um exercício de opinião que, com muito gosto e prazer, tenho partilhado consigo, amigo leitor.

Mais do que ser o regresso do campeonato nacional de futebol, para o gáudio dos apaixonados da modalidade, bem haja a festa do desporto rei, que se torna mais apetitoso e saboroso, nesta altura em que noutras paragens registam-se defesos e permite maior atenção ao que é nosso, é nacional, saboroso, e eu gosto.

Porém, para o essencial desta peça jornalística pensei ater-me nas agremiações da Santa Rita de Cássia e do Recreativo da Caala, não pelo desempenho delas na prova, mas como devem imaginar, pelas recentes trocas de treinadores nelas ocorridas, cujas razões desmerecem qualquer que seja nota positiva, claro, de minha parte.

Em relação a equipa das terras do bago vermelho, fiquei com a impressão de que existe um profundo amadorismo directivo, pois só assim torna possível a compreensão do que se passou quanto as saídas e entradas de treinadores com suspensões, suspeições e acusações de todo tipo que em nada dignificam a modalidade.

Ainda tenho presente na minha fraca memória, a forma convicta como o Presidente de Direcção do Santa Rita de Cássia, num programa em directo, apresentado por uma estação televisiva angolana, disse \"não haver qualquer tipo de problemas financeiros para suportar as despesas da equipa no seu ano de estréia na alta fina do futebol nacional\".

À mim, a forma como a direcção do Santa Rita apresentou a época, permitiu interpretar que a força do chicote psicológico jamais visitaria o balneário da referida equipa, tendo-me enganado, porquanto a realidade mostrou-se contrária ao projectado.Hoje aproveito fazer uma revelação em relação ao que na altura disse, em \"off de recorde\", sobre o pronunciamento do dirigente máximo da equipa do Uige que não passava de um discurso cheio de vazio, e mais não digo, pois as evidências estão aí como a verdade que vem sempre ao de cima.

Uma última nota sobre a equipa Católica, tem que ver com o facto de, em todos os jogos que realizou com os chamados grandes do Girabola, (Petro, 1º de Agosto, Kaburscorp e Libolo), a equipa logrou resultados não tão desnivelados, aliás, fora das expectativas de quase todos, o que permite \"desconfiar\" que a equipa está talhada para não ser goleada pelos grandes, apenas isso?

Virando o leme para o planalto central, na mesma senda da chicotada psicológica, o Recreativo da Caála voltou a protagonizar uma façanha, mandando embora o treinador Alberto Cardeua, que até foi contratado para retirar a equipa do marasmo em que se encontrava no início da época.
Respeitando as razões que a direcção teve para assim proceder, expresso o meu voto de censura a tal acto da administração da equipa do Huambo, que merecia mais respeito e melhor trato, até por que, a equipa não está mal classificada até ao momento da troca de treinadores.

Em relação ao técnico ora contratado, talvez deveria olhar além do bolso, - e não digo que só pensou na massa-, mas, na forma como foi tratado por altura da sua primeira passagem pela referida equipa que ainda tem na estrutura um dos homens que decide e implementa o que lhe convém, nem que seja sobre atropelo de regras elementares da gestão moderna.

Todavia, não cabe a mim fazer o papel de advogado em causa alheia , mas, enquanto agente desportivo ligado ao jornalismo, sinto-me obrigado a trazer à reflexão temas como este, acautelando futuras situações não tão desejáveis e que em nada colorem o mundo do futebol em particular e do desporto no geral, que deve ser de facto um mundo emotivo, que não permitissem deslustres de tamanha humilhação.
Carlos Calongo

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