Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Amigos do chicote?

04 de Maio, 2017
As chicotadas psicológicas com frequência têm sido o meio usado por varias direcções de clubes para justificarem os maus resultados. È verdade que em algumas situações tais atitudes se justificam.

É interessante que mais de 80% das chicotadas acontecem em equipas com um orçamento doente. E com um orçamento deficiente é impossível montar uma equipa ganhadora.

Por exemplo, enquanto teve um orçamento gordo o Petro de Luanda, foi dono e senhor do Girabola e como fruto disto conquistou os 15 títulos que ostenta. A partir do momento em que a equipa se viu reduzida em termos de orçamento as coisas mudaram drasticamente chegando ao ponto de em 2014 a sua direcção renunciar o estatuto de candidato ao título. No período de três anos (2014-2017) os tricolores da capital tiveram de se contentar com a prata da casa que resultou no aproveitamento de jogadores como Carlinhos, Erinilson, Manguxi e outros que estão a brilhar no Girabola.

No caso em referência, o Petro da capital está em jejum de títulos há mais de sete anos porque já não consegue agrupar os melhores executantes no seu clube como acontecia em anos anteriores.

Este exemplo indica, claramente, que os orçamentos determinam os resultados dos clubes como são o caso de equipas como Real Madrid e do Barcelona de Espanha.

Isto implica dizer que com orçamentos saudáveis os clubes podem montar uma equipa forte capaz de lutar para títulos ou manter-se na primeira divisão.

Nestes casos, a direcção terá motivos validos para chicotear o treinador se a equipa não render o que se espera dela.

Entretanto, o que mais me espanta é a forma em que alguns treinadores se colocam em situações de serem chicoteados a qualquer momento.
Qualquer individuo que conheça e entenda de futebol percebe facilmente que treinar um clube como o 1º de Maio de Benguela, JGM, e outras do mesmo nível é como andar sobre brasas. È impossível que alguém ande sobre brasas sem chamuscar os pés. A história do futebol nacional e Mundial está repleta de exemplo de chicotadas psicológicas e os treinadores devem aprender delas.

Não importa se as chicotadas são ou não justas. Agora, colocar-se à disposição de levar uma \"chicotada\" é uma questão de escolha e isto acontece quando um treinador aceita substituir um colega chicoteado num clube com dificuldades financeiras.

Em função do acima exposto podemos dizer que as direcções dos clubes são livres de chicotearem os treinadores quando quiserem, com ou sem motivos válidos.

Assim sendo, os treinadores é que devem reflectir profundamente antes de aceitar dirigir um clube. Ao contrario, estará sendo um verdadeiro amigo do chicote e ninguém poderá acudir.

Tem sido dito: quem apanha por gosto não pode queixar-se e muito menos reclamar.
Augusto Fernandes

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