Jornal dos Desportos

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Opinio

Angola e a COSAFA

26 de Maio, 2018
A recente convocatória para a preparação da selecção nacional de futebol, vulgo Palancas Negras, feita, em conferência de imprensa por Srdan Vasiljevic, pode ser um prenúncio para que Angola volte a inscrever o seu nome na arena do futebol regional, onde, em tempos idos, conquistou troféus em diferentes categorias. Trata-se da Taça COSAFA que, infelizmente, alguns insistem em dar pouca importância.
Porém, a devida importância não pode também ser por motivações bizarras, nem que sejam legítimas. Não se pode pensar e encarar a COSAFA como uma prova onde teremos hipóteses de conferir rodagem competitiva ao combinado nacional, em face das eliminatórias para o CAN, em que de resto estamos apostados em regressar. Na verdade, a aposta máxima é o CAN, como sendo a maior mostra do futebol africano em termos de selecções.
Neste contexto, juntando o facto de os Palancas Negras terem um seleccionador novo que procura afirmar-se, conhecer bem os recursos humanos e, enfim, lutar pelos objectivos principais, precisa, convenhamos, de competitividade, de coesão, de reforço, de espírito de grupo e capacidade de organização. Deste modo, a Taça COSAFA, tal como foi já o CHAN, acaba por conferir mais-valias e argumentos relevantes no que a preparação e a capacidade competitiva diz respeito.
Os Palancas Negras entram agora em regime preparatório para, de 27 de Maio à 9 de Julho, cimentarem os seus processos de jogo, criar hábitos saudáveis aos seus jogadores e, sobretudo, criar uma mentalidade e motivação ganhadora no seio do grupo. Dai, a razão de Vasiljevic chamar uma fornalha de atletas, incluindo os que actuam na diáspora, que deverão emprestar a sua larga experiência para que a nossa selecção consiga, de facto, repetir as proezas dos anos de 1999, 2001 e 2004 onde triunfaram, trazendo o troféu para o País.
Na verdade, o grupo B, em Angola faz parte conjuntamente com as suas congéneres do Botwana, Malawi e Ilhas Maurícias, conferem um alento de os Palancas Negras poderem brilhar na prova. Não que os seus adversários sejam de menor quilate ou inferiores, antes pelo contrário, essas três formações da região austral do nosso continente, têm feito apostas visíveis nas camadas mais jovens e não estranhará o facto de colocarem em prova uma selecção composta de jovens Sub-23.
Aliás, aquilo que vimos dos sub-20 de Malawi, que há semana desfeitearam o nosso combinado da categoria, quando esta já sonhava com a eliminatória seguinte, depois de vencer em casa alheia, é a prova mais eloquente.
Portanto, os Palancas Negras vão para esta competição onde, repito, tem alguma tradição, avisados e dispostos a discutir o ceptro. Aliás, outra coisa não se pode pensar, porquanto a nossa selecção procura alguma afirmação, primeiro aqui na parte austral e depois, na África do futebol, onde ainda tem a porta aberta para discutir a qualificação para a fase final do CAN. Ai sim, será mesmo a doer já que é isso que procuramos há alguns anos.
Para mais uma edição da Taça COSAFA, recomenda-se aos Palancas Negras muita competitividade, concentração, responsabilidade e muita crença, na perspectiva de resgate da nossa identidade. Da identidade do futebol nacional que, convenhamos, precisa de um alento maior. Precisa, isso sim, de uma lufada de ar bastante fresco, para recompor as competências que até temos. O que nos falta e, geralmente, o que se nos apontam, é a falta de organização.
Sim, infelizmente, temos que admitir que não temos organização suficiente para atingir os patamares desejáveis. Precisamos de ainda mais. A organização não se compra na farmácia. Faz parte de um sistema de gestão bem concebido e estruturado e ela, a organização, aparece de per si.
Por outro lado, precisamos reforçar sempre a disciplina e os critérios filosóficos de actuação, onde a estratégia e a táctica depois se encaixam. Isso se concebe quando, a partida, se definem os objectivos, as metas, enfim, para, no traçar dos planos operacionais possamos executar as coisas de maneira científica, como o fazem as verdadeiras equipas de futebol de todo continente e do mundo, onde Angola é parte integrante.
Temos que ambicionar mais. Temos que pensar grande. Mas, para isso, meus senhores, é preciso organização. Temos que nos organizar se quisermos subir degraus de forma sustentável. Não podemos nos embandeirar em arco, quando aqui e ali conseguimos algum resultado positivo que, por vezes, acabam camuflando algumas insuficiências, que os agentes do futebol teimam em perpectuar.
A taça COSAFA afigura-se como uma porta escancarada para que aconteça de facto o volte-face. Botswana, Ilhas Maurícias e Malawi, serão os nossos adversários na prova. Todas compõem o grupo B. Uma vitória no primeiro jogo pode sacudir a pressão e provocar maior confiança, e a jusante e a montante conferir à nossa selecção capacidade e competitividade para honrar o futebol de Angola.
O seleccionador nacional, agora mais conhecedor das realidades do nosso futebol e dos atletas, tem possibilidades para montar um bom grupo e, competitivamente, lutar de igual para igual com os seus concorrentes.
Srdan Vasiljevic, acredito, deverá ter escolhido os melhores do momento para montar uma equipa capaz de fazer uma prova boa.Julgo que o primeiro objectivo será posicionar-se nos dois primeiros lugares para se apurar para as meias finais e, depois, ambicionar outros voos, entre os quais a final e, porque não, vencê-la!
Aqui vai o nosso voto de confiança à nossa selecção, os nossos Palancas Negras, para que consigam de facto, fazer uma boa campanha na COSAFA. É necessário interiorizar que Vasiljevic projecta esta participação no sentido de conferir traquejo e competitividade ao combinado nacional, com vista os jogos para as eliminatórias do CAN, nomeadamente com o nosso adversário directo, o Burquina Faso.
Sendo igualmente importante, a COSAFA acaba por ser a rampa de lançamento para a reconquista da África do futebol que, de resto perseguimos.
É caso para dizer: COSAFA, para quê te quero!
MORAIS CANÃMUA

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