Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Angolanos com olhos postos em Barcelona

09 de Março, 2019
É uma grande honra voltarmos a falar, neste nosso espaço escrito “a duas mãos”, da modalidade de hóquei em patins, por razões óbvias. Na verdade, quando o meu companheiro Sérgio Vieira Dias propôs o tema aludindo que falássemos do “Africano” que decorre desde ontem no nosso País, rejubilei. É que, falar desta modalidade encerra cuidados mil e alguma responsabilidade também por ser ela, por si só, mundialista. Sim! O hóquei em patins é de facto uma modalidade mundialista e, diria mais, “Porta-Estandarte Nacional” pela imensa representatividade que tem tido pelo mundo, girando e gingando com a nossa Bandeira.
Entretanto, a história de Angola, no que ao hóquei em patins diz respeito é longa e gloriosa. E deste imenso cortejo destacamos esse leque que começou, precisamente em 1982, na localidade de Barcelos, Portugal, Angola marcou a sua primeira presença num campeonato do Mundo, onde, a partir de então passou a fazer parte da elite, voltando em 1986 (Sertãozinho-Brasil); em 1988 (Corunha-Espanha); em 1989 (San Juan-Argentina); em 1991 (Porto-Portugal); em 1993 (Bassano-Itália); em 1995 (Recife-Brasil); 1997 (Wuppertal – Alemanha); 1999 (Réus-Espanha); 2001 (Novamente San Juan-Argentina); 2003 (Oliveira de Azeméis- Portugal); 2007 (Montreux-Suíça); em 2009 (Vigo-Espanha); 2011 (em San Juan-Argentina), até que, em 2013, o nosso País teve a “ousadia” de organizar nas cidades de Luanda e Namibe essa prestigiada competição; 2015 em La Roche-Sur-Yon (França) e, por último em 2017 em Nanjing (China). Além de vários terceiros e quartos lugares obtidos em várias edições do Torneio de Montreux onde o combinado nacional participa regularmente.
Todavia, o quinto lugar alcançado no Campeonato do Mundo de Nanjing, China, em 2017, acaba por ser a melhor classificação conseguida, sem esquecer, obviamente, a sexta posição no Mundial disputado em Vigo, em 2009, acabando por ser um feitos relevantes para o nosso combinado nacional que exibe nas vestes de anfitrião da primeira edição do Campeonato Africano da modalidade que decorrem desde sexta-feira em Luanda, contando também com as selecções de Moçambique e do Egipto.
Em 12 de Abril de 1982, Angola registou a derrota mais pesada, diante de Portugal, por 1-21. Aos, 18 de Outubro de 1992, registou a sua vitória mais avolumada, 39-1 “espetada” à Índia. São apenas alguns dados para conseguirmos perceber a grandeza e a trajectória dos angolanos nesta modalidade.
Naturalmente que nos dias que correm tem estado com menor fulgor mas, sempre na mó de cima. Ter um cortejo mundialista de se lhe tirar o chapéu e, concomitantemente os seus atletas possuem alta experiência competitiva. E, de facto são estes de quem se espera que, com todo vigor, força, estoicismo, abnegação e patriotismo consigam, mais uma vez, apurar Angola para o Mundial de Barcelona, no próximo ano.
O Africano que tem lugar em Luanda, apesar de contar com apenas três formações, é de suma importância para aquilo que são os nossos objectivos competitivos, habituados que estamos à mais elevada roda mundial. Egipto e Moçambique, que curiosamente jogam hoje, afiguram-se adversários à altura de puderem provocar a competitividade que se espera e quiçá valorizarem a nossa qualificação. Apenas o primeiro classificado será apurado para o Campeonato do Mundo.
A mudança de paradigma e nos moldes de disputa e apuramento para as competições internacionais incrementadas pelo órgão reitor da modalidade a nível mundial, acabam por vir em boa altura, mas verdade seja dito, haveria que se dinamizar a modalidade no nosso continente onde a prática efectiva, activa e competitiva, reduz-se a estes países presentes nesta competição.
Ainda assim, afigura-se bastante renhida pois, nem moçambicanos nem egípcios estão disposto a fazer turismo em Angola. Vieram. Isso sim, competir de igual para igual com os donos de casa (Angola) que, de forma estratégica, puxou para si a organização da prova, depois da desistência de Moçambique e de algumas indecisões de alguns países em puderem albergar. Contemos pois, com os nossos bravos rapazes para fazerem jus ao factor casa e aproveitarem bem essa oportunidade soberana que o destino lhe proporciona para, mais uma vez, voltarem aos palcos mundiais do hóquei em patins e mostrar a nossa qualidade e vigor.
Clamemos à Martin Payero, André Centeno e outros para que saibam representar de facto o nosso país que tem a fervilhar nas suas veias, o desporto, principalmente o hóquei em patins, como modalidade imensamente representativa e que muitas glórias vem dando ao País. Neste Africano de Hóquei em Patins, sinceramente, queremos mais uma glória: vencer. Tenho dito! Marais Canãmua

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