Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Apostar na continuidade

21 de Junho, 2016
Em função dos últimos desenvolvimentos em torno da Selecção Nacional de futebol de sub-20, que em Julho defronta a congénere do Egipto para a derradeira eliminatória de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) a ter lugar no próximo ano na Zâmbia, tudo leva a crer que a médio prazo, o futebol sénior de Angola a nível das selecções nacionais possa obter performances positivas no contexto internacional, principalmente no que respeita a África.

Depois dos Palanquinhas deixarem pelo caminho a sua similar do Gabão, e terem participado no torneio da COSAFA (dirigido as selecções de sub-20 da zona austral de África) que decorreu recentemente na Namíbia, em que mais uma vez os responsáveis pelo futebol nacional não encararam com a devida seriedade em termos de organização, o que leva a crer que a presença em competições africanas a nível de seniores, aconteça com resultados mais positivos.

Na eliminatória diante do Gabão, a selecção angolana trabalhou sem o treinador de guarda-redes, facto que se repetiu na competição que decorreu na Namíbia, para onde em “cima do joelho” viajaram três jogadores da equipa sénior do Petro de Luanda e um do ASA, que se juntaram ao grupo com quem antes nunca trabalharam. Trata-se de falhas recorrentes que não pode acontecer, principalmente ao nível das selecções nacionais.

Para o efeito, em ano da realização de eleições para os corpos sociais da Federação Angolana de Futebol (FAF), no âmbito da conclusão do ciclo olímpico de quatro anos, o elenco que chamar à si a direcção da modalidade a nível nacional deve materializar projectos mais audazes e ambiciosos, no que tange à contínua participação das selecções nacionais de sub-20 e de sub-17, em competições internacionais de carácter oficial e particular.

Isso, permite que os jovens, o “viveiro” do futebol sénior, comecem nos escalões de transição a ganhar contacto internacional, que permita quando atingirem os “AA” possuírem endurance competitivo e bagagem internacional, que actualmente em função do déficit que existe nesse âmbito, os séniores por vezes denotam algumas debilidades.

O que acima está referenciado, infere que no contexto do continente africano a nível dos escalões de formação, não se descure a evolução das selecções que se constituíram em adversárias mais directas da angolana.

O rejuvenescimento paulatino que a Selecção Nacional de séniores é alvo, passa pelo trabalho efectuado pelos clubes, que por sua vez devem consolidar os escalões etários como forma de contribuir para que o nome de Angola, a nível de seniores, volte a ocupar o lugar devido nas principais montras do futebol continental.

É certo que os membros da actual direcção da Federação angolana da modalidade, desenvolvem um exercício positivo de dirigismo desportivo, pois é evidente que a participação da selecção de sub-20 no torneio da COSAFA destinado a selecções principais, para além de permitir mais contacto internacional, traquejo e maturidade competitiva, oferece garantias de um desempenho tranquilo em termos continuidade. O necessário, é que o projecto que é desenvolvido por Samy Matias possa continuar porque o futuro começa agora.

Os responsáveis e dirigentes da Federação Angolana de Futebol, cujo mandato termina neste ano, estão empenhados em materializar esse desiderato, cujos resultados em comparação com os obtidos nas últimas edições dos “Africanos” e em outras competições de nível internacional, dão indicadores de estarem a evoluir em termos de performances.

Ao contrário do que acontece com algumas modalidades colectivas, noves fora os campeonatos nacionais dos escalões de formação disputarem-se por quantidade exígua de equipas, se tivermos em consideração à extensão territorial do país e à sua densidade populacional, contabilizam-se vários jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos, a darem cartas nas equipas do Girabola-Zap, onde alguns pelas suas performances, converteram-se em principais referências das equipas onde actuam. Isso, não pressupõe que a massificação e o aumento da quantidade de equipas deixem de constituir preocupação de quem venha a dirigir a modalidade.

Leonel Libório

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