Jornal dos Desportos

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Opinião

Aos seus lugares!

12 de Setembro, 2017
Caso houvesse maior sentido de respeito pelo adversário, ainda que não fosse o \"eterno rival\", não teria por que fazer recordar as seguintes palavras: \"Acho que o 1º de Agosto é sempre a equipa mais fácil de defrontar. Se não estiver acompanhado da arbitragem leva ‘porrada’ com Petro à vontade\".

Acoberto-me de absoluto conforto para trazer à liça este assunto, - e devo recordar que, na véspera, manifestei o meu desagrado pela deselegância do discurso -, pois considero-me integrante do exército que sabe que, no futebol, mais do que as palavras importante é o que se define no momento ou pelo pormenor, e sendo o resto, apenas isso mesmo.

Deste princípio, a vitória do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda, no jogo de cartaz da jornada do último final de semana, para além de ser uma resposta ao acima enunciado, pode ser entendida como a voz de mando dos militares, resumida nas palavras que fazem o título deste artigo, muito conhecida nas hostes castrenses como a voz de mando, ou seja: Aos seus lugares!

E como que em cumprimento obrigatório da palavra de ordem, passe a hipérbole, os petrolíferos devolveram o primeiro lugar que \"guardaram\" por parcos dias, ao rival que, verdade seja dita, tem feito o suficiente para merecer a primeira posição da competição que é, sem margem para dúvida, a alegria, o motivo de satisfação e a diversão aos fins-de-semana, e não só.

Sendo pública a minha paixão pelo clube do Rio Seco, e por que não quero ser acoplado ao grupo dos que, como também certo dia foi dito, \"jornalistas que fabricam comentários descartáveis que na prática não existem\", mais não digo em relação ao jogo grande da 25ª jornada.

Até porque, para além do jogo não definir o título, no fim-de-semana não vivemos apenas de futebol, porquanto a Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol disputou a primeira fase da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, vulgo Afrobasket, que decorre numa co-organização da Tunísia e Senegal.

E pelo valor e prestígio que basquetebol, por expressão própria, granjeou no mosaico desportivo angolano e até mesmo continental, não soa bem deixarmos de dar uma pincelada sobre o assunto, até por que tem actualidade, para além de ser nacional e como dizia o outro, \" nós gostamos\".

Buscando forças no além, apesar de não estar a jogar ao seu melhor nível, Angola deu ar da sua graça e venceu a RCA por 66-44, por sinal números capicua, e alcançou o primeiro dos objectivos na competição, que se prende com a passagem para os quartos de final, pois sem jogar esta fase não se chega a tão almejada final e conquista do título, que é (?) o desejo colectivo.Apesar de conscientes quanto ao início tosco da Selecção Nacional, não podemos aceitar a forma como determinados agentes desportivos manifestaram o seu descontentamento com o treinador da selecção angolana e alguns responsáveis do órgão reitor da bola ao cesto.

Nem que fosse conversa de bar ou salão de beleza, salvaguardando a moléstia moral aos frequentadores dos referidos espaços públicos, a forma de manifestação dos nossos desejos em relação ao que deve ser a prestação de Angola na referida competição, deve estar imbuída de alguma urbanidade e todo o cortejo de respeito pela pessoa de outrem.

Ademais, e porque muitos dos comentários são \"obras-primas\" de pessoas com alguma visibilidade e estatuto social que, por isso, se obrigam a alguma contenção verbal, sobretudo nos seus pronunciamentos públicos, que quando expressos sobre uma carga emocional muito forte podem provocar efeitos perversos.

É importante lembrar que, o facto de ser, Angola, detentora da hegemonia do basquetebol continental, torna-se um alvo a abater, para além de termos de aceitar que os outros, assim como nós, também trabalham visando a conquista do título.

Significa isso que, ainda que Angola não (re) conquiste o troféu em posse da Nigéria, não devemos perder as estribeiras na forma de abordagem do fenómeno desportivo, comprando desnecessárias quezilas pessoais que em nada servem os interesses colectivos da pátria, até por que, o cinco nacional tem competência para mandar qualquer selecção africana, aos seus lugares.
CARLOS CALONGO

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