Jornal dos Desportos

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Opinio

Aprofundar o trabalho para manter hegemonia

16 de Setembro, 2017
Para tristeza dos angolanos, que se revelam como amantes do desporto e da modalidade da «bola ao cesto», em particular, o combinado nacional sénior masculino não conseguiu repetir a proeza de 2013 e nem tão pouco lograr a conquista do 12º título do seu historial num Afrobasket. E tudo por obra de uma campanha bastante displicente e fundamentalmente por passar uma imagem bastante pálida do seu real nesta 29ª edição da maior montra da modalidade, que cerra hoje as cortinas.

É verdade que eram anseio de todos os angolanos ver a selecção chegar a mais um título, mas também não é menos verdade que Angola nada fez que pudesse justificar nesta competição co-organizada pelo Senegal e Tunísia, a sua condição de detentor da hegemonia do basquetebol continental. Deve-se reconhecer isso, em primeira instância.

A Selecção Nacional, treinada por Manuel Silva “Gi”, teve alguns percalços no primeiro turno, em que venceu a similar do Uganda de forma apertada na estreia por 94-89 e perdeu surpreendentemente diante do Marrocos por 53-60. Isso serviu, à partida, como aviso sobre aquilo que viria ser a ser a campanha do conjunto, pois quer a selecção ugandeza, quer a marroquina, são, de longe, adversário de quilate inferior ao de Angola em termos de basquetebol.

E apesar de ter acertado o passo frente a República Centro Africana (RCA), no terceiro e último jogo do primeiro turno da prova, em que esteve inserido no Grupo, o “Cinco Nacional”, demonstrou ainda assim, alguma ineficácia em termos tácticos. A prestação dos pupilos de Manuel Silva “Gi” no jogo em que venceram os centro-africanos, por 66-44, deixou claro a ideia de que nos jogos dos quartos-de-final frente ao Senegal, as coisas seriam muitas mais complicadas.

Primeiro porque o Senegal teoricamente é superior a qualquer dos adversários que a Selecção Nacional enfrentou no primeiro turno, em Dakar, e depois pelas grandes fragilidades que conjunto demonstrou em vários aspectos na referida etapa. Angola falou em quase tudo. Defensivamente não esteve, pecou nas transições da defesa para o ataque e outra grande lacuna evidenciou no seu jogo exterior.

Depois de passar uma imagem pálida do seu real valor durante o primeiro turno da competição, em Dakar, esperava-se, que como conjunto mais titulado da história das edições do Afrobasket, Angola conseguisse inverter os papéis nos quartos-de-final. Isso não passou de uma simples miragem. Convenhamos admitir, também, que não se adivinhava uma tarefa fácil para Angola, que depois de se sagrar campeã africana pela primeira vez em 1989, conquistara ainda as edições de 1991, 1993, 1995, 1999, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2013, sucessivamente.

Como se pode observar aqui, ao cabo das 14 edições disputadas do Afrobasket de 1989 à presente data, Angola só deixou fugir o troféu em 1997, 2011 e 2015, assumindo, em consequência disso, a hegemonia do basquetebol continental. Por arrasto disso, Angola foi adormecendo a sombra dos resultados, mediante vitórias que de certo modo escondia muita coisa. Em várias edições e particularmente nas últimas a equipa nacional começa mal, mas depois vai melhorando de jogo para jogo a sua prestação, mas infelizmente neste Afrobasket as coisas não correram de feição.

Por isto há que se reflectir profundamente em torno daquilo que está mal no nosso basquetebol. Deve-se corrigir o que está mal e melhorar ainda mais o que está bem. E indiscutivelmente isso passa por aprofundar-se o trabalho de casa para o combinado nacional mantém a hegemonia continental. São aspectos a reflectir.
SÉRGIO.V.DIAS

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