Jornal dos Desportos

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Opinio

Angola espreita xito no Egipto-2019

22 de Junho, 2019
Depois de se ter dado ontem o pontapé-de-saída da 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), com a anfitriã, selecção do Egipto, a bater no jogo inaugural da prova, a similar do Zimbabwe, no Estádio Olímpico do Cairo, referente ao Grupo A, os holofotes estão centrados nos jogos de hoje.
Porém, a festa que retorna as terras das majestosas e seculares pirâmides egípcias treze anos depois, há-de centrar as atenções dos prosélitos do rei-futebol no continente Berço da Humanidade até 19 de Julho próximo.
Para já, Angola, que regressa seis anos depois a um CAN, tem a sua estreia marcada para a próxima segunda-feira, dia 24, frente a Tunísia. Os Palancas Negras, que falharam as edições de 2015 e 2017, realizadas na Guiné-Equatorial e Gabão, desfilam pela oitava vez na mais alta-roda do futebol continental.
Os angolanos, que se estrearam na edição de 1996, realizada na África do Sul, participaram ainda nas de 1998 (Burkina Faso), 2006 (Egipto), 2008 (Ghana), 2010 (no CAN que o país organizou), 2012 (Guiné-Equatorial e Gabão) e de 2013, que teve ainda como palco a pátria de Nelson Mandela. Portanto, foram sete edições em que Angola marcou presença, que se juntando a esta totaliza oito.
E, como não podia deixar de ser, é enorme a expectativa em torno de mais esta presença dos Palancas Negras, na elite do futebol continental, sobretudo por alguns contratempos, que marcaram a preparação do conjunto e que chegaram a colocar em xeque, o “bom ambiente”, que se esperava na antecâmara deste torneio. Houve ameaça de greve por parte dos jogadores, por causa dos prémios monetários.
Apesar desses focos de tensão, havidos entre os jogadores e o elenco directivo da Federação Angolana de Futebol (FAF), o “bom senso” acabou por “imperar”, depois de ultrapassado o diferendo entre os jogadores e o órgão reitor da modalidade no país, que, para alegria de todos, chegaram a um acordo sobre os subsídios diários para os atletas, membros da equipa técnica e outros integrantes do conjunto. Em relação aos prémios de jogo, sabe-se também que cada integrante da Selecção Nacional pode acumular valores, que vão dos 10 mil aos 40 mil dólares caso o conjunto atinja as meias-finais.
É ponto assente, que os 250 mil dólares que a FAF já beneficiou da Confederação Africana de Futebol (CAF) para esta prova que o Egipto alberga, de um total de 500 mil previstos, não cobre todos esses encargos, mas ainda pode-se colocar o preto no branco com outros apoios institucionais que a Selecção Nacional há-de beneficiar. O mais importante aqui é que nada atrapalhe a campanha, que se espera seja coroada de êxitos.
E, se efectivamente todos esses pressupostos que se desenham em relação a campanha da Angola nesta grande montra do futebol africano passarem da teoria à prática, então esperamos que a equipa às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic consiga fazer da excelência uma divisa. A excelência que se preconiza, passa, efectivamente, por uma campanha de “encher os olhos”, se atenderemos ao facto de que meta traçada é chegar o mais longo possível nesta edição do CAN.
Os Palancas Negras lograram, com efeito, em duas ocasiões, a qualificação aos quartos-de-final, daí que, na presente edição, têm de procurar elevar ainda mais a fasquia. É bem verdade que por força do aumento de dezasseis para 24 selecções a partir desta 32ª edição, o quadro torna-se mais complicado, porque no actual formato, quem transpõe a primeira fase já não entra directamente nos “quartos”, mas apenas para os “oitavos”.
Quer isto dizer que no Grupo E, em que vai competir ao lado do Mali, Mauritânia e da Tunísia, com que se estreia segunda-feira, em Suez, Angola terá uma missão bastante espinhosa. As Águias de Cartago são, assumidamente, os mais sérios candidatos a ocupar a primeira vaga de acesso aos “oitavos”, enquanto os malianos e mauritanianos vão tentar, conjuntamente com os Palancas Negras, discutirem a segunda.
Por isso mesmo, torna-se fundamental Angola fazer um bom jogo na estreia frente a Tunísia, para daí tentar dar passos mais seguros rumo a qualificação aos “oitavos”, assumidamente o primeiro grande objectivo. Um eventual empate diante da selecção do Magreb seria um bom agouro para início de campanha, mas se ao invés disto a Selecção Nacional elevar um pouco a fasquia com um triunfo, então será “ouro sobre azul”.
Na segunda jornada, os Palancas vão enfrentar os “Mourabitones” da Mauritânia, adversário que bem conhece e que defrontaram por duas vezes, durante a fase de apuramento em que partilharam o Grupo I. No primeiro jogo, os angolanos venceram por 4-1, em Luanda, a 12 de Outubro de 2018, e, cinco depois, baquearam aos pés desta, com derrota de 1-0, em Noakchoutt, capital mauritaniana.
Contudo, no fecho das contas do primeiro turno deste CAN-2019, os angolanos cruzam com as “Águias” do Mali, que alguns “experts” consideram como seus adversários directos, na eventual discussão da segunda vaga do grupo.
SÉRGIO.V.DIAS

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