Jornal dos Desportos

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Opinio

Angolanos obrigados a vencer

11 de Outubro, 2018
A Selecção Nacional de futebol seniores masculina, também conhecida por Palancas Negras, recebe amanhã a sua congénere da Mauritânia, jogo a contar para a 3ª jornada do Grupo I, das eliminatórias de acesso ao CAN dos Camarões 2019.
O que se pode esperar dos Palancas Negras no desafio de amanhã? Em função do novo pensamento da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) e consequentemente da maior parte da família da modalidade, no país e não só, a equipa nacional é obrigada a vencer este desafio se quiser estar presente nos Camarões.
Digo, novo pensamento da direcção da FAF, porque depois de assumir a condução do organismo reitor da modalidade, Artur Almeida e Silva deixou claro que o grande objectivo do seu pelouro, passa em criar condições para que a médio prazo a nossa selecção esteja em condições de competir com as melhores de África.
Por isso, o CAN dos Camarões não era uma prioridade. Entretanto, à medida que o tempo passa, mesmo com grandes dificuldades financeiras, o discurso do presidente da FAF mudou, hoje, a ideia dos Palancas Negras estarem na fase final do referido torneio, é praticamente uma obrigação.
Não sou contra a ideia. Mas se a primeira intenção da FAF se mantivesse de pé e sem pressão alguma, a nossa selecção fosse apurada para o CAN, seria uma vitória dupla, porque abria a oportunidade para descoberta de novos valores, que se iam juntar aos mais experientes e em devido tempo, tínhamos a selecção que se pretende.
A verdade, porém, é que o velho hábito de querer estar presente em todos os CAN que surjam, também, foi “herdado” pela nova direcção da FAF. Assim, todas as forças vivas que influenciam a vida dos Palancas Negras sentem-se mobilizadas para o efeito.
Por exemplo, a imprensa desportiva que exerce um grande papel na mobilização dos adeptos e não só, já está em acção há muito tempo.
Por isso, é normal que a maior parte dos angolanos à esta altura, queiram que a sua selecção nacional esteja presente no CAN de 2019.
Porém, para que esse objectivo seja alcançado, os Palancas Negras, são obrigados a vencer o jogo de amanhã com a Mauritânia, que lidera neste momento o grupo com seis pontos, fruto de duas vitorias, por 1-0, com o Botswana e de 2–0, com a similar do Burkina Faso.
Em termos de ranking da FIFA, a Mauritânia ocupa a posição nº 103 com 1.217 pontos, e no Grupo I, é a segunda melhor colocada atrás dos burkinabes, que estão na posição 56 com 1.391 pontos, enquanto que Angola está na posição 135 com 1.109 pontos e por último, o Botswana em 142º, com 1.077 pontos.
Isto, implica dizer, que se a posição no ranking falasse mais alto, o Burkina Faso e a Mauritânia eram as equipas candidatas a apurarem-se à fase final do CAN dos Camarões. Vemos, claramente, que a Mauritânia não é uma equipa qualquer e os nossos jogadores vão ter de suar a camisola se quiserem sair do Estádio 11 de Novembro com os três pontos na bagagem.
Em função do que vimos diante da selecção do Botswana e ter em atenção o facto de o 1º de Agosto ser a única equipa que está em acção, e por isso, forneceu mais jogadores à Selecção Nacional, prevê-se que possamos ter uma equipa baseada nos seus jogadores e no da diáspora. Portanto, o Seleccionador Nacional pode formar uma equipa forte, se por exemplo, sair com Tony Cabaça, Isaque, Massunguna, Bastos, Paizo ou Tó Carneiro, Herenilson, Show, Djalma, Geraldo, Freddy, e Gelson Dala e pode contar ainda com um banco “saudável” com jogadores, como, Buá, Mateus Galiano, Macaia, Vá, Mingo Bile e outros jogadores.
É importante frisar que a selecção da Mauritânia é composta por jogadores que militam em campeonatos, como os de França, Tunísia, Turquia e Grécia, daí, ter obrigações acrescidas quando representam as cores do seu país.
Entretanto, a julgar pelos nomes e qualidades dos jogadores que o sérvio Srdjan Vasiljevic convocou para esta operação, podemos estar confiantes que o onze angolano possa fazer um bom resultado. Aliás, já é chegada a hora dos jogadores que representem os Palancas Negras colocarem na sua mente que os jogos em casa são para serem ganhos, seja qual for o “quilate” do adversário.
Estamos a sensivelmente 24 horas do desafio, e por aquilo que conhecemos da capacidade de organização do estado angolano, os Palancas Negras já têm todas as condições criadas para arrancarem os três pontos e assaltarem a liderança do grupo.
Depois é esperar pelos dois jogos que vão ter fora com o Botswana e a Mauritânia, e finalmente, receber o Burkina Faso no Estádio 11 de Novembro.
Com uma eventual vitória, amanhã, os Palancas devem somar seis pontos, e caso amealhem no mínimo dois pontos nas duas deslocações que ainda têm de fazer, chegam aos oito pontos. Nesse caso, ao receberem os burkinabes, na derradeira jornada desta campanha, só precisavam de uma vitória que garantissem os 11 pontos, suficientes no caso, para irem ao CAN do próximo ano nos Camarões.
Com este número de pontos, no mínimo, o segundo lugar estava garantido. Aí, sim, podíamos sonhar com o CAN dos Camarões em 2019. Este, é o cenário que se apresenta diante dos Palancas Negras. Por isso, o jogo de amanhã é decisivo para as contas finais, razão pela qual só a vitória interessa aos nossos Palancas Negras.
Augusto Fernandes

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