Jornal dos Desportos

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Opinio

Angolanos a beira de conquistar o Mundo

29 de Setembro, 2018
Reconheço que neste espaço de opinião, ao longo desses tempos, pouco ou nada escrevo sobre o desporto adaptado. Reconheço inclusive ser isto uma autêntica “gaff” e até desrespeito de quem, como esses “heróis” nos honram e se auto-valorizam numa autêntica conquista de superação e elevação de auto-estima. O exemplo de José Sayovo Armando é o que mais rápido me vem à mente.
Mas, hoje, aqui e agora, não abrirei o leque para escrever de todo desporto adaptado obviamente, mas apenas e só do futebol. Futebol adaptado ou, como o chamam, futebol para amputados. Ou ainda futebol com muletas. Sim, vou falar deste tipo de futebol, que também é futebol, que conquista a África e o Mundo.
Quero recordar desde já que, a nossa selecção nacional é neste momento a detentora do segundo lugar mundial da modalidade que decorreu em 2014, no México, perdendo na final, diante da forte selecção da Rússia, por 1-3.
Do mesmo modo, prepara-se para defender este segundo lugar conquistado há 4 anos, no próximo campeonato do mundo a ter lugar em Guadalajara, igualmente na cidade de Culiacan, no México, de 25 de Outubro a 5 de Novembro do corrente ano. Angola está enquadrada no grupo D, conjuntamente com as suas congéneres da Espanha, com quem joga na jornada inaugural, no dia 28 de Outubro, Ucrânia (dia 29) e Haiti (dia 30).
Para lá da participação do combinado nacional e, se calhar das apetências legítimas, em querer ser mais do que vice, a selecção representa um país, como Angola que tem um passado de luta e agora experimenta um presente glorioso. Ou seja, ainda que muitos dos praticantes do desporto adaptado no nosso país sejam pessoas deficientes em consequência do conflito armado que dilacerou Angola durante cerca de 40 anos, é mister dizer que o fazem com imenso patriotismo. Demonstram que Angola é de facto trincheira firme da revolução em África conforme um dia disse o pai da nação: o Doutor António Agostinho Neto. Demonstram, na prática, o vigor do povo angolano.
Mas, para ser franco, isso é de facto uma imensa vitória porque assim, o angolano demonstra a sua grandeza ao mundo. A sua humildade. A sua capacidade de superação numa sociedade inclusiva. Mais, do que isso, demonstra que a diplomacia desportiva pode também ser feita por eles e, de forma bastante marcante e com verdadeiro patriotismo.
Ao marcar presença em mais uma edição do campeonato do mundo de futebol adaptado, no cômputo de 24 renomadas selecções é, sem margem para dúvidas, algo relevante e que carrega um simbolismo enorme no ponto de vista patriótico, num país onde há ainda amiúde, alguma estigma em relação às pessoas com deficiências.
O que devemos saber de cor e salteado é que esses “diplomatas desportivos” merecem respeito e carinho de todos os angolanos no sentido que criarmos sinergias válidas para que repitam o feito ou, sejam os novos campeões do mundo.
Quem chega a vice-campeão, onde militam selecções de alto gabarito no que ao futebol para amputado diz respeito, não é uma selecção qualquer.
Aqui, o reconhecimento vai igualmente para a direcção do Comité Paralímpico Angolano e, principalmente para a comissão técnica da equipa de futebol que tudo faz, no ponto de vista logístico e financeiro para que se salvaguarde a preparação cuidada para enfrentar o mundial de Guadalajara.
Os componentes da equipa nacional, os atletas, evoluíram recentemente num campeonato nacional bastante competitivo cujo campeão foi a equipa da província do Huambo e, com isso provocou que fossem observados outros valores e talentos.
O seleccionador nacional, Augusto Baptista, sempre com um discurso humilde, sabe bem com que linha o combinado nacional se deverá coser. Aliás, o facto de convocar Pedro Victor, melhor marcador do campeonato nacional recentemente disputado na província de Benguela, com 13 golos, e os novatos, os guarda-redes Sebastião Cacumba e Augusto Lilito (Moxico), os médios Hilário Cafula e Basílio Manico (Benguela) e os atacantes João Chiquete (Huambo) e Catarino Carvalho (Bengo), só para citar alguns.
Devemos nos sentir regozijados e identificados com esta selecção que, brevemente representará mais uma vez Angola numa prova mundial e vai tentar conquistar o campeonato do mundo.
Morais Canãmua

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