Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Antes tarde que nunca

07 de Março, 2017
1.Mais uma vez as ocorrências desportivas dos últimos dias, remetem-nos à necessidade de abordagem de dois temas, num mesmo texto, o que não constitui qualquer invenção primária, porquanto, já assim procedemos em outros momentos, neste mesmo espaço de partilha de opinião.

2. Para a tertúlia de hoje, o companheiro António Félix sugeriu que falássemos do pronunciamento do ministro da Juventude e Desportos, em relação à intenção de legislar-se sobre os contratos desportivos, e da decisão da direcção da Federação Angolana de Basquetebol em apostar nos técnicos angolanos, para orientar as selecções nacionais da modalidade.

3.Não houve, portanto, nenhum critério de classificação de assuntos, em termos de importância, pelo que a referência é aleatória, ainda que isso não encontre aceitação consensual da parte dos leitores, à quem atribuímos o benefício da dúvida e solicitamos igual exercício à nosso favor.

4. Assim, sobre a intenção anunciada pelo responsável governamental do pelouro que atende pela juventude e desportos, a primeira referência que se nos oferece, é que a medida já vem tarde, todavia, vale o provérbio segundo o qual, \" antes tarde que nunca\".

5. Apesar de ainda estar na forja a necessidade de legislar sobre o desporto nacional, merece os aplausos de todos os agentes desportivos angolanos, com maior destaque para os atletas e treinadores que são os mais prejudicados, com a ausência de tão importante instrumento guia, do exercício de qualquer actividade desportiva.

6. A aprovação e consequente entrada em vigor da lei dos ou sobre os contratos desportivos, de certo que vai corrigir muitas situações anómalas, que de forma recorrente jazem no mosaico desportivo angolano, as quais normalmente deixam em estado lamurioso os desportistas e treinadores, enquanto os dirigentes quase sempre saem sorridentes dos \" filmes\" em que participam.

7. Ficam desde já salvaguardados os direitos dos desportistas, muitas vezes atropelados pelo belo prazer de quem lhe foi confiada a tarefa de dirigir determinada instituição desportiva, mas que preferem actuar à margem do mínimo ético recomendado, como se estivessem a gerir herança familiar, ou bens/patrimoniais próprios.

8. Uma questão que muito gostava de ver acautelada, prende-se com o dia seguinte dos atletas, na perspectiva de impedir que depois de terminar a carreira desportiva, engrossem o exército de indigentes e pedintes, por não ter fonte de sustentação, motivada por não descontar para a segurança social, ou outra espécie de fundo, para garantia do período de invalidez profissional, pelo menos, para a prática do desporto.

9. Por outro lado, com a legislação em termos dos contratos desportivos, podemos antever a saída de cena dos caloteiros que superabundam, muito ao estilo dos que entram para o dirigismo desportivo descalços e em casa de aluguer, mas saem a desfilar em viaturas de topo de gama, noves fora as mansões em zonas nobres da nossa urbe e não só.

10. Por esta e outras razões, aplaudimos a iniciativa do Ministério da Juventude e Desporto, que aliás até onde vai o nosso conhecimento, deu passos mais significativos em direcção à efectivação da intenção que vai seguramente, alegrar os agentes do desporto angolano, pelo que, bem haja.

11.Em outro ângulo de abordagem, o que dizer da decisão de Maneda e colaboradores em apostar nos nacionais, para dirigir as selecções de basquetebol não é nada mais, nada menos, que o exercício do cumprimento da palavra, porquanto, foi das promessas da campanha eleitoral.

12. E, quanto a isso, não há muito que se lhe diga, senão atribuir nota positiva à postura da direcção de FAB, que não pode ser a mesma em relação a alguns \"chicos espertos\", que sabe-se lá por que carga de água, tentaram fazer\" lobbies\" para que Adingono entrasse nas contas da Federação, para o cargo de seleccionador.

13. Para aqueles, se calhar mais patriotas que outros, o recado é, felizmente, no país ainda existem pessoas que preferem ser escravas das suas palavras, e manter a honra, o respeito, e a dignidade, atributos que não se compram com envelopes, que por vezes circulam no desporto angolano, bem haja Maneda e pares.Carlos Calongo

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