Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Aprender com os erros

15 de Junho, 2017
A derrota dos Palancas Negras no sábado diante do Burkina Faso, na abertura das eliminatórias de acesso à fase final do CAN/2019, já foi digerida pelos amantes do futebol e não só. Aliás, uma derrota há muito anunciada, em função das débeis condições de trabalho postas à disposição da Selecção Nacional.

A sabedoria popular ensina - nos que errar é humano, mas quando repetimos o erro, aí já é burrice. Isto, para dizer que a FAF tem nove meses, repito, nove meses, para preparar o próximo jogo dos Palancas Negras que se disputa em Março do próximo ano, diante do Botswana, no Estádio 11 de Novembro.

As deficientes condições de trabalho, postas à disposição da Selecção Nacional, segundo o órgão reitor do nosso futebol, deveu-se à falta de recursos financeiros. Compreendo o argumento da FAF, porque de facto, a actual direcção encontrou os cofres vazios.

Contudo, Artur de Almeida e pares, sabiam de antemão o programa das selecções nacionais. Do seu calendário, durante a campanha eleitoral, disse que tudo ia fazer para colocar os Palancas Negras nos carris. Implica isso dizer, que sabia de antemão onde ia buscar os recursos financeiros.
Por outro lado, a actual direcção da FAF devia interagir com outras Federações mais experientes, para saber como gerem os calendários internacionais das distintas selecções, mesmo com o país numa crise financeira acentuada.

E, na minha modesta opinião, uma das Federações a quem Artur de Almeida devia contactar, era a de Andebol. Ninguém sabe tudo. Mesmo os empresários de créditos firmados, aprendem todos os dias. Não devemos ter vergonha de nada.

Pergunto: será que a crise económica que o país vive, não chegou aos cofres da Federação Angolana de Andebol, liderada por Pedro Godinho? A selecção nacional de andebol feminino vai disputar o Campeonato do Mundo, que vai realizar-se na Alemanha, de 2 a 18 de Dezembro, e já está a preparar-se em Portugal.

Nos dois jogos de controlo realizados, defrontou a sua similar da Noruega, simplesmente a campeã mundial em título.
Será que o estágio em referência tem suporte financeiro do Ministério da Juventude e Desportos? Não creio. Depois do que aconteceu durante o Campeonato Africano de Andebol, que o país albergou em Dezembro de 2016, estou convicto que os patrocínios arrecadados por Pedro Godinho estão a suportar os gastos do bem-vindo estágio da selecção em terras lusas.

Uma questão pertinente é a seguinte: nenhuma Federação recebeu até agora, qualquer duodécimo do Ministério da Juventude e Desportos. Os orçamentos já foram aprovados, até agora nos cofres das mais distintas Federações não caiu um centavo sequer. Porquê? A resposta é de quem de direito.

Esta situação está a perigar e a comprometer o calendário de algumas Federações, que se vêem a braços para cumprirem com os seus programas. À excepção da de andebol, que foi à procura de outros meios para sobreviver, as demais estão de mãos atadas.

Depois das vicissitudes por que passou a selecção de Sub-17, e muito recentemente os Palancas Negras, agora é a vez da Selecção Nacional de Sub-19 que está a preparar a participação para o Mundial da categoria, a disputar-se na cidade do Cairo, Egipto, de 1 a 9 de Julho. Caso idêntico pode viver a selecção nacional de hóquei em patins.

A Federação Angolana de Basquetebol está com dificuldades financeiras para enviar a Selecção Nacional à Espanha, onde pensa realizar um estágio pré-competitivo. Na agenda estão previstos cerca de oito jogos de controlo. Há muito que está programado, a alternativa costuma ser a realização do estágio no país, como a realização de alguns jogos.

A vantagem da Federação de Andebol está no facto de continuar a ser dirigida pelo mesmo presidente, Pedro Godinho. Uma vantagem considerável, diga-se. Contudo, os actuais dirigentes da FAF e da FAB sabiam com que linhas se iam cozer, quando apostaram nas suas candidaturas.

Por outro lado, aperceberam-se do anúncio de cortes orçamentais, face à crise económica e financeira que o país atravessa, pelo que tinham de encontrar alternativas para os seus compromissos internacionais, no âmbito dos esforços pessoais. No fundo é isto, que Pedro Godinho está a fazer.
Frente a todas as dificuldades, penso que o ministro da Juventude e Desportos devia reunir-se com urgência, com os presidentes das várias Federações, para encontrar a alternativa, porque é o país que está em jogo.

As selecções vão em representação do País, é a bandeira da Nação que levantam, por isso, era de muito bom grado que se evitassem os casos vividos pela selecção de futebol de Sub-17, no Africano/ realizado no Gabão, e as vicissitudes vividas pelos Palancas Negras, antes do jogo com o Burkina Faso.
Policarpo da Rosa

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