Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Aposta na formao e no desporto escolar

28 de Outubro, 2017
A aposta na formação e no desporto escolar assume-se como um aspecto fundamental para o desenvolvimento de qualquer modalidade. Quer no desporto -rei, o futebol, como na esfera de outras disciplinas, a aposta nessas duas componentes deve ser vista numa perspectiva crucial e abrangente, não fossem as valências que daí resultam.

Por isso, a nível do nosso país é importante que se faça um trabalho profundo, nos escalões de base das diferentes modalidades desportivas. Os agentes e fazedores de desporto devem encarar, isto, como prioridade das prioridades.

Creio, ser por isso, que no discurso proferido a 16 de Outubro, sobre o Estado da Nação, o Presidente da República sublinhou a imperiosa necessidade do desporto escolar ser dinamizado no país, pelas valências que encerra.

João Manuel Gonçalves Lourenço recordou o facto, de que além de contribuir para a educação física e mental das crianças e jovens, o desporto escolar “pode também ser um meio para a descoberta de valores para práticas competitivas, amadoras e profissionais”.

O Mais Alto Mandatário da Nação destacou ainda, no discurso solene de abertura da I Sessão Legislativa da IV Legislatura da Assembleia Nacional, ser preciso reforçar o papel das Associações e Federações desportivas, enquanto parceiras do Estado.

“Devemos iniciar já nos próximos meses, uma séria aposta nas camadas jovens, com a identificação de futuros talentos para a prática desportiva”, sublinhou o Chefe de Estado no discurso proferido na Assembleia Nacional, este mês.

E, a justificar o facto de que no seu mandato o desporto vai ter uma atenção especial, João Lourenço acrescentou no discurso sobre o Estado da Nação, que estes talentos devem ser acompanhados e potenciados, de modo a que num tempo razoável, possam atingir o pódium em competições de âmbito regional e continental. Isto, é possível com trabalho.

Mas este é um trabalho, que não se restringe só ao Executivo. Pelo contrário, todos devem unir as mãos em torno deste trabalho, nos escalões de formação das diferentes modalidades desportivas, por ser um aspecto de relevância capital.

Agentes e fazedores do desporto devem estar imbuídos desse espírito, e colaborar com o Governo para a efectização do desiderato.

Há mais ou menos dois anos, já tinha abordado neste espaço de opinião, um tema sobre a aposta na formação com o jornalista Policarpo da Rosa, ex- director deste título, por julgá-lo bastante pertinente, e sobretudo, pelo fraco trabalho que se faz nesse sentido.

Agora, nesta partilha da rubrica “A duas mãos” com o jornalista Morais Canâmua, um companheiro das lides de Redacção da Edições Novembro, desde ido ano de 1995, volto à carga em relação ao assunto, e junto ao tema a questão do desporto escolar.

A fraca aposta nos escalões de base constitui, a meu ver, um dos males que enfermam não só o nosso desporto-rei, como também às diferentes modalidades no nosso país.

Os agentes e os fazedores de desporto devem compreender que os problemas que afligem o futebol e às demais modalidades a nível nacional, estão implicitamente ligados à fraca aposta que se faz nos escalões de base, e a outros factores colaterais.

Também é por demais sabido, que a nível das selecções nacionais e até mesmo dos clubes do topo das diferentes modalidades, os dirigentes apostam, muitas vezes, em projectos imediatistas, o que faz com que as metas traçadas redundem em fracassos.

É por essa razão, que se torna imperiosa a necessidade de se traçar novos horizontes para o desporto, a nível das nosssas fronteiras.

A nível do futebol, por exemplo, devem ser enaltecidos projectos de escolas, como as do Norberto de Castro, Joka Sport, Adão Costa, assim como as dos clubes Petro de Luanda, 1º de Agosto, Interclube, Académica do Lobito e do FC Bravos do Maquis.

Um outro bom exemplo, surgiu no início da década de 80, quando a então Secretaria de Estado de Educação Física e Desportos dava aval ao projecto “Caçulinhas da bola”, que fez despoletar muitos talentos para o futebol nacional.

A meu ver, nas suas mais variadas facetas, o desporto deve ser desenvolvido de forma salutar, e com a atenção que deve ser dada à formação.

E, como pontificou, em certa ocasião, o governador do Bié e faço fé nisso, o desporto federado deve ter um nível bem estruturado, assim como o escolar e o comunitário.

Boavida Neto é apologista de que “deve-se, por essa via, dar atenção ao desporto comunitário e ao escolar, que podem reflectir-se no federado e no do associativismo”.

No Cuanza - Norte, onde neste momento me encontro em funções, o governador local promete apostar durante o seu “consulado”, nos próximos cinco anos, no desenvolvimento do desporto escolar com o objectivo de relançar o espírito e prática entre jovens.

José Maria Ferraz dos Santos manifestou a intenção em Ndalatando, durante o acto de apresentação do programa provincial do desenvolvimento do Desporto Escolar, justificou que esta constitui uma das prioridades para o quinquénio 2017-2022.

A formação de treinadores, o incentivo aos professores de Educação Física e disponibilização de equipamentos desportivos, são outras tarefas prioritárias, como disse José Maria dos Santos no encontro que juntou além de agentes do sector, membros do seu Governo.

Porém, julgo fundamental a esse respeito, a imperiosidade de se criarem mais espaços para o fomento da prática desportiva.

Por outro lado, o desporto deve ser feito na perspectiva de assegurar a melhoria do ponto de vista organizacional.A formação de técnicos e dos agentes desportivos, claro está, deve ser, aqui, também encarada como fundamental para a base de conhecimento social e científico, que se pretende alcançar. O resto, acredito, vem por acréscimo…

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