Jornal dos Desportos

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Opinio

Angolanos na China a sonharem com Tquio

31 de Agosto, 2019
Depois da sua estreia em 1986 numa grande cimeira da «bola cesto», curiosamente uma edição realizada no Reino da Espanha e que competira a convite da FIBA-Mundo, Angola começa hoje uma “nova aventura” neste desporto.
Em Foshan, cidade da China, onde dá início a sua caminhada nesta 18ª edição da Copa do Mundo de Basquetebol no Grupo D, Angola defronta na primeira fase as congéneres da Sérvia, com quem joga neste sábado, Itália, a 2 de Setembro, e Filipinas no dia 4.
Os comandados do norte-americano Will Voigt, que assinalam nesta pátria asiática, a sua oitava presença numa grande montra do basquetebol mundial, estão na República Popular da China para tentar o assalto aos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio.
Os hendecacampeões africanos que além da Espanha, em 1986, participaram ainda nas cimeiras mundiais de 1990 (na Argentina); 1994 (Toronto, Canadá); 2002, (Indianápolis, Estados Unidos da América); 2006 (Japão); 2010 (Turquia) e de 2014, (novamente em solo-pátrio espanhol), espreitam na China uma campanha exitosa. E isto pressupõe elevar bem alto o nome do Continente Berço da Humanidade, que há-de desfilar ainda com a Costa do Marfim, Nigéria, Tunísia e o Senegal, respectivamente.
É por demais sabido que apesar de alguns dissabores nas últimas edições do Afrobasket, designação por que é conhecida a maior festa da modalidade da «bola ao cesto» no continente, Angola, por força dos onze títulos conquistados, assume a hegemonia em África. Porém, para alcançar o desiderato de marcar presença nas Olimpíadas de Tóquio no próximo ano, terá de ter a melhor prestação entre os concorrentes africanos.
É um objectivo que os hendecacampeões africanos podem, perfeitamente, atingir, desde que façam da excelência uma divisa. Os angolanos têm capacidade para tal, pese embora os números menos conseguidos no Torneio Internacional da Cidade de Kunshan, na China, e no das Quatro Nações, na Coreia do Sul, que também serviram de antecâmara desta Copa do Mundo, e onde deixaram bem claro algumas fragilidades no sector defensivo, outrora dos elos mais fortes do combinado nacional.
Os 567 pontos convertidos durante o estágio pré-competitivo, que perfazem uma média de 70 por cada uma das oito partidas realizadas, assim como os 615 sofridos, que correspondem a 77 por cada um nos citados desafios, atestam bem esse desnível defensivo com que a equipa orientada por Will Voigt se confronta. Não obstante a isso, paira no ar alguma confiança, por parte da equipa técnica, no trabalho desenvolvido.
Aliás, não é em vão que ao cabo destas 18 edições da fina-flor do basquetebol mundial, Angola, com as oito presenças, é o país africano que detém recorde de participações. E isto espelha bem o bom trabalho interno que se foi fazendo a nível do país, para colocar-lhe a tão alto pedestal da modalidade da «bola ao cesto».
Como já se noticiou, o registo, se nos ativermos ao número de Afrobasket conquistados por Angola, onze, parece óbvio mas não o é, sobretudo por durante anos o Campeonato Africano das Nações qualificar directamente o campeão e o segundo classificado para a maior cimeira da Federação Internacional de Basquetebol Associado (FIBA). É ainda evidente o aumento de 24 para 32 selecções, elevando a representatividade de África para cinco, o que permite juntar a disputa, pela primeira vez, da prova em oito cidades, e a introdução “pioneira” de janelas de apuramento, o “Cinco Nacional” não podia ficar alheio as inovações, assinalando na China a sua oitava presença numa Copa do Mundo.
Nesta 18ª edição que a República Popular da China alberga a partir de hoje e até 15 de Setembro próximo, salta ainda à vista o facto de o país competir pela primeira vez numa Copa do Mundo com um atleta que evolui na NBA, designação por que é conhecida a Liga Profissional de Basquetebol Norte Americana. Bruno Fernando, poste de 2,8 metros, formado no 1º de Agosto e que representa o Atlanta Hawks, é um dos eleitos do técnico Will Voigt para esta grande cimeira da China de basquetebol. A estrela angolana, que se fez jogador pelas universidades americanas, chegou a alinhar nos Jogos de Verão de Las Vegas (Summer League) pelo seu novo clube, após a assinatura em Julho de um contrato para três anos. Na montra que o país asiático acolhe, o combinado nacional vai contar ainda com outra referência que milita nas Terras do Tio Sam, no caso Sílvio Sousa, do Kansas University.
É de salientar que o campeão nacional Petro de Luanda, com sete atletas de uma lista de 17, é a equipa com mais integrantes, enquanto o vice-campeão 1º de Agosto colocou apenas dois: Eduardo Mingas e Mohamed Malick.
De resto, com onze medalhas de ouro conquistadas em Afrobasket (isto em 1989, 1992, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2013); quatro de prata (1983, 1985, 2011 e 2015), duas de bronze (1987 e 1997), assim como outras três de ouro em Jogos Pan-Africanos (em 1987, 2007 e 2015), uma de prata (1999) e duas de bronze (2003 e 2011), Angola está nesta fina-flor do basquetebol obviamente para fazer boa figura. E se efectivamente carimbar o passaporte para Tóquio-2020 será ouro sobre o azul. A ver vamos e bem haja para os nossos bravos rapazes!!!...
Sérgio.V.Dias

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