Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Amistoso(s) falhado(s)

20 de Junho, 2019
De regresso ao Egipto treze anos depois, a 32ª edição da Taça de África das Nações, que marca a oitava presença de Angola nesta grande montra do futebol continental, tem a particularidade de, pela primeira vez, ser disputada por 24 selecções do continente.
Para já, neste seu retorno à elite do futebol africano, após falhar as edições de 2015 e 2017, na Guiné-Equatorial e Gabão, respectivamente, a Selecção Nacional de honras vê a sua campanha marcada por alguns percalços, sobretudo no que concerne a problemas havidos entre jogadores e o órgão reitor da modalidade no país. Contudo, o diferendo entre as partes foi resolvido depois de a Federação Angolana de Futebol (FAF) ter chegado a acordo com os jogadores, relativamente a prémios monetários.
Agora, se, por um lado, neste quesito as coisas foram superadas, no concernente a preparação do conjunto, para esta edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), cujo pontapé-de-saída é dado amanhã, com o jogo entre a equipa da casa, o Egipto, e o Zimbabwe, referente ao Grupo A, nem por isso correm de feição.
Os Palancas, nesse momento colocados na 123ª posição do “ranking” da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), e que têm a sua estreia marcada para a próxima segunda-feira, dia 24, diante da Tunísia, fizeram até agora um único jogo de preparação.
O conjunto, que depois do amistoso realizado dia 7 do corrente mês, na região portuguesa de Penafiel, diante da congénere da Guiné-Bissau e em que venceu por 2-0, viu cancelado o segundo que deveria opor ontem, já em terras egípcias, à África do Sul, e o outto com o Camarões, que se chegou a cogitar em Espanha, durante a preparação.
Com efeito, as razões justificadas para a não realização deste encontro particular com os Bafana Bafana, é que parecem não colher muito bem. Falou-se de questões de segurança, dada a morte, na segunda-feira, do ex-Chefe de Estado egípcio Mohamed Morsi, durante uma audiência em tribunal, e em anulação do jogo a pedido do seleccionador nacional, Srdjan Vasiljevic, alegadamente para proteger os jogadores de eventuais lesões, por não terem feito nenhum treino específico, por dificuldades de campo, desde a chegada ao Egipto.
Se a morte do ex-presidente, que chegou ao poder um ano depois da Revolução do Nilo, desencadeada pela Primavera Árabe, que provocou a queda do ex-presidente Hosni Moubarak, não terá sido o mote que provocou a anulação do jogo com os sul-africanos, o mais provável é o não pagamento do aluguer do recinto para realização do mesmo. Comenta-se, mesmo, que faltou, da parte da FAF, o arrendamento de recinto para a equipa trabalhar, pois apenas a partir ontem, Angola e as demais as selecções participantes estariam sob responsabilidade do Comité Organizador do CAN.
Antes disto, todas as despesas com alojamento, transporte e campo de treino eram de responsabilidade dos concorrentes. Desse modo, o(s) amistoso(s) desperdiçado(s) por Angola não deixa(m) de criar inquietação sobre as reais performances do grupo de trabalho. Ainda assim, reina grande expectativa em torno dos Palancas que têm ambições de chegar o mais longe possível na prova. A ver vamos!!!...

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