Jornal dos Desportos

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Opinio

Apoiar o Petro de Luanda

20 de Dezembro, 2018
Depois da grande prestação do 1º de Agosto, na Liga dos Campeões de Africa, edição de 2018, tendo sido eliminado nas meias-finais diante do Esperance de Tunis, o Petro de Luanda, na qualidade de único representante angolano nas Afrotaças, precisa do apoio de todos para fazê-lo com dignidade.
Não há margens para dúvidas, de que se o 1º de Agosto conseguiu a proeza de chegar as meias-finais da Liga dos Campeões, foi porque, em primeiro lugar, os seus jogadores conseguiram convencer o país, que deveriam confiar neles.
Assim, em função da grandeza do Petro de Luanda, uma equipa habituada a estas andanças e tendo em consideração o plantel que tem para esta época, acredito que podemos depositar a nossa confiança nos tricolores.
Se o país se mobilizar, amanhã, em torno da equipa , será muito mais fortalecedor para aos jogadores. Isto implica dizer, que os nossos representantes sentir-se-ão motivados e, consequentemente, comprometidos com a nação, o que lhes servirá de combustível mental para abordarem o jogo de amanhã, sexta-feira, com a devida responsabilidade.
Talvez alguém possa dizer ou entender, que este tipo de situação pode funcionar como uma faca de dois gumes. Quer dizer: tanto pode funcionar pela positiva como pela negativa. Eu acredito que não, a julgar pelo nível dos jogadores petrolíferos.
Não nos esqueçamos que, mais de 50% dos jogadores do Petro de Luanda, fazem parte da selecção nacional ou, no mínimo, são convocáveis e por isso habituados a jogos internacionais. Além disso, o Petro, nos últimos três anos, mesmo sem ganhar o campeonato tem estado presente nas Afrotaças.
Por outro lado, todo jogador que tiver o privilégio de vestir aquela camisola amarela e o calção azul, sabe que está a representar um gigante do futebol angolano com mais de 15 títulos por defender e outras tantas Taças de Angola e Supertaças, a nível do país. E é uma equipa com certo respeito em Africa.
É ponto assente, que só joga num clube com a grandeza do Petro de Luanda, um individuo técnica, física e mentalmente completo. É o que podemos ver em jogadores como Gerson, Wilson, Herenilson, Job, Tiago Azulão, Mira, Toni, Vá, To Carneiro, Diógenes, Danilson, Édie Afonso, Carlinhos e outros.
Por isso, podemos confiar que, ao apoiarmos o nosso representante nesta caminhada nas Afrotaças que pode terminar com a conquista da primeira taça continental de um clube angolano, não constitui nenhum risco para as nossas pretensões. Muito pelo contrário.
Assim, é necessário que o apoio venha de todos. Do Estado, das direcções dos demais clubes do país e, naturalmente, de todos os angolanos amantes do futebol e não só. Foi muito bonito e emocionante, ver o país inteiro a vibrar nos jogos em que o 1º de Agosto esteve envolvido.
Nos jogos realizados em casa, no Estádio 11 de Novembro, os militares do rio seco sempre contaram com o apoio de todos, especialmente da claque do Petro de Luanda, que, por sinal, é que mais se rivaliza com a do 1º de Agosto.
Dirigentes de clubes, do Estado, e outras individualidades colectivas e singulares, manifestaram publicamente o seu apoio aos militares. É deste tipo de apoios que o Petro de Luanda vai precisar, para nos representar com dignidade ou seja para, no mínimo, fazer melhor que o 1º de Agosto: atingir a final.
Entretanto, quando falamos de apoios, não nos estamos referir a simples apoio de claques ou aplaudir nos momentos difíceis, não. Queremos dizer, que a sociedade se deve mobilizar para apoiar também em termos material, que, a priori, é da responsabilidade do clube.
Está em causa a reputação do futebol angolano que, neste momento, cabe ao Petro de Luanda, defendê-la. Por isso, e como é natural, toda a família do futebol nacional se deve rever nesta empreitada.
Sabemos que a situação económica do país não é boa. Mas isto não nos pode impedir de darmos o nosso apoio. Existem muitas formas de apoiar materialmente. Podemos apoiar, de modos a proporcionar um bom memento de descontração para os jogadores, produtos alimentares e assim por diante. O mais importante é que os nossos jogadores sintam que o país está com eles.
A titulo de exemplo, na década de noventa, um adepto de um clube de Benguela, ofereceu dois cabritos para a equipa que, na altura, estava a representar o país na Taças das Taças de África. Praticamente nada se falou sobre isto. Mais foi um grande gesto.
Assim como aquele indivíduo fez nos anos noventa, nós também podemos fazê-lo. Agora, o mais importante é ver como cada um pode contribuir. Não nos esqueçamos: está em causa o prestígio do nosso futebol.
Augusto Fernandes

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