Jornal dos Desportos

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Opinio

Angola: 41 anos de desporto e vitrias

17 de Novembro, 2016
Desportivamente falando, até antes da independência em 1975, Angola dependia da sua metrópole(Portugal). Praticamente não haviam infra-estruturas suficientes, havia poucos praticantes, fracas prestações a nível internacional, um sistema desportivo em estado de subdesenvolvimento. O sistema colonial apostava mais seriamente no futebol e hóquei em patins.

Luanda, Benguela, Huambo e Lubango, eram os principais palcos desportivos do pais, sendo que São Carmona(Uige) e Luso(Moxico) eram as cidades a seguir com um orçamento razoável a nível do futebol.

Naturalmente o futebol sempre foi a modalidade mais preferida dos Portugueses/Angolanos em parte por ser mais fácil de praticar e de regras facilmente entendíveis.

A maioria dos clubes existentes na verdade eram filiais de clubes Portugueses. Tínhamos o Benfica em Luanda, Benguela, Sá da Bandeira(Lubango) e Huambo o Sporting em Cabinda e Benguela e o Académica do Lobito. Depois da independência, o estado angolano passou a organizar e financiar o desporto.

Assim e com as estreitas relações que tinha com o bloco Socialista especialmente com a União Soviética, Cuba, Hungria, Jugoslávia e outros, o Governo Angolano traçou duas grandes linhas de desenvolvimento desportivo em que o estado se empenhava directa e activamente que eram a massificação desportiva e a participação dos agentes desportivos na conceitualização e organização do sistema desportivo.

Na esteira deste pensamento o Estado criou o em Fevereiro de 1979 Comité Olímpico Angolano e algumas federações com destaque para a de futebol que na época tinha cerca de 8171 praticantes agregados em cerca de 220 clubes, isto em 1983. Em 1986 inicialmente mas houve uma diversificação e crescimento das praticas desportivas e aumento significativo de praticantes.

Com criação da Secretaria de Estado da Educação Física e Desportos, que mudou para Ministério da Juventude e Desportos em 1989, o desporto angolano foi cada vez mais se diversificando ressurgindo outras modalidades como o Andebol, Atletismo, Voleibol, Natação e surgindo outras como o Taekwondo, Judo, Ténis de Mesa, Desporto para deficientes e outros, todos ele agrupados em Federações.

Fruto da experiencia que foi ganhando com as relações desportivas que tinham com a antiga União Soviética e outros países do bloco socialista Angola começou a participar em jogos Olímpicos, tendo feito a sua estreia nos jogos de Moscovo em 1980 depois esteve em Seul, Barcelona, Atlanta, Sidney, Atenas, Londres e Rio de Janeiro.

As modalidades mais vencedoras são o basquetebol com 11 títulos continentais, com destaque para jogadores como José Carlos Guimarães, Zezé Assis, Jean Jacques, Miguel Lutonda, Vítor Carvalho, Baduna, Ângelo Vitoriano e muitos outros comandados por cerca de 8171 praticantes agregados em cerca de 220 clubes, isto em 1983. Em 1986 este numero subiu para cerca de 15.999. Em 1987, o numero pulou para 21.371 praticantes que participavam em competições organizadas em 15 modalidades.

Entretanto, alguns elementos impeditivos como a guerra continuada, a falta de quadros e de algum voluntarismo dificultaram a concretização dos objectivos traçados inicialmente mas houve uma diversificação e crescimento das praticas desportivas e aumento significativo de praticantes.

Com a criação da Secretaria de Estado da Educação Física e Desportos, que mudou para Ministério da Juventude e Desportos em 1989, o desporto angolano foi cada vez mais se diversificando ressurgindo outras modalidades como o Andebol, Atletismo, Voleibol, Natação e surgindo outras como o Taekwondo, Judo, Ténis de Mesa, Desporto para deficientes e outros, todos ele agrupados em Federações.

O andebol feminino, com vários títulos a nível da Selecção nacional com jogadoras como Palmira Barbosa, Marcelina Kiala, Maura Faial, Nair e outras, clubes como o Petro de Luanda, que ostenta mais de 15 títulos, o 1º de Agosto, que agora está a substituir o Petro, têm dominado a modalidade praticamente sem oposição.

Em termos de modalidades individuais, o atletismo para-olímpico, com destaque para José Sayovo, já arrecadou cerda de quatro medalhas de ouro conquistadas em plenos jogos para Olímpicos de Atenas em 2008 e de Londres em 2012, boxe, xadrez, e outras está em alta a nível do continente Africano.

Em hóquei em patins, depois da tentativa falhada em 1974, da realização do primeiro Mundial em Angola, em 2013 realizou-se o primeiro em solo pátrio tendo o cinco nacional ocupado o modesto nono lugar, diante de selecções como Portugal, Chile, Espanha, França.

O futebol, a modalidade rainha com uma presença num Mundial de futebol em 2006 na Alemanha continua a ser o desporto favorito dos angolanos com cerca de sete participações em fases finais do Campeonato Africano das Nações (CAN). Jogadores como Joaquim Dinis, Pedro Garcia, Ndunguidi, Salviano, Praia, Santinho, Jesus, Vicy, e posteriormente Akwá, Flavio, Gilberto, Zeca Langa e muitos outros contribuíram para momentos gloriosos do nosso futebol.

Em 2010, Angola organizou o seu primeiro CAN. Nesta ocasião deu para ver que o futebol é uma espécie de “religião” principal dos Angolanos, é um factor de unidade nacional mais do que qualquer outra organização social. Quando os Palancas Negras, entram em acção mesmo não jogando bem o pais para. Todos, independentemente de sua religião, tribo, raça, nível social, esquecem as barreiras que estes factores normalmente causam na sociedade.

Mas apesar de ser a modalidade predilecta da maior parte dos angolanos é exactamente no futebol onde reside o maior "handcap" do desporto Angolano especialmente de 2006 até a presente data. Será que nos próximos 41 anos os nossos futebolistas reverterão o actual quadro? Vamos esperar para ver.

Augusto Fernandes

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